segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 764

Arte de capa por John Romita Jr.

Arte de capa alternativa por Jung-Geun Yoon

- Captain America n° 5 (Maio de 2013)


* "Castaway In Dimension Z - Part 5", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, colorizada por Dean V. White, Lee Loughridge, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 4 ("Náufrago na Dimensão Z - Parte 5"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

A chuva fria pica e morde. Não tão fria quanto a coisa crescendo em seu peito. O vírus de Zola planejando seu golpe. Steve reza para segurá-lo... só por mais algumas horas, para que consigam chegar em casa e conseguir ajuda. Ele nem pode pensar nas consequências caso falhe. Steve faz com que Ian prometa... que ao primeiro sinal de mudança... ele irá apontar a arma pra sua cabeça e matá-lo. Ele não pode permitir que Zola tome conta de seu corpo. Zola tenta fazer com que ele perca o controle... apenas para testar se o garoto irá matar Steve. Mas o herói, por mais dificuldade que encontre, ainda está no controle. De repente, ele vê com o canto do olho. A coisa que ele mais temia na pior hora possível. Fumaça negra quilômetros atrás deles. A escolha mais difícil na pior das horas. Arnim Zola encontrou a tribo.

De volta à tribo, Steve lembra Ian o movimento que praticaram. Formação firme. Manter-se perto. Seguir suas ordens. E fazer cada tiro valer a pena. Os habitantes da tribo são tão família de Ian quanto Steve é. Ian lhe disse certa vez que preferia morrer tentando salvá-los a fugir e viver. O garoto tem um coração. E Steve não pretende falhar com ele. Treinado para ser um guerreiro, mesmo assim ainda é só uma criança. Um criança em perigo por sua causa. Apesar do exército de Zola ser numeroso, Steve ordena que Ian foque em um de cada vez, tomando cuidado com os que estão a sua volta.

Bucky, Nômade... todos os jovens que ele levou a guerra... Não é o mesmo medo. Ian é seu filho. O impulso de defendê-lo o deixa num estado de fúria diferente de tudo que já experimentou. Mas ele não vai morrer hoje. Não chegaram tão longe pra falhar. Algumas criaturas de Zola vestem uniformes parecidos com o do Capitão América. Mas elas não refletem apenas suas roupas... são feitas de seu sangue. Clones mutantes fabricados com uma carga negativa de raios gama. Mais fortes, ferozes... Algo que Steve pode perceber pelas costelas quebradas encravadas em seus pulmões. As criaturas, apesar de seguir Zola, nem suspeitam quem Ian é de verdade.

Obviamente, os heróis estão em menor número. Steve pede para Ian se proteger em outro local. Mas, para isso, teria que tirar os mutantes de sua frente. Steve ouve uma voz raivosa atrás dele... antes de sentir o pontapé em suas costelas. A mulher previu seu movimento... Quase quebrou sua coluna. Ela é mais forte do que aparenta ser. Ele não pode deixá-la acertar outro golpe daqueles. Ela também é muito rápida. Salta antes mesmo de ele começar a atacar. Uma fluidez sem esforço. Um beija-flor lendo seus movimentos antes mesmo dele se mover. Revida sua defesa antes mesmo dele ter tempo de contra atacar. Ela o joga no meio dos mutantes para machucá-lo... fazê-lo sangrar... acabar com ele. Ela é a filha de Zola. E acha que Steve matou seu irmão. Sua ferocidade vem de uma vingança pessoal. Exaltada e letal. Enquanto um mar de garras e dentes o retalha, ele percebe que enfrentá-la é até um conforto. Afinal, se for para morrer ali... pelo menos ela irá cuidar de Ian.

O punho da mulher o atinge com rapidez. Mais três socos certeiros. Movendo-o em meio à imundície. Tudo fica preto. Seu corpo não responde... a espinha inchada por causa do chute. Os gritos dos habitantes do clã ecoam no discurso dela. Tudo que Steve pode fazer agora é esperar. Esperar pelo fim. Ian salta sobre ele e pede para a mulher parar. Ela o reconhece. E o momento em que ela fica estática... é o suficiente para que Ian acerte um golpe em sua garganta. Não chega a ser fatal, mas faz com que ela caia. Ela nada mais é do que um dos experimentos de Zola. Mais uma alma confusa e adulterada. Steve não revida. Não é ele que vai dar sentenças de morte para as crianças com lavagem cerebral de Zola. Ele deixa Ian vigiando-a.

Ele salta sobre os mutantes que usam uma versão de seu uniforme. São mais fortes que ele. Porém, mais lentos. Tem apenas força bruta. Sem treinamento. Steve foca o ataque neles. Depois que forem embora, vai ser mais fácil com os mutantes. De repente... os monstros batem em retirada. Há algo errado. Estavam longe de serem derrotados. O herói logo descobre que não estão fugindo. Foram reconvocados por Zola. O vilão agora está em campo de batalha... e utiliza um novo corpo, mais ameaçador do que o que costumava usar.

Zola, ao atacar, convence Steve de que ele roubou seu filho apenas para expô-lo a essa dimensão devastada. De fato, ele pegou Ian assumindo que fosse o melhor. Mas tirou de Zola a chance de conhecê-lo. Zola ordena que Jet, sua filha, mate o Capitão América, que agora jaz ferido na beira de um penhasco. No entanto, ela se lembra de que ele teve a mesma chance de fazer o mesmo com ela... mas preferiu poupá-la. Enfurecido, Zola dispara contra o herói... fazendo-o cair no abismo.

Steve acorda em uma falha no penhasco. Na verdade, o tagarelante vírus Zola é quem o acorda. Enquanto escala de volta, Zola o lembra de como Steve falhou com Ian... da mesma forma que seu pai falhou com ele no passado. Ao chegar ao topo... Steve vê os habitantes da tribo... mortos. Enquanto o vírus tagarela, Steve retira uma espada do corpo de um dos integrantes do clã... Steve lembra que seu pai deixou as circunstâncias transformá-lo de um homem bom para um homem fraco... Mas ele não é seu pai. Não será corrompido. E nunca vai desistir. Em seguida, crava a espada em seu peito, retirando o vírus Zola.

O herói ainda sobrevive. E parte de sua resistência vem do fato de que jamais dará as costas aqueles que precisam. Precisa se manter sempre de pé. E mesmo que tenha que matar cada maldito monstro daquele lugar... ele irá voltar para seu filho.

Continua...


A+:

* O escritor Rick Remender teve a difícil tarefa de substituir Ed Brubaker nas histórias do Capitão América. Mudança um tanto abrupta, dado o planejamento do que foi chamado de Marvel Now, que mudava as equipes criativas de todas as revistas da editora. Ao invés de cair no erro de tentar continuar a linha que Brubaker firmou para o personagem (afinal foram cerca de oito anos escrevendo o Capitão), Remender preferiu fazer algo diferente, ainda que imitando uma outra fase do personagem. Era retorno do Capitão América envolto em uma ficção científica quase psicodélica, da mesma forma que Jack Kirby fez na década de 70. Esse material de Kirby é, em sua grande maioria, inédito no Brasil. Inclusive ficou inédito também a primeira aparição de um dos vilões mais bizarros criados por Kirby: Arnim Zola.

A homenagem a Kirby não se limitou apenas ao roteiro. John Romita Jr. também fez um trabalho com os desenhos que, em vários momentos, homenageava a psicodelia geométrica do Rei dos Quadrinhos. O resultado, na verdade, causou certa estranheza aos leitores, que chegaram a atribuir certa "pressa" na arte de Romita Jr., o que não é impossível, devido o imediatismo de Marvel Now. 

Remender ainda apresenta um "retcon" onde ficamos conhecendo mais da infância traumática de Steve Rogers. A ideia é tentar montar um paralelo entre o duro aprendizado do garoto que viria a ser o Capitão América, com o desolador cenário em que se encontrava na atual aventura. Mas foi uma "ponte" que não ficou muito clara na primeira parte desse grande arco. Foi quase unânime que ela se tornou desnecessária, aliás. O mais curioso é que enquanto uma história mais realista não agradou os leitores (chegando até mesmo a ser considerada violenta demais), a parte da ficção, com grandiloquentes devaneios de uma dimensão de pesadelos, foi considerada divertida. Leva-se em conta que, apesar do brilhantismo de Jack Kirby na década de 70, essa sua fase com o personagem (onde escrevia e desenhava as histórias) causou certa estranheza entre os leitores da época, levando até mesmo a levantar a questão se ele não estaria ultrapassado. Talvez uma história mais realista, como a infância do personagem, agradasse mais nos anos 70. E, nos dias de hoje, Remender encontra um público exatamente avesso àquele. O gosto do público é algo difícil de entender em algumas ocasiões, algo que os editores, nem com o mais acirrado planejamento, consegue acertar de primeira. Planejamento que o evento Marvel Now, por mais que tenha se esmerado, ainda teve que se render a uma adaptação de mercado imediata. Para agora. Now!

2 comentários:

Anônimo disse...

Tipo.....o Steve tá há 11 anos preso aí e ele ainda usa o uniforme de Cap América? Sério?
Fora q o Zola no peito dele tá parecendo uma camiseta LED muito ruim............


Lisbeth

Marcos Dark disse...

Pra você ver que ISSO SIM é vestir a bandeira!