segunda-feira, 12 de novembro de 2018

AS PRIMEIRAS HISTÓRIAS DO SUPERMAN


Superman foi criado por Jerry Siegel e Joe Shuster para a primeira edição da revista Action Comics, datada de 18 de Abril de 1938. Aparecendo principalmente em histórias em quadrinhos publicados pela americana DC Comics, já foi adaptado para programas de rádio (novelizações), tiras de jornais, séries de TV, filmes e vídeo games.

As primeiras histórias do Superman traziam um personagem cujo visual era ligeiramente diferente do que conhecemos hoje (mais no sentido dos detalhes de seu uniforme) e uma personalidade que pouco trazia do bom moço que conheceríamos. Não era exatamente um anti-herói, mas era notável como se divertia apavorando criminosos de toda categoria.

No Brasil, a editora L&PM publicou essas primeiras histórias em uma edição especial lançada em meados dos anos 1980.

AS PRIMEIRAS HISTÓRIAS DO SUPERMAN
1987
Editora L&PM / DC Comics


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 66 páginas, sendo internas em preto e branco, formato 20,5 x 27,5 cm, lombada canoa

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domingo, 11 de novembro de 2018

THE SPIRIT - EDITORA ABRIL - 1990 / 1991


Por definição, os personagens não precisam ter poderes sobre-humanos para serem considerados super-heróis. Sim, a maioria deles conta com poderes especiais, mas "basta" que seja uma pessoa excepcionalmente hábil para ter o requisito básico para combater o mal. Por exemplo, combatentes, aventureiros fantasiados ou vigilantes mascarados muitas vezes podem ser reconhecidos como super-heróis, como exemplo do Spirit.

The Spirit é um combatente mascarado criado por Will Eisner em Junho de 1940, publicado na edição dominical de tabloides distribuídos pela empresa Register and Tribune Syndicate, passando a ser distribuído por 20 jornais, o que daria as portas de entrada para a veiculação de suas aventuras por cerca de cinco milhões de exemplares. Continuou nesse formato até 1952. Em relação à The Spirit, Eisner era seu editor, além de escrever e desenhar as histórias de sua criação (apesar do auxílio não creditado de escritores como Jules Feiffer e desenhistas como Jack Cole e Wallace Wood).

No Brasil, traduzido de forma literal como "O Espírito" o personagem foi bastante popular nas décadas de 1940 e 1950. Com histórias curtas e fechadas, era de fácil inserção nas edições que traziam vários personagens. Posteriormente, apareceu em coletâneas dessas histórias, em alguns casos no formato de revista própria e mensal, como foi o caso da Editora Abril, que lhe deu um título no início dos anos 1990, em ocasião do cinquentenário da criação do personagem.

THE SPIRIT
1990 / 1991
Editora Abril / Will Eisner


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 36 páginas, sendo internas em preto e brancos, formato 17 x 26 cm, lombada canoa

R$ 17,90 cada

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sábado, 10 de novembro de 2018

JERRY SIEGEL ESCREVENDO PARA DISNEY - PARTE II


Jerry Siegel e Joe Shuster criaram o Superman (também conhecido como Kal-El, grafado originalmente como Kal-L), na primeira edição da revista Action Comics, em 18 de Abril de 1938 (com data de capa em Junho), evento esse que iniciou a Era de Ouro dos Quadrinhos. A verdade é que a dupla de criadores tentou por anos encontrar um editor para seu novo personagem, sendo que, originalmente, suas aventuras foram criadas no formato para tira de jornal, mas não obtiveram sucesso tão fácil. O herói sequer era herói no início. Era um vilão enlouquecido, careca e que usava suas habilidades telepáticas para atacar a humanidade. Surgiu mesmo na revista independente Science Fiction. Mas, chegou uma hora (e muito tempo depois de tentar vender o personagem para uma editora) em que o próprio Siegel se perguntou "E se esse personagem fosse uma força do bem ao invés de uma força do mal?" A dupla já havia feito alguns trabalhos para a editora National Allied Publications (futura DC Comics) e foram convidados a integrar a equipe de uma nova revista. Decidiram fazer uma montagem com o que já haviam preparado do Superman para tiras de jornal, dispondo-as no formato de páginas de uma revista, e apresentaram a nova ideia. O novo personagem não só foi aceito como também se tornou capa da primeira edição. Mas nem tudo foram flores para o homem de aço. O editor Harry Donnenfeld, apesar de ter publicado, achou as histórias do Superman ridículas ao ponto de ordenar que nunca mais fosse capa de sua nova revista.Só que os gráficos não mentem e Donnenfeld, depois de um bom tempo, descobriu que as vendas da primeira edição se deviam justamente a presença do Superman na capa. Com isso, a partir da edição 19 da revista, o personagem não só figuraria na capa, como se tornaria uma espécie de anfitrião do título.

Não só o início, mas também o que viria posteriormente na carreira dos criadores iria mostrar um percurso penoso e um tanto inglório em sua trajetória. Siegel, o escritor, entre muitas dificuldades, foi o que mais perpetuou (mas nem dá pra dizer que prosperou) trabalhando com quadrinhos. Como já dito antes, trabalhou em tantos outros roteiros de menor importância fora do universo do Superman, sendo talvez o mais estável seu período com a Disney italiana. Eram histórias que primavam por um forte clima de fantasia e ficção científica, bem ao estilo de suas aventuras do Superman. Em uma história do Tio Patinhas, exemplo, o avarento mais famoso da Disney tem que enfrentar... seu próprio dinheiro, que começa a ganhar vida, forma e atacá-lo. Moedas, pepitas de ouro, diamantes... tudo que lhe pertence começa a formar monstros e tentar destruí-lo. Evento, claro, que tem um vilão por trás de tudo. É ou não é um roteiro digno de história de super-herói? Ou melhor dizendo... este é ou não é um trabalho para o Superman?

Essa história do Tio Patinhas, com roteiro de Jerry Siegel foi publicada originalmente na revista italiana Topolino 946, em Janeiro de 1974, sendo desenhada por Romano Scarpa (considerado um dos melhores desenhistas Disney na Itália, chegando a ser comparado com Carl Barks dos Estados Unidos). Foi republicada na Alemanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda e Portugal. No Brasil, foi republicada na revista do Tio Patinhas.

TIO PATINHAS 207
1982
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DESTA EDIÇÃO: 100 páginas coloridas, formato 13,5 x 19 cm, lombada quadrada

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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

JERRY SIEGEL ESCREVENDO PARA A DISNEY


Os quadrinhos como mídia impressa existem nos Estados Unidos desde a impressão de The Adventures of Mr. Obadiah Oldbuck (originalmente Les amours de Mr. Vieux Bois), do suiço Rodolphe Topffer, em 1842, em uma edição em capa dura, tornando-se o primeiro protótipo do que seriam os quadrinhos americanos. Essas proto revistas começaram a se tornar periódicas no início do século XX, sendo que historiadores consideram a revista de 36 páginas Famous Funnies: A Carnival of Comics, da Dell Publishing, como a precursora no segmento. Com o tempo, e se tornando mais populares, os quadrinhos trouxeram heróis que fizeram parte da formação de gerações. De acordo o historiador Michael A. Amundson, os heróis dos quadrinhos ajudaram a diminuir o medo dos jovens de uma possível guerra nuclear, diminuindo a ansiedade no que se referia ao poderio e ameaça nuclear, mesmo quando as histórias mostrassem um ponto crítico a respeito. A verdadeira popularidade dos quadrinhos americanos aconteceu em 1938, quando Jerry Siegel e Joe Shuster inauguraram a Era de Ouro dessa arte, com a criação do Superman, arquétipo do gênero de super-heróis.

No entanto, esse gênero não foi o único a apresentar características benéficas e muito menos engessavam a criatividade de seus autores em suas regras de narrativa. Siegel, por exemplo, não só trabalhou para o mercado americano. Após um período um tanto sombrio de sua carreira, Siegel publica várias histórias na editora italiana Mondadori, surpreendentemente produzidas para os personagens Disney. Sim! Mickey, Donald, Tio Patinhas, Os Sobrinhos, Professor Pardal... todos com roteiros do criador do Superman! Muitas delas traziam a pegada de fantasia científica comum aos roteiros de Siegel (e do Superman até). O escritor já havia trabalhado com os personagens Disney pela americana Gold Key, mas sem muito sucesso. Mas a breve estadia abriu as portas para o mercado Disney italiano, onde produziu dezenas de histórias.

Parte desse material bem imaginativo foi publicado no Brasil e muitas delas são vistas no saudoso Almanaque Disney.

ALMANAQUE DISNEY 72 E 80
1977 /1978
Editora Abril / Walt Disney


Histórias escritas por Jerry Siegel:

- O RECORDE FERROVIÁRIO (publicada originalmente na revista Topolino 952, em 1974, desenhada por Guido Scala, apresentando Mickey, Pateta, Minnie, João Bafo-de-Onça)

- UM SOLISTA DESAFINADO (publicada originalmente na revista Topolino 1097, em 1976, desenhada por Franco Lostaffa, onde Donald quer se tornar um multi-instrumentista para ser contratado por uma gravadora; ainda participar Huginho, Zezinho, Luisinho e o vizinho Silva).

Há outras histórias com personagens Disney nas edições citadas.

APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada


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terça-feira, 6 de novembro de 2018

AS AVENTURAS DE TINTIM


As histórias em quadrinhos seguiram diferentes caminhos em diferentes culturas. Há quem diga que as pinturas rupestres, lá na pré-história, em muito se parecem com os quadrinhos, pois o aspecto de se contar algo com arte em sequência está em muitas delas. Já no século XX, houve o florescimento dessa arte em três grandes centros: Estados Unidos, Europa Ocidental (mais especificamente na França e na Bélgica) e no Japão. Na Europa, é atribuído o início desse desenvolvimento já com os desenhos de Rodolphe Topffer, isso na década de 1830! Mas foi com as Aventuras de Tintim, na década de 1930, que os quadrinhos europeus finalmente encontrariam sucesso e popularidade.

Criado pelo belga Hergé (nome artístico de Georges Prosper Remi), em 1929, a série de álbuns As Aventuras de Tintim já foi traduzida para mais de 50 línguas e já vendeu cerca de 200 milhões de cópias pelo mundo.

AS AVENTURAS DE TINTIM
2005 / 2006
Cia. das Letras / Casterman


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 62 páginas coloridas, formato 21 x 28 cm, lombada quadrada

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sábado, 3 de novembro de 2018

O TOCHA HUMANA 1975


Nem Homem-Aranha, nem Capitão América. O primeiro personagem da Marvel a ser publicado foi o Tocha Humana. E, não. Não o mesmo personagem do Quarteto Fantástico. Esse Tocha Humana original era um androide que atendia pela identidade civil de Jim Hammond. Surgiu em 1939, na revista (vejam só) Marvel Comics, mas em uma época é que a editora se chamava Timely e nem sonhava um dia ser um universo de personagens, quiçá uma editora. Acompanhava suas aventuras um parceiro mirim com os mesmo poderes, conhecido por aqui como Centelha.

Ficando famoso por seu arranca rabos com Namor, o príncipe submarino (fogo e água, entendeu?), O Tocha Humana teve sua própria revista até Março de 1949, quando os super-heróis viram sua popularidade cair e várias revistas saírem de circulação. Mas, logo na década de 1950, uma tentativa que ressuscitar a popularidade dos heróis trouxe o personagem e sua revista de volta do número que havia sido encerrado, chamando o desenhista Dick Ayers para cuidar de suas histórias. A tentativa não deu lá muito certo, durando pouco mais de meio ano, e o personagem só retornaria muitos anos depois, já com o Universo Marvel bem alicerçado. Mas isso outra história.

A editora Bloch publicou essa fase desenhada por Ayers na década de 1970, ironicamente na revista O Tocha Humana... sendo que o título já se referia ao Tocha Humana do Quarteto Fantástico.

O TOCHA HUMANA
1975
Editora Bloch / Marvel Comics


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 68 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada

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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

CAPITÃO AMÉRICA AS PRIMEIRAS HISTÓRIAS


O escritor Joe Simon, juntamente como desenhista Jack Kirby, foi o responsável por criar um dos personagens de maior sucesso na Era de Ouro dos Quadrinhos: o Capitão América. Na ocasião, era o editor da empresa onde isso aconteceu, a Timely Comics. Na verdade, o primeiro editor dessa pequena empresa que, décadas depois, seria conhecida como... Marvel.

Simon e Kirby ficaram por um período relativamente pequeno na revista do Capitão América. A Editora Abril publicou essa fase inicial em no especial Capitão América - As Primeiras Histórias, onde podemos ler histórias curtas do personagem, mas com uma dinâmica surpreendente onde a ação era bem desenvolvida em poucas páginas.

CAPITÃO AMÉRICA AS PRIMEIRAS HISTÓRIAS
1992
Editora Abril / Marvel Comics


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO
: 98 páginas coloridas, formato 17 x 26 cm, lombada quadrada

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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

ÁLBUM GIGANTE 1969


Joe Simon e Jack Kirby se conheceram na Fox Feature Syndicate e fariam uma parceria criativa que duraria cerca de uma década e meia. Entre os mais notórios resultados dessa parceria está a criação do Capitão América. O estilo de Kirby, naquela época, era bem diferente do que ele viria a ter nas décadas seguintes, estilo esse que já chegaria "amadurecido" quando de sua vital participação nos alicerces do que hoje conhecemos como Universo Marvel e que ajudaria a popularizar os principais personagens da editora. Entre os muitos personagens em que trabalhou, Thor foi um dos que ficou por um bom tempo no título.

No Brasil, o Álbum Gigante apresentava as histórias do Poderoso Thor, trazendo em destaque esse título, com o nome do personagem, a ponto alguns colecionadores chamarem a revista por esse nome. De fato, o quarto volume do Álbum Gigante foi quase que totalmente dedicado ao Thor de Jack Kirby, trazendo histórias clássicas publicadas em preto e branco.

ÁLBUM GIGANTE - O PODEROSO THOR
1969
Ebal / Marvel Comics


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 36 páginas, sendo internas em preto e branco, formato 18 x 26 cm, lombada canoa

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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

BATMAN EDITORA ABRIL 1984 E 1985



Os desenhistas que trabalham com quadrinhos costumam iniciar um trabalho com um esboço, passando para um maior detalhamento a lápis e, depois, finalizando com nanquim, com um bico-de-pena ou pincel. Costumam também utilizar uma mesa de luz para criar essa versão já com tinta. Alguns artistas, como Brian Bolland, por exemplo, também utilizam recursos computadorizados para prever o resultado físico de um trabalho. Ademais, hoje os quadrinhos estão fortemente ligados à mídia digital, como os webcomics e quadrinhos pensado para dispositivos móveis.

O detalhista e meticuloso Brian Bolland teve seu primeiro trabalho de destaque no Brasil com a série Camelot 3000, publicado em série, dentro da revista do Batman, quando esta era publicada pela Editora Abril.

BATMAN
1984 / 1985
Editora Abril / DC Comics


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 84 páginas coloridas, formato 13,5 x 19 cm, lombada quadrada

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terça-feira, 30 de outubro de 2018

ALMANAQUE MARVEL RGE 1980

A Marvel Comics tem entre seus super-heróis mais famosos Homem-Aranha, Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Wolverine, Hulk, Demolidor, Motoqueiro Fantasma, Deadpool, Doutor Estranho, Pantera Negra, Justiceiro, os Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Guardiões da Galáxia, Doutor Destino, Caveira Vermelha, Duende Verde, Thanos, Ultron, Doutor Octopus, Magneto, Venom, Loki, entre muitos outros. A realidade onde os personagens agem e interagem é conhecida como Universo Marvel, onde uma das suas características é haver poucos locais fictícios, sendo eles "espelhos" de cidades do mundo real (com grande concentração das histórias e personagens na cidade de Nova York).

Muitas revistas brasileiras que publicaram o Universo Marvel eram um "mix" de vários personagens, diferentes dos títulos próprios onde personagens mais populares protagonizavam e davam título próprio a revista. Uma dessas revistas com personagens diversos era o Almanaque Marvel, publicado pela Rio Gráfica Editora. De fato, era uma época em que a Marvel estava dividida entre a RGE e a Editora Abril. Por sua vez, o Almanaque Marvel contava com um elenco de personagens menos populares como, por exemplo... X-Men! Sim, nessa época, apesar de já começar contar com grande prestígio entre os leitores, os mutantes não eram lá a linha de frente da Marvel no Brasil, pois não contavam com uma mídia alternativa onde fossem apresentados (desenhos animados e séries televisivas, por exemplo). Mas no Almanaque Marvel já era o trampolim de uma gloriosa fase vindoura, sendo aqui já escrita por Chris Claremont e desenhada pelo saudoso Dave Cockrum. Uma curiosidade dessa fase é que na versão da RGE, os nomes de alguns personagens não estavam ainda firmados com a alcunha que os conhecemos hoje. Wolverine, por exemplo, era chamado pelo estranho nome de Midget (algo como "anão" ou "baixinho" em inglês).

ALMANAQUE MARVEL
1980
RGE / Marvel Comics


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 100 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada

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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

BATMAN : O CAVALEIRO DAS TREVAS

Em meados da década de 1980, duas séries publicadas pela DC Comics, Batman: O Cavaleiro das Trevas e Watchmen, tiveram um profundo impacto sobre a indústria dos quadrinhos. Sua popularidade, juntamente com a atenção da mídia (atenção que não era tão comum na época) e a aclamação a crítica, combinada com as mudanças sociais da época, levou tudo que fosse tocante a histórias em quadrinhos a um patamar consideravelmente mais sombrio. Essa era mais sinistra teve profunda repercussão no que viria nos anos seguintes.

Para se ter uma ideia, apesar de, nos quadrinhos, Batman já ter bons exemplos de histórias que o tiravam daquela imagem de herói bonachão e demasiadamente sorridente, a verdade é que o público em geral ainda trazia essa imagem mais carismática do herói (ainda um longo reflexo da série camp dos anos 60, que escancarou esse lado de vez para o mundo). O escritor de Cavaleiro das Trevas, Frank Miller, espelhou sua própria crise de meia idade ao mostrar um herói em uma realidade diferente da que o vemos costumeiramente, mais velho, amargo, instável e com uma violência muito maior do que a que todos estavam acostumados a ver. Surpreendeu a todos como um belo chute no queixo (Superman que o diga...).

Batman: O Cavaleiro das Trevas já teve várias reedições no Brasil, sendo publicado pela primeira vez em 1987 pela Editora Abril, em uma minissérie em quatro partes.

BATMAN : O CAVALEIRO DAS TREVAS 01 ao 04
1987
Editora Abril / DC Comics


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 48 páginas coloridas, formato 17 x 26 cm, lombada quadrada

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sábado, 27 de outubro de 2018

ALMANAQUE DO CASCÃO 1983 / 1984



Ao contrário do que muitos podem pensar, Cascão é... louro! Sim, louro! Na verdade, muitos acham que seus cabelos são escuros, mas essa aparência se dá por conta da sujeira. E mais uma peculiaridade de seus cabelos é a forma como eles são... "carimbados" ao invés de desenhados. A técnica, criada pelo arte finalista Sérgio Tiburcio Graciano, consiste e manchar próprio dedo em tinta e "carimbar" a folha com a própria digital, formando o cabelo do personagem. Essa técnica, uma verdadeira "arte digital" é utilizada até os dias de hoje nas histórias com o personagem.

ALMANAQUE DO CASCÃO - EDITORA ABRIL - 100 PÁGINAS
1983 E 1984
Editora Abril / Mauricio de Sousa


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 100 páginas coloridas, formato 13,5 x 19 cm, lombada quadrada

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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

ALMANAQUE DO CASCÃO 1979


Cascão nasceu em 1961, baseado nas recordações de infância do próprio Mauricio, em um garoto que brincava na rua, em Mogi das Cruzes (interior de São Paulo), com o irmão do desenhista. Mauricio conta que, no início, teve receio da reação do público, pois temia que os leitores não gostasse deste personagem com “mania de sujeira”. A aceitação, entretanto, foi imediata e a popularidade cresceu tanto que, desde agosto de 1982, Cascão tem sua própria revista.

ALMANAQUE DO CASCÃO 02
1979
Editora Abril / Mauricio de Sousa

APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada

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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

ALMANAQUE DO ÁGUIA NEGRA 1967

Águia Negra foi publicado com popularidade no Brasil entre as décadas de 1950 e 1960. E, além das similaridades originais com o personagem Fantasmas, de Lee Falk, o herói trazia uma mesma similaridade gráfica em relação ao espírito que anda... em relação a suas publicações no Brasil. O Fantasma, aqui no Brasil, tinha a característica exclusiva de, durante muito tempo, ter sua cor original alterada, ficando conhecida a "versão brasileira" com o uniforme vermelho. Pois bem... o Águia Negra original (Sir Falcon em sua versão australiana) tinha um uniforme mais claro, quase um cavaleiro branco e nada de negro. No Brasil, esse uniforme trazia tons mais escuros e sombrios, dando sentido ao nome escolhido por aqui e um aspecto mais justiceiro para o personagem.

ALMANAQUE DO ÁGUIA NEGRA
1967
RGE / Frew Publications


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 100 páginas, sendo internas em preto e branco, formato 17 x 26 cm, lombada quadrada

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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

ALMANAQUE DO ÁGUIA NEGRA 1957


 Águia Negra pode ser considerado uma espécie de versão australiana do Fantasma, personagem de Lee Falk. Criado por Peter Chapman, em 1954, o herói é um nobre que veste o brasão de sua linhagem para vingar a morte de sua família na Idade Média. O manto de herói é passado de pai para filho durante os séculos seguintes, criando o mito de que Águia Negra é imortal. Como perceberam, uma versão do Fantasma...

Suas histórias eram publicadas originalmente pela editora australiana Frew Publications que, adivinhem, publicava as histórias do Fantasma na Austrália.

ALMANAQUE DO ÁGUIA NEGRA
1957 E 1967
RGE / Frew Publications

APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 100 páginas, sendo internas em preto e branco, formato 17 x 26 cm, lombada quadrada

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terça-feira, 23 de outubro de 2018

ALMANAQUE DO ZERO 1974

O Recruta Zero foi criado pelo cartunista Mort Walker em Setembro de 1950. Suas desventuras se passam em um posto fictício do Exército dos Estados Unidos. Walker, que faleceu em 2018, aos 94 anos, produziu as histórias do personagem até pouco tempo antes de sua morte, tornando assim um dos quadrinhos com mais tempo sendo publicado pelo próprio autor. Ainda que fosse auxiliado por outros desenhistas, é também notório que a família do autor esteve envolvida na produção, como seus filhos Neal, Brian e Greg Walker. E, mantendo este mesmo legado, após o falecimento de Walker, sua neta, Janie Walker-Yates começou a ilustrar o personagem juntamente ao marido, Mike Yates.

ALMANAQUE DO ZERO
1974
RGE / King Features Syndicate


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 6 páginas coloridas, formato 17 x 26 cm, lombada canoa

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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

ALMANAQUE DISNEY 1988 / 1998


Em alguns anos entre 2002 e 2013, a Forbes, uma das maiores revistas especializadas em finanças do mundo, divulgou uma lista chamada "The Fictional 15". Acostumada a listar os maiores bilionários do mundo anualmente, a publicação se dedicou também a elencar as 15 personagens mais ricas de desenhos animados, videogames, séries de TV, filmes e outras produções fictícias.

O vencedor foi o Tio Patinhas, "o pato mais rico do mundo",  protagoniza revistas em quadrinhos, desenhos animados e filmes. Na estimativa feita pela Forbes, o pato tinha uma fortuna avaliada em 44,1 bilhões de dólares vindos da extração de minérios. O perfil do "bilionário" na revista destaca a sua fama de pão-duro (tendo viajado no tempo só para usar um cupom promocional que já havia vencido e lutando por um pote de mel de 2 dólares) e seus exercícios em uma piscina de ouro.

Tio Patinhas é uma das estrelas do Almanaque Disney, título que publicava histórias de praticamente todos os seus personagens, com foco em franquias que iam dos desenhos de curta e longa metragem, além dos filmes produzidos pelos estúdios.

ALMANAQUE DISNEY
1988 / 1998
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada

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domingo, 21 de outubro de 2018

ALMANAQUE DISNEY 1977 / 1988



No início dos anos 30, o grupo Walt Disney começou a produzir desenhos animados inspirados em contos infantis. As chamadas Silly Simphonies alcançaram tamanho sucesso que acabaram virando tirinhas publicadas no suplemento de domingo de alguns jornais da época. Ao fazer a quadrinização de uma delas, "A Galinha Sábia", o cartunista Al Tagliaferro se encantou por um dos personagens, o Pato Donald. Era o início da meteórica carreira de sucesso e popularidade do personagem.

O Pato Donald é uma das estrelas do Almanaque Disney, título que publicava histórias de praticamente todos os seus personagens, com foco em franquias que iam dos desenhos de curta e longa metragem, além dos filmes produzidos pelos estúdios.

ALMANAQUE DISNEY
1977 / 1988
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada

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sábado, 20 de outubro de 2018

ALMANAQUE DISNEY 1975

00-Zéro (0.0. Duck, no original), foi criado por Dick Kinney (criador do Peninha, do Urtigão e o escritor que criou a lendária cena das Cataratas do Niágara, no desenho animado do Pica Pau) e Al Hubbard (que, junto a Kinney, também é criador do Peninha e Urtigão, além de ter trabalhado como animador de longas metragens da Disney como Pinóquio, Bambi e Dumbo), para a Disney, em 1966. O personagem é uma mistura de James Bond com visual que muito lembra o Inspetor Closeau (de A Pantera Cor de Rosa) e uma clara sátira aos filmes de espionagem, gênero que estava no auge na década de sua criação.

As aventuras de 00-Zéro tiveram seu espaço no Almanaque Disney, título que publicava histórias de praticamente todos os seus personagens, com foco em franquias que iam dos desenhos de curta e longa metragem, além dos filmes produzidos pelos estúdios.

ALMANAQUE DISNEY
1975
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

ALMANAQUE DISNEY 1974

Que tal descobrir quais são os nomes de alguns personagens que contracenam com o ratinho mais ilustre dos desenhos? A Minnie, por exemplo, se chama é Minerva Mouse, enquanto que o nome completo do Pato Donald é Donald Fauntleroy. Já o nome original do Pateta (ou Goofy, no idioma original) é Dippy Dwag, e o da Margarida, bem, é Margarida mesmo — embora em inglês ela seja chamada Daisy Duck.

Todos eles figuravam no Almanaque Disney, título que publicava histórias de praticamente todos os seus personagens, com foco em franquias que iam dos desenhos de curta e longa metragem, além dos filmes produzidos pelos estúdios.

ALMANAQUE DISNEY
1974
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada

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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

ALMANAQUE DISNEY 1973



O "Superpateta"... Foi criado em 1965 por Del Connell & Paul Murry, e é o alter-ego super-heróico do "Pateta": Que ganha superpoderes (super-força, raios laser, poder de voo, etc) - parodiando o "Superman" - ao ingerir amendoins especiais numa plantação em seu quintal. O efeito dos poderes dura pouco, e o "Pateta" precisa carregar consigo uma reserva de amendoins (pra não perder seus poderes durante um voo, por exemplo). Claro, que os amendoins acabam rápido: Deixando o Pateta na mão (e em situações constrangedoras) o tempo todo!

A popularidade dessa outra identidade do Pateta forçou os autores a adaptarem rápido para o formato como ele ficou conhecido. No mesmo ano de sua origem, foram três remodelações da ideia original. Primeiramente, era pra ser apenas uma história onde Pateta imaginava ter superpoderes para enfrentar o Mancha Negra. Com o sucesso da história, os autores resolveram voltar ao tema, fazendo com que o Professor Pardal lhe desse superpoderes de forma artificial, através de uma capa especial. Sua versão definitiva surgiria já na terceira história, onde ele encontra amendoins irradiados por um meteorito e que, quando consumidos, lhe concediam poderes especiais.

Foi uma das estrelas do Almanaque Disney, título que publicava histórias de praticamente todos os seus personagens, com foco em franquias que iam dos desenhos de curta e longa metragem, além dos filmes produzidos pelos estúdios.

ALMANAQUE DISNEY
1973
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada


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ALMANAQUE DISNEY 1972

Voltaremos o mais breve possível com nossos artigos da Gibiteca Âmago e, possivelmente, com os aclamados DIÁRIOS. Enquanto isso, para que possamos tornar isso cada vez mais viável, vamos captar recursos através da loja oficial do blog, a Sala de Perigo, com anúncios que, notem, também são acompanhados sempre de micro curiosidades.

A partir da oitava edição, Almanaque Disney, que surgiu como uma espécie de spinoff da revista do Tio Patinha, ganhou sua independência e passou a ser publicada mensalmente.

O Almanaque Disney publicava histórias de praticamente todos os seus personagens, com foco em franquias que iam dos desenhos de curta e longa metragem, além dos filmes produzidos pelo estúdios, em adaptações com um traço mais sério. Além desse atrativo, trazia também atividades e curiosidades gerais, como a série Maravilhas da natureza.


ALMANAQUE DISNEY
1972
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada


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sábado, 25 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 06: ACTION COMICS 01 (Junho de 1938) SUPERMAN



Após a saída de Malcolm Wheeler-Nicholson de sua empresa, a National Allied Publications, a mesma foi comprada em um leilão de falência e fundida com a recém-formada Detective Comics, Inc. (formada com o próprio Malcolm e Jack S Liebowitz, contador de seu credor), passando a se chamar National Comics Publications. Após incorporar seu próprio sistema de distribuição, passaria a ser conhecida como National Periodical Publications. Mas o próximo passo, já sem seu fundador, foi a criação da quarta revista do grupo, a Action Comics, que criou um arquétipo predominante até os dias de hoje nos quadrinhos: o gênero dos super-heróis, estreado pelo então novo personagem conhecido como... Superman. A importância desse evento editorial marca, inclusive, o início do que é conhecido como a Era de Ouro dos Quadrinhos.

Os criadores do Superman, os jovens Jerry Siegel e Joe Shuster, haviam concebido o personagem anos antes, sem sucesso em encontrar quem o publicasse. Porém, nesse período que antecede a Action Comics, o personagem conhecido como Superman era bem diferente do que conhecemos. Sequer era um herói. Careca, em um visual de cientista louco, com poderes mentais, adquiridos após um nefasto experimento, usados para o mal, Superman (aqui como um vadio conhecido como Bill Dunn) mais parecia com um Lex Luthor do que com um super-herói. Como não estava dando certo a publicação do personagem dessa forma, viraram o conceito do avesso e decidiram transformar Superman em uma força do bem ao invés de uma força do mal.

O novo material seria destinado (e assim foi produzido) para o formato de tiras de jornais. Chegaram muito perto de conseguir espaço para publicar o novo personagem, mas ou havia desinteresse por parte dos editores ou o simples acaso parecia conspirar para que o herói não viesse ao mundo. A editora Consolidated Book Publisher chegou a ser um desses espaços, não tivesse abandonado o mercado de quadrinhos devido ao pouco sucesso de sua única revista, Detective Dan. A péssima fase da dupla de criadores chegou ao ponto de quase findar com a amizade entre eles. Siegel julgava que o fato de serem tão jovens e desconhecidos era motivo para que não atraíssem um editor. Com isso, procurou outros parceiros como o desenhista Leo O'Meallia (que já conhecia alguns meios para publicar novas histórias em tiras de jornais... o que não vingou) e Russell Keaton (desenhista de Buck Rogers, que também tentou com outro sindicato de jornais... sem sucesso). Nesse ínterim, entre um desenhista e outro, Siegel começou a desenvolver detalhes do personagem para torná-lo mais aceitável. Mostrado como um homem do futuro, onde a humanidade tem superpoderes, foi nessa fase que desenvolveu suas capacidades, até chegar a mostrá-lo como um ser superpoderoso adotado e até mesmo a criar o nome Clark Kent.

Mas e Joe Shuster, seu notório amigo e parceiro desenhista? Como reagiu a essa "troca" na equipe criativa? Bom... se ele soubesse o que o amigo estava tentando... E pior que soube. E a amizade, nessa hora, se viu ameaçada. A "traição" causou a fúria de Shuster, que destruiu boa parte do material original de seu novo personagem. Bem... a amizade foi mantida e o plano desesperado de Siegel foi descartado, enfim. Ao fazerem as pazes, desenvolveram mais detalhes, como o fato do personagem ser um alienígena do planeta Krypton, um uniforme vistoso (apesar de bem primário e diferente do que conhecemos hoje) e o estranho triângulo amoroso entre Clark, Lois e o próprio Superman. Esse desenvolvimento também se deve a muito material que inspirou a dupla na criação do personagem. Temos então material como o personagem John Carter (de Edgar Rice Burroughs), a personalidade heroico-aventureira do ator Douglas Fairbanks (que interpretou ícones como Zorro - de onde surgiu a dupla personalidade - e Robin Hood), a cidade de Metropolis inspirada pelo filme de mesmo nome dirigido por Fritz Lang, o ar abobalhado do comediante Harold Lloyd para compor a personalidade igualmente (ou até mais) abobalhada de Clark Kent. O fato de o personagem ser um repórter veio de sonhos profissionais de Siegel e até mesmo o triângulo amoroso vem de sua vivência pessoal, já que, jovem, tinha lá seus "problemas" (timidez) junto às garotas. Visualmente, Shuster, que procurava material para desenvolver sua arte, acaba se tornando fã de fisiculturistas, o que o levou aqueles homens fortes que se apresentavam em circos, influenciando assim o visual do super-herói. Ainda tendo o circo como inspiração, ainda utilizou elementos que lembram aqueles "homens voadores" que se apresentavam ao público vestindo uma capa, antes do show. Há ainda toques futuristas de Flash Gordon. O semblante do personagem é um misto de Johnny Weissmuller (um dos mais notórios atores a interpretarem Tarzan) e Dick Tracy. O Planeta Diário não se chamava assim na primeira história, mas era Estrela Diária, referência ao jornal Toronto Daily Star, do qual os pais de Shuster eram assinantes e ele até trabalhou como entregador do mesmo. O fato de a dupla ter como ponto em comum serem filhos de imigrantes judeus também pode ser um ponto de influência na criação do personagem. Alguns estudiosos veem isso como uma alusão de um imigrante (alienígena) vindo de uma terra e cultura diferentes (Krypton) e tenta se encaixar em um novo mundo (Terra) e costumes ao qual quer se adaptar, ainda que prevaleça sua crença em seus bons princípios.

Siegel e Shuster começaram a produzir histórias para Malcolm Wheeler-Nicholson, mas não especificamente o seu Superman. Até chegaram a oferecer, mas a má fama empresarial do editor e... bem... os calotes em pagamentos que lhes eram devidos os fez recuar, limitando-se a continuar com os personagens que já estavam produzindo para ele anteriormente (entre eles, o Doutor Oculto). Afinal, naqueles tempos de crise, era melhor pingar do que faltar...

Como já haviam feito um trabalho satisfatório dentro da revista Detective Comics, foram convidados a contribuir com a nova Action Comics (sob a chefia de Jack Liebowitz, já longe dos calotes de Wheeler-Nicholson). Inicialmente, os jovens não planejavam apresentar Superman, ainda porque já tinham outra pessoa em vista para apresentar o material para jornais: Max Gaines, que seria um nome reconhecido por seu trabalho com a EC Comics. Mas Gaines não tinha boas notícias e, novamente, a investida não vingou. Ironicamente, Gaines sugeriu apresentar o material para Liebowitz que, surpresa, aceitou o material. Montaram os quadros com a nova história do novo Superman, originalmente esquematizada para serem várias tiras, de forma a se encaixar em um formato de revista em quadrinhos. O único senão é que, até mesmo devido ao cansaço da dupla em bater a cabeça para publicar seu personagem, acabaram cedendo os direitos autorais logo de cara. Em matéria de arrependimento isso não ficaria claro tão cedo, apesar da revista Action Comics se mostrar um sucesso de vendas e, posteriormente, Superman mostrar-se o detalhe que explicasse esse sucesso. O próprio Leibowitz registrou o logo do peito do personagem no mesmo ano de sua estreia. O contrato assinado por Siegel e Shuster dizia algo como:

"Eu, abaixo assinado, artista e autor, trabalho na tira intitulada SUPERMAN. Tendo em consideração os $ 130,00 que me foram pagos, venho por meio deste, transferir a venda da tira anexada, de boa vontade, o uso exclusivo de personagens e histórias nela contida para os cessionarios, e concordo serem sua propriedade exclusiva, bem como concordo não empregar os ditos personagens ou seus nomes sob quaisquer outros nomes a qualquer tempo, para qualquer outra empresa ou corporação, ou permitir o uso dos mesmos ou outras partes sem obter o consentimento por escrito. Dou-lhe direito exclusivo da utilização dos personagens e histórias, exclusivamente. Recebo a soma acima em dinheiro.
(03 de março de 1938)"

Já na primeira história do Superman, publicada em 18 de Abril de 1938 (com data de capa em Junho), conhecemos também a personagem coadjuvante mais importante em sua mitologia, a repórter Lois Lane. A personagem foi baseada por Shuster na modelo Joanne Carter, contratada justamente pelo desenhista para servir de base para a criação da personagem. Joanne, vejam só, acabou se casando com o amigo, Jerry Siegel. Tudo em família... O fato de Lois sempre ser enganada por Clark quanto a sua identidade secreta (Clark força ao se mostrar um covarde, enquanto como Superman meio que a esnoba... apesar de também ter sentimentos por ela) era um dos charmes da série de história ao qual Jerry Siegel não abria a mão. Até há histórias em que ela chega perto da verdade, mas o escritor preferia manter esse "jogo sedutor" insolúvel como clima da série.

Esse primeiro Superman trazia diferenças, conceituais inclusive, que ainda seriam desenvolvidas com o passar dos tempos. A revista não perde muito tempo em desenvolver sua origem, dando apenas uma página para dar uma pincelada nesse item e dar uma ideia de seus incríveis poderes (há até uma nota de curiosidade, mostrando que existem animais no mundo real com superpoderes, como as formigas, que conseguem levantar pesos maiores que o seu próprio, e os gafanhotos, que conseguem saltar a distância proporcional a quarteirões, quando comparados a humanos). Apesar do herói já se apresentar em plena ação em favor de motivações nobres (provar a inocência de uma mulher condenada à morte, dar um safanão em um homem que espanca a esposa, capturar um lobista que propaga a corrupção com um senador americano), seu modo de agir é um tanto quanto... inconsequente. Sádico até. Ele mostra se divertir ao invadir propriedades, jogar pessoas contra paredes ou assustá-las carregando-as correndo por fios elétricos. A icônica cena do carro levantado e sendo esmagado por ele na capa, na verdade é uma parte da história, onde ele pega o carro de criminosos que raptaram Lois Lane, o levanta e chacoalha, jogando todos pra fora (inclusive Lois Lane, que ainda estava dentro do carro! Dane-se a gentileza e delicadeza!) O personagem não voa, mas utiliza sua superforça para dar grandes saltos que praticamente tem efeito parecido. E é bem interessante como é criada a personalidade forçadamente acovardada de Clark Kent, sendo tão bem "interpretada" que faz com que o leitor realmente sinta raiva do personagem por agir daquela forma, mesmo sabendo da verdade (que dirá da Lois, que não sabe...). Essa primeira história, apesar de muitos acontecimentos, teria continuação no próximo número.

Apesar de apresentado como atração principal, uma vez que se tornou capa da primeira edição, Superman não era a única atração da revista, já que se tratava de uma antologia de histórias, como as publicações anteriores da editora. Juntamente com Superman, eram encontradas histórias do mago Zatara (por Fred Guardineer e futuro pai de Zatanna, enfrentando uma espécie de pirata de trens chamada Tigresa; o personagem era tão parecido com Mandrake que, no lugar do Lothar, tinha um indiano chamado Tong como parceiro); o cowboy Tex Thompson (que futuramente se chamaria Mr. America e Americommando; escrito por Ken Fitch, desenhado por Bernard Baily); Chuck Dawson (por Homer Fleming), um cowboy ao estilo rebelde contra todos; um conto de aventura marítima escrita pelo Capitão Frank Thomas; a série de humor de Estica e Espicha, bem ao estilo de filmes mudos (em relação ao ritmo frenético, pois há balões de fala; escrita e desenhada por Russell Cole); aventuras de Marco Polo (por Sven Elven); nosso conhecido esportista Pep Morgan (escrito por Gardner Fox e desenhado por Fred Guardineer), migrado para a nova revista e atacando no mundo do boxe; Scoop Scanlon, escrito por Will Ely (de Mr Chang), repórter que atua tanto nas investigações que praticamente não dá pra dizer que é imparcial em seu trabalho.

Superman pode não ser considerado por alguns como o primeiro super-herói (O Fantasma e Mandrake, por exemplo, anteriores ao seu surgimento, são provas disso), mas assim é lembrado por ser responsável por popularizar o gênero.

Por ser uma revista de importância histórica, Action Comics foi publicada diversas vezes no Brasil, no que diz respeito a sua principal atração. A história do Superman foi serializada na revista A Gazetinha entre os números 451 e 463, entre 1938 e 1939, pela A Gazeta. Foi apresentada na íntegra (a história do Superman) no Álbum da Gazetinha 02, em 1939, ainda pela A Gazeta. A edição integral, com todas as histórias, foi publicada no Almanaque Nostalgia, em 1975, pela Ebal. A origem do Superman foi apresentada na revista Origens dos Heróis 01, em 1975, pela Ebal. Um "fac-símile" com a história do herói (apesar de ser da revista Action Comics) em 1994, pela Editora Abril. No encadernado Superman Crônicas 01, em 2007, pela Panini. No especial Coleção DC 75 Anos, em 2010, pela Panini. Na terceira e oitava edições da DC Comics - Coleção de Graphic Novels, em 2014 e 2015, pela Eaglemoss. E um Fac-Símile da edição em 2015, pela Eaglemoss.

Você encontra a versão pela DC Comics - Coleção de Graphic Novels na Sala de Perigo, a loja do blog Âmago: https://saladeperigo.loja2.com.br/search_store?q=GB06

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 05: MORE FUN COMICS (Setembro de 1937) PEP MORGAN

A segmentação do público para os quadrinhos sempre foi um fator vital para o sucesso e longevidade de uma publicação. Claro, o autor não escreve para si mesmo, mas para os leitores. E esse "diálogo" tem que ser muito claro na mente não só de quem escreve/desenha, mas também de quem edita.

As revistas da Era de Ouro, no entanto, traziam uma explosiva gama de direcionamento para os mais variados públicos. E isso em uma só revista. Havia aventura, piadas, suspense policial, terror (leve), infantil, humor... Com certeza, ALGUÉM iria comprar a revista não por ela como um todo, mas por uma ou outra história que ganhariam a simpatia do leitor, além da chance de apresentar novos estilos que ele nem sabia ser tão legais.

A série de histórias curtas de Pep Morgan, criadas por Creig Flessel (que trabalharia com o Sandman original e o Cavaleiro Andante), trazia uma segmentação bem peculiar. Claramente, suas histórias eram voltadas para o público que estava no ensino médio, mas, ao contrário de fazer seus leitores sonharem em serem heróis, era um incentivo para algo mais crível, mais possível dentro de seu dia a dia: destacarem-se como atletas e esportistas em sua turma. Isso, com certeza, lhes trariam prestígio em um âmbito muito mais amplo do que se imaginava.

A premissa simples e direta ao ponto era tão certeira que bastava apenas duas páginas para contar as desventuras de Pep. Não tinham muito segredo: era um jovem que se destacava em seu colégio não como atleta de um esporte, mas de várias modalidades. E o desafio era tão somente... ganhar. Claro que pra tornar tudo um pouco mais interessante, vez ou outra o personagem encontrava "vilões" que teimavam em atrapalhar sua prática. Algumas vezes, Pep tinha que recorrer aos punhos para chegar à reta final.

Existiam situações que saiam um pouco dessa fórmula simples. Como na edição 24 da More Fun Comics, onde o herói é abordado por valentões no meio de uma estrada onde está correndo e jogado por um barranco. Não se deixando abalar, Pep simplesmente toma um atalho para voltar à corrida. Consegue, mas não cai no clichê de ser totalmente invencível e recuperar sua posição. Consegue chegar em segundo lugar, tendo como consolação o fato de que essa posição é suficiente para classificar sua equipe.

Pep Morgan ensinava não apenas aos alunos do ensino médio a serem mais atléticos ou vencedores imbatíveis, mas também todos os bons princípios de um digno competidor... inclusive que é mais importante competir do que sempre vencer.

MORE FUN COMICS 24

Publicada pela DC Comics
Setembro de 1937
* "Pep Morgan and the Cross Country Race"
ROTEIRO e ARTE: Creig Flessel
HISTÓRIA CONTÉM: 02 páginas
EDITOR ORIGINAL: Malcolm Wheeler-Nicholson

No Brasil, foi publicada em:
ALMANAQUE DE O LOBINHO 01
Publicada pelo Grande Consórcio Suplemento Nacionais
Dezembro de 1942
* "Pep Morgan nas Corridas Universitárias"
(essa edição ainda trazia histórias de Mickey, Pateta, Mutt e Jeff, a série História dos Heróis de Verdade, Joel Ciclone, Slam Bradley, Batman e Robin, Red Logan, Chicote, Vingador Escarlate, Rádio-Patrulha, Gavião Negro, Speed Saunders, Zatara, Steve Malone, Cesar Roberto, Cliff Crosby, Superman, Três Azes, Americomando, Johnny Trovoada, Sandman, Clip Carson, O Caçador e Capitão Corajoso. Sim, era uma edição especial e bem gordinha: 300 páginas)

domingo, 19 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 04: DETECTIVE COMICS 06 ( Junho a Outubro de 1937 ) SLAM BRADLEY

A revista Detective Comics ficou conhecida por ter sido a publicação onde não só surgiu o Batman, como também de ter sido o título mais longevo do qual o personagem protagonizaria. Mas isso só aconteceu lá pela vigésima sétima edição. Antes de Batman... ou melhor... até mesmo antes de Superman, havia Slam Bradley.

Aventureiro turrão, com ar de galã, que resolvia a maioria dos problemas com os punhos. Tinha como parceiro um homem baixinho e caricato apelidado de Mindinho (caricato a ponto de seu visual ter os traços mais cômicos, em contraste com os traços mais realistas dos outros personagens das histórias de Bradley).

O personagem é uma criação do major Malcolm Wheeler-Nicholson e encomendado para uma jovem dupla muito peculiar: o escritor Jerry Siegel e o desenhista Joe Shuster, ninguém menos que os criadores do Superman... antes de o Superman ser publicado da forma como o conhecemos hoje. Curiosamente, as feições de Slam Bradley lembram muito as do Superman. Apesar de corpulento e muito forte, Bradley não tinha nenhum superpoder. Mas é interessante como ele se assemelha a um Superman sem a capa, servindo como laboratório para que a dupla desenvolvesse o super-herói meses depois.

Slam Bradley surgiu logo na primeira edição da revista Detective Comics e pode-se dizer que foi a principal atração da revista durante um bom tempo, sendo posteriormente eclipsado pelo sucesso de Batman (apesar de suas histórias ainda continuarem sendo publicadas na revista depois da estreia do homem morcego). Sua importância na revista era evidente até mesmo pela quantidade de páginas dedicada a suas histórias, pouco mais de uma dúzia.
Suas histórias, apesar da pancadaria, pegavam um pouco mais leve nos roteiros, o que ficava ainda mais evidente com a presença do alívio cômico de Mindinho. Assemelhava  mais a uma aventura de Mickey e Pateta do que ao clima pulp.

Na sexta edição da Detective Comics, Bradley ajuda um idoso que aparentemente está sendo assaltado e tem sua gratidão ao ser convidado para uma festa em família. Tratava-se de um magnata do México, descobridor de uma mina de ouro em seu país. Mindinho, inicialmente relutante em comparecer a festa, logo muda de ideia ao ver a linda filha do magnata. A empatia da dupla com a família mexicana é imediata e todos se tornam amigos.

Pouco tempo depois, Bradley recebe a notícia de que o magnata foi sequestrado e sua filha lhe pede ajuda. A dupla vai ao México e é Mindinho, com seu jeito atrapalhado, quem acaba topando com os criminosos primeiro. Com seu jeito sempre cômico, acaba inventando que é um gangster americano e está ali no intento de fazer negócios, desbaratando o plano de Bradley. Os criminosos caem na lorota (com um pé atrás) e levam adiante o plano de Mindinho.

Mindinho, fingindo estar mancomunado com os criminosos, conta tudo a Bradley e, juntos, bolam um plano para surpreendê-los. Mindinho combina com o magnata, que está em poder dos criminosos, que ele revele o que querem: a localização da mina. Com isso, ganham tempo para Bradley atacar. Enquanto parte do bando segue para a mina, Bradley invade o cativeiro, dando conta do único vigia. O trio segue para a mina onde uma carga explosiva está posicionada de forma a prender os criminosos. O atrapalhado Mindinho acaba tropeçando no detonador fazendo com que a armadilha funcione afinal.

Apesar de Mindinho ser o alívio cômico, vale lembrar que aqueles eram tempos em que o bom senso imperava de uma forma bem diferente do que conhecemos hoje. Esqueça o politicamente correto! Com um dos criminosos preso entre uma brecha entre as rochas, Mindinho não pensa duas vezes em não apenas socá-lo, como também em arrancar fios de seus bigodes como se fosse mal-me-quer, bem-me-quer.

A fúria do torturado criminoso o faz se soltar das rochas e partir para matar Mindinho, mas este é salvo por Bradley que nocauteia o bandido com um soco. Rosita, a filha do magnata agradece e se despede de Bradley com um beijo, que ela alega ser o prêmio por deixá-la tão feliz. Quando Mindinho reclama o seu beijo, ela diz que... não está tão feliz assim.

Essa história foi publicada no Brasil na revista Mirim 260, pelo Grande Consórcio Suplementos Nacionais, em Dezembro de 1939, com o nome de "Slam Bradley no México".

DETECTIVE COMICS 06
Publicada pela DC Comics
Agosto de 1937

* "In Mexico"
ROTEIRO: Jerry Siegel
DESENHOS: Joe Shuster
HISTÓRIA CONTÉM: 13 páginas
EDITOR ORIGINAL: Malcolm Wheeler-Nicholson

sábado, 18 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 03: DETECTIVE COMICS ( Junho a Outubro de 1937 )

Personagens asiáticos nos pulps e nos quadrinhos dos anos 1930 eram sempre vilões estereotipados. Simples assim. E olha que sequer o mundo tinha passado pela Segunda Guerra Mundial (onde os japoneses seriam os inimigos da vez) ou mesmo nos primórdios da Guerra Fria (onde os chineses seriam o alvo). Claro que os quadrinhos também os mostravam como vilões, já que muito de suas histórias iniciais viriam inspiradas pelos pulps. Porém, há exceções...

O personagem Mr. Chang teve vida curta, mas destacava-se dentro da revista Detective Comics, voltada para histórias protagonizadas por detetives americanos. Chang, ao contrário de mostrar-se devoto da violência e/ou do terrorismo, trazia aquele tipo de personagem oriental calmo, pacífico, filosófico, longe de ser o tipo que, por exemplo, resolveria tudo com golpes de artes marciais (apesar do ar de mistério trazer aquele clima de que o personagem iria explodir em piruetas a qualquer momento).

Foi criado por Ed Winiarski para a revista Detective Comics n° 6, em Agosto de 1937, edição em que o desenhista assinava como Win (curiosidade: entre os nomes que Winiarski assinava, em algumas ocasiões, estava o nome de Fran Miller - sim, sem o "k").

Nessa primeira aventura, o complacente Mr. Chang (já tratado como uma personalidade respeitadíssima no ramo da investigação), é convidado a desvendar o mistério de acidentes onde as vítimas sumiam por um tempo e seus corpos eram encontrados  depois sem sangue.

Confiante e corajoso, Mr. Chang, seguido por um ajudante conhecido por Wu, se coloca como voluntário para sofrer o acidente no lugar misterioso. De fato, ao chegar à fantasmagórica estrada, outro carro, idêntico ao deles, vem em alta velocidade no sentido contrário. Mas tudo não passa de um enorme espelho que reflete o seu próprio automóvel. Quando o motorista tenta desviar ou mesmo para o carro, é abordado por homens que os levam até um cientista louco conhecido como Dr. Hugo Von Grantz, que pretende retirar o sangue das pessoas que captura e injetar uma fórmula que triplicará o tamanho de seus corpos, tornando-os gigantes que lhe servirão fielmente. Bem... como os corpos são encontrados depois, é provável que a loucura deva falhar constantemente. O único suposto sucesso de sua experiência está nos dois homens altos e fortes que o auxiliam capturando as pessoas na estrada.

Mr. Chang e Wu, capturados, resolvem tudo de forma simples: apagam as luzes no esconderijo do vilão e o atacam. Em seguida, trancados em um cômodo do local, conseguem acender um sinalizador, que mostra para os policiais que o auxiliam onde está o vilão. Fim. Tudo resolvido de forma calma, (quase) pacífica e de forma tão organizada que daria tempo até mesmo para se filosofar a respeito.

O personagem traz as características de outro famoso personagem oriental na mesma linha (só que mais conhecido): Charlie Chan. Assim como esse, era um personagem que tentava sair do estereótipo de personagem oriental mas, com isso, acabava saindo ainda mais estereotipado (ou tanto caricatural quanto). Tão estereótipo que era apenas um entre outros tantos nessa mesma linha. ESSE Mr. Chang, inclusive, teve vida curta, com apenas três histórias publicadas na época... e nunca mais foi visto nos quadrinhos. Quem sabe um dia aparece nas páginas das histórias da DC, apesar de tanto tempo sumido. Calma para aguardar, ele tinha de sobra...

DETECTIVE COMICS 06
Publicada pela DC Comics
Agosto de 1937

* "The Mad Scientist"
ROTEIRO e ARTE: Ed Winiarski
HISTÓRIA CONTÉM: 6 páginas
EDITOR ORIGINAL: Malcolm Wheeler-Nicholson

Publicada no Brasil na revista:
MIRIM 260
Dezembro de 1939
Pelo Grande Consórcio Suplementos Nacionais
Título nacional: * "O Cientista"
APRESENTAÇÃO DA EDIÇÃO: 32 páginas

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 02: MORE FUN COMICS 21 A 24 ( Junho a Outubro de 1937 )

A empreitada do Major Malcolm em publicar material original (como vimos no capítulo anterior) começou mesmo com a revista New Fun: The New Comics Magazine, que seria mais conhecida, futuramente, como More Fun Comics. Era um apanhado de várias histórias curtas (dificilmente ultrapassavam meia dúzia de páginas por história), muitas delas serializadas e algumas eram, sim, republicações de tiras... apesar do intento do material original. Além disso, pode ser considerada a primeira revistas do que viria a se tornar a DC Comics.

A revista era uma espécie de almanacão de luxo (para a época) que tinha um conteúdo bem variado no que se refere a estilo de quadrinhos. Trazia tanto histórias infantis, quanto de ficção, passando por charges, faroeste, policial, terror e até mesmo material de conteúdo mais dramático e contemporâneo. O material original, na verdade, era inserido como "complemento" da edição, feito meio que de forma experimental, apesar das intenções de seu editor.

A verdade é que o Major Malcolm Wheeler-Nicholson meio que "herdou" a revista, que antes era editada por Lloyd Jacquet, que fundaria a Funnies, Inc. que já direcionava, também, o esquema de republicar tiras nas novas revistas, mas que também forneceria material original (algo que foi acontecendo aos poucos). Curiosamente, do material que Lloyd Jacquet seria responsável por distribuir, posteriormente, boa parte iria parar para outro título, a Marvel Comics, que, sim, se tornaria a famosa concorrente da DC (não que naquela época isso fosse tão evidente). Em suma, por mero acaso administrativo, Marvel e DC quase surgiram de um mesmo "embrião" editorial em sua gênese.

Uma das curiosas séries publicadas na More Fun Comics foi Johnnie Law, mostrando um policial que é promovido para ser investigador na vizinhança que já policiava. O interessante diferencial aqui é que essa vizinhança mostrava o lado mais pobre de Manhattan, com seus cortiços e destacando sua decadência social mais profunda (uma vez que a crise se abatia pelos Estados Unidos naquela época até mesmo em vizinhanças mais abastadas). Sua primeira aventura (dividida em 4 partes de 4 páginas cada) mostra o recém promovido investigador as voltas com a ameaça de um incendiário doentio que vem botando fogo nos velhos prédios da vizinhança. Detalhes como a dificuldade dos bombeiros em utilizar os hidrantes do local, já que os mesmos eram alvo de vandalismo, e o drama de moradores de rua que eram salvos dos prédios, uma vez que era ali que encontravam abrigo, são recorrentes na série. Inclusive, Johnnie se mostra um personagem que estava longe daquele cenário de pobreza até então. Fica estarrecido com a história de um garoto, salvo por ele de um dos incêndios, só pelo fato de que ele estava dormindo no saguão do prédio incendiado. Para o garoto, isso era uma rotina comum. Vivia de catar papelão e dormia onde dava pra se acomodar. Mas para Johnnie, alguém não ter uma casa para chamar de lar era algo estarrecedor, mesmo sabendo que muitos podiam se encontrar naquela situação. Um contraste interessante e até sensível para uma revista em quadrinhos.

As histórias de Johnnie Law eram escritas por Bill Ely, que também assinava como Will Ely e, na primeira parte, chegou a assinar como Will Georgi (seu verdadeiro nome era William John Ely).

A aventura que mostra Johnnie Law investigando a onde de incêndios, desvendando o mistério de quem é o incendiário, foi publicada no Brasil em Setembro de 1939, na revista Mirim n° 227, do Grande Consórcio Suplementos Nacionais. Edição essa que traria, entre outras, uma história do personagem francês Fantomas.
A versatilidade de Bill Ely ainda iria abrilhantar muitas histórias, passando por vários gêneros, se destacando os de suspense e ficção. Na década de 60, foi responsável por uma série de histórias com o personagem Rip Hunter. Um de seus trabalhos com um clima pulp e de suspense pode ser visto na edição 16 da revista da Legião dos Super-Heróis, da Ebal, onde é mostrado o pesadelo de um homem que deseja que sua monótona vida mude completamente... mas ele descobre que seus desejos atendidos podem ser um tanto quanto aterrorizantes. Essa edição da revista da Legião, você encontra na Sala de Perigo: https://saladeperigo.loja2.com.br/8551499-565001-Legiao-dos-Super-Herois-16

Também estamos em nosso espaço no Mercado Livre: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1086058273-legio-dos-super-herois-16-dc-comics-superboy-_JM
 
 










LEGIÃO DOS SUPER-HERÓIS 16
Publicada pela Ebal
Fevereiro de 1970


* "Feitiço por um dia"
ROTEIRO e ARTE: Bill Ely
EDITOR ORIGINAL: Whitney Ellsworth

E ainda com histórias de:
* LEGIÃO DOS SUPER-HERÓIS (escrita por Jim Shooter, desenhada por Jim Shooter e Pete Constanza)

APRESENTAÇÃO DA EDIÇÃO: 36 páginas, sendo as internas em preto e branco, lombada canoa, formato 17 x 26cm

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 01: DETECTIVE COMICS 01 ( Março de 1937 )

Seis páginas! Meras seis páginas! Era com bem pouco espaço que se contava uma história em quadrinhos na Era de Ouro. E isso se torna ainda mais rápido quando o personagem se chama SPEED Saunders (apelido do detetive Cyrill Saunders).

A história Polícia do Rio foi publicada no primeiro número da revista Detective Comics, a mesma que, alguns anos depois, daria ao mundo um certo... Batman! Mas antes mesmo disso, a revista trazia uma coletânea de histórias de suspense e policiais. O título foi o terceiro de uma nova linha pelo Major Malcolm Wheeler-Nicholson, que já escrevia pulps e... bem... não estava lá passando por um bom período em seus negócios, verdade seja dita.

Após uma ativa carreira militar, o Major Malcolm passou a não apenas fazer críticas contra alguns escalões e bastidores militares (o que lhe rendeu muita dor de cabeça devido a processos), mas também a escrever contos de ficção histórica e militar, utilizando seu conhecimento na área. Com o tempo, enveredou pelo mundo das revistas em quadrinhos (que estava ali, lado a lado com o mundo da literatura pulp), mas estas tinham como regra REpublicar material já publicado como tiras em jornais. Como várias tiras já tinham "dono", Malcolm decide publicar material original próprio. No meio disso, cria as revistas "New Fun: The Big Comic Magazine" (que, além da iniciativa do material original, também tinha um diferencial em seu formato, sendo maior do que as concorrentes, o que justifica o 'Big' de seu nome) e a New Comics, que futuramente se tornaria a Adventure Comics. No meio desse novo negócio, Malcolm decidiu tornar-se ainda mais independente e fundou a empresa National Allied Publications.

Mas as coisas não saíram exatamente como o esperado. Os pontos de venda para onde suas revistas iam começaram a desacreditar em estocar o material. Acreditavam que personagens desconhecidos (afinal, eram novos e originais) teriam mais problemas em cair na popularidade do que as outras revistas, que já republicavam tiras de personagens já conhecidos dos jornais. Isso, junto a problemas em suas finanças pessoais (sua esposa chegava a se desesperar por falta de dinheiro até mesmo para pagar o leite das crianças), começou a tornar sua visionária empreitada em um verdadeiro pesadelo.

Muito endividado, chegou a ser obrigado a aceitar o dono da gráfica, Harry Donenfeld, e seu respectivo contador, Jack S. Liebowitz, como sócios em sua empresa. Foi nesse tempo que surgiu a última revista sob sua gestão, a Detective Comics, nome também pelo qual a empresa passou a ser conhecida. Ironicamente, no futuro, a empresa se popularizaria como DC Comics.

Foi na primeira edição de Detective Comics que foi criado o detetive Speed Saunders, criado por E. C. Stoner. A rápida aventura mostra o personagem como um operativo em uma unidade da Patrulha do Rio, tendo um momento de relaxamento interrompido por um caso de cadáveres de chineses que estão aparecendo no rio. Com permissão de seu chefe, Saunders prefere seguir as investigações sozinho (a figura do detetive durão era um recurso comum nos pulps). Infiltrando-se, chega a trabalhar por semanas como estivador nas docas, até investigar uma suspeita escuna que nunca desembarca sua carga. Apesar do disfarce, o detetive é jogado ao mar pelos que ele julga serem criminosos, mas consegue nadar até um lugar seguro e arrumar um barco com um amigo. Acaba por descobrir um esquema de contrabando de escravos chineses, sendo que os doentes estavam sendo jogados ao mar.

Speed Saunders parece ter um carisma peculiar perante os outros personagens. Além de ousado, é irônico diante de uma situação ao qual sua vida corre risco, seu chefe lhe concede todas as permissões que pede sem questionamento, já aparenta ter certa fama entre os locais e não pestaneja em abordar os vilões sozinho.

Esta história foi publicada no Brasil em Maio de 1937, na primeira edição da revista Mirim, pelo Grande Consórcio Suplementos Nacionais. Essa edição da Mirim era acompanhada por histórias do Sargento King, Manequinho, Raffles, Dona Lindinha, Cazuzinha, Az Drummond, Mandrake, Clifford B. Harmon, Gatinha Princesa, Pinduca, Paulinho e Popeye.