sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 761

Arte de capa por John Romita Jr.

Arte de capa alternativa por Julian Totino Tedesco
 - Captain America n° 2 (Fevereiro de 2013)

* "Castaway In Dimension Z - Part 2", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, colorizada por Dean V. White, Lee Loughridge e Dan Brown, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 2 ("Náufrago na Dimensão Z - Parte 2"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

Rua Essex, Manhattan, 1926.

O jovem Steve Rogers vende jornais a quatro centavos. Ainda assim ele é atormentado pelos garotos mais velhos. É o que prova a pedrada que atinge sua cabeça. Pouco tempo antes, ele perdeu seu pai, que bebeu até morrer. Hutch, o líder da gangue local, cita que, já que a mãe de Steve está sem marido, ele poderia mantê-la quentinha. Apesar de ser respeitado, Hutch é alertado pelos outros dois garotos da gangue. Mães são sagradas até mesmo para o Código das Ruas. Comentários daquele tipo podem ser baixos até mesmo para os pequenos marginais.

Steve, ainda no chão, leva um pontapé no estômago. Hutch volta a citar que poderia muito bem ser seu novo pai. Beber a noite toda e vadiar por aí com outras damas... como o pai de Steve fazia. Ainda chorando, Steve vê a gangue de Hutch levando sua pilha de jornais.

Ao chegar em casa, com a cabeça ainda sangrando, Steve assusta sua mãe, Sarah. Com lágrimas nos olhos, o garoto se envergonha ao lembrar que falaram "coisas" sobre ela. Coisas sobre seu pai... dizendo que ele era um bêbado e que não era boa gente. Seu avô, o pai de Sarah, que está ajudando-a nesse momento de dificuldades, coloca um compressa na ferida do neto e o conforta, dizendo que aqueles garotos não conheciam seu pai. Ele foi apenas um bom homem... que acabou perdendo a esperança. E um homem que perde a esperança... acaba perdendo tudo.

Hoje.

Provavelmente, um ano depois de ele ter aterrissado nesta estranha dimensão.

Eles estão em um péssimo lugar para montar acampamento, aberto de vários ângulos. Mas o garoto está cansado e tem água. Na verdade, o que sobrou do degelo. O inverno veio rápido e eles tiveram sorte de cairem fora da caverna onde estavam antes da chegada das criaturas. Isso o lembra de que não quer ficar pra conferir outro inverno. Ian não come há dias. Há esperança de se encontrar alguma coisa no deserto, que está cheio de formas de vida estranhas. Lagartos de fumaça, enguias voadoras, formigas vermelhas gigantes com rostos levemente humanoides... e tem muito mais. Os experimentos de Arnim Zola.

Caçar gasta energia e eles precisam conservar a que tem. Uma tempestade de areia está chegando e eles precisam chegar na serra antes dela. O sorriso calmo de Ian... uma lembrança constante... de que está nessa situação por sua causa. Steve garante ao garoto que encontrarão comida amanhã. Deixaram dias difíceis pra trás e mesmo assim Ian nunca vacila. Tem plena confiança de que Steve o irá tirar dessa situação. O ambiente é inóspito em todos os lados. A vida se passa no limite da exaustão e do completo colapso.

Os sóis gêmeos nascerão logo... por mais tempo do que ele gostaria... e nunca no mesmo horizonte. Por isso é impossível marcar o tempo ou a direção através deles. Provavelmente, um ano antes, eles caíram por centenas de quilômetros antes da colisão. Ele estava completamente drogado durante a fuga. Já nem sabe em que direção se encontra aquela estranha metrópole... ou mesmo o túnel que os levará para casa. A prioridade, no entanto, é encontrar Zola e descobrir o que ele injetou em seu peito. Ele tem enxaquecas todos os dias, desde aquele dia. O peito... ainda dolorido... mesmo depois de todo esse tempo. Mas é melhor não ficar pensando nisso. O medo é um luxo ao qual é melhor evitar. Ian conta com sua ajuda.

As noites se tornam o pior naquele estranho local. Quando Ian dorme, e não mais precisa de atenção constante, Steve está praticamente sozinho. É então que sua mente pondera sobre realidades e decisões desagradáveis. O que acontecerá (e está acontecendo) se ele não conseguir encontrar o caminho de casa? Por quanto tempo conseguirão continuar com esse pesadelo? Encalhado. Lutando pra sempre. Onde fica o ponto de partida, afinal. Quantos anos irão se passar até que encontrem algum sinal de esperança? Quando isso irá se tornar demais? Steve olha para a bala que carrega... e pensa na outra forma de partir. Uma forma que não deveria ser considerada.

A última tempestade de areia quase os matou. Agora, eles procuram por proteção contra uma nova tempestade. Caso não encontrem, não irão durar muito. A área de serra é sua melhor esperança. Apesar de estarem longe demais, não há outras opções. Com pouca visibilidade, eles têm que continuar rumando em linha reta. Se forem, mesmo que por alguns metros, na direção errada... estarão perdidos. Presos na tempestade com as coisas ruins que ela pode trazer. 

Parece que toda a física do lugar está desligada. As estrelas nunca apresentam um padrão constante. A gravidade muda da noite pro dia. Oscilações extremas no tempo como pequenos avisos. Não há folga do perigo. Logo à frente, encontram aquilo que aparenta ser vegetação. Outra difícil lição. Apesar da aparência, na verdade são iscas usadas pelas coisas que vivem debaixo da areia. Mas eles precisam continuar. Devagar e quietos. Ian, em seus braços, o aperta forte, lembrando-o do que tem ali embaixo. Um passo em falso e tudo estará perdido. Ângulos infinitos para se observar. Predadores infinitos que evoluíram no próprio ambiente. Eles sabem como caçar. Sabem como explorar a fraqueza de um tropeço em falso em seu território. E estão tão famintos quanto eles. O pior é que tudo é tão desconhecido para Steve quanto no primeiro dia em que ali pousou.

Apesar de andarem cuidadosamente pela vegetação-isca, dois batedores motorizados das tropas de Zola aparecem. A situação se transforma para uma corrida pela sobrevivência... em um campo minado. As regras para sobreviver são as mesmas. Confiar em si mesmo, não pensar duas vezes... e orar. A alternativa é dar meia volta, se render e deixar que levem Ian até onde é seguro. Os batedores não os reconhecem, mas atiram mísseis em sua direção. Eles não estão procurando por prisioneiros... estão procurando por mortes. Com o escudo, o Capitão consegue avariar uma das moto voadoras de uma das criaturas.

Não há garantias de que possa manter Ian seguro se fugirem. Por isso, agora não poderá pegar leve. Os batedores não são humanos. São criaturas construídas geneticamente para o mal. O escudo os protege dos disparos da criatura restante. E, assim que se aproxima, ele se lança contra ela. A cara do monstro amarrotou com o impacto do escudo. Podem ser bestas medonhas, mas seus ossos ainda se quebram. Essa descoberta dá ânimo ao herói para enfrentar a segunda criatura, derrubada anteriormente, que agora se aproxima... com uma espécie de espada de fogo em seus punhos. 

Quando a criatura golpeia com o fogo, é como se fosse calor de napalm. A cota de malha queima sua pele. Ian grita. Não dá pra fugir. O próximo golpe poderá matá-lo. É então que ele faz a última coisa possível para sobreviverem. Golpeia o solo e acorda a coisa debaixo da areia. E foge. Antes que, depois de devorar o batedor, aquela criatura os veja. Esse parece bem maior do que os outros que já viu. Ele pede para Ian correr. E se lembra de ler, certa vez, sobre Hemingway em um safári, encarando um rinoceronte. A chave para a sobrevivência é esperar até que a besta esteja alinhada pra ser acertada a queima-roupa. E só então... atirar. Com isso em mente, e a arma do batedor morto, o Capitão América abate a criatura. Ian continua assustado, seus olhos miram algo atrás dele. Atordoado, o herói só percebe quando a grande maça na mão do que parece ser um soldado, desce sobre ele... e o desacorda.

Assim que acorda, Steve e "seu filho" estão acorrentados em uma espécie de acampamento. Seu cérebro o presenteia com dor extrema assim que desperta. O batedor de Zola também está acorrentado diante deles... bufando pela mandíbula que ele mesmo quebrou com o escudo. Steve tenta acalmar Ian, que está apavorado. Os guerreiros que os capturaram se aproxima. Ele passou incontáveis meses orando para encontrar algum sinal de civilização. E, agora que encontraram, tudo que ele sente... é pavor. 

Mesmo com as pontadas que sente em seu crânio, cada sentido que tem está em alerta... transmitindo a mesma mensagem... eles não estão diante de amigos. Eles são levados para o que parece ser um palácio. Seus captores têm costuras de carne entre suas armaduras bem reforçadas... felizmente, parecem ser pontos de fraqueza. O problema são cajados com cristais brilhantes que parecem extrair suas forças.

Lutar não é uma opção. Conversar talvez seja. Hank Pym colocou um adaptador universal de linguagens nas placas de seu braço... se ele puder ativá-las, talvez consiga se comunicar. Há uma figura central, que parece ser o líder, sentado em um trono e cercado por servas femininas. Apesar da linguagem alienígena, fica claro que ele é a lei. Um tirano nunca é convidativo com forasteiros. Eles são ajoelhados e suas cabeças colocadas em pilares. Steve percebe o que irá acontecer. Pede para Ian não tirar seu olhar dele. Um dos soldados pega seu escudo e se aproxima do batedor. A criatura confirma que serve Zola. Logo em seguida, com o escudo, o batedor é decapitado. Talvez acreditem que ele também trabalhe para Zola. Steve tenta convencê-los de que não está associado ao vilão. Para seu desespero, o soldado com o escudo se aproxima... de Ian. Ao ver colocarem a cabeça do garotinho do pilar sacrificial e o soldado levantar novamente o escudo... Steve só tem tempo de pedir para Ian que ele feche os olhos.

Continua...

2 comentários:

Anônimo disse...

Oiê!!!!
Esses flashbacks/retcon(?) do Steve são desnecessários! Eles viram o filme novo do Homem-Aranha e decidiram dar destaque para os pais do herói? Tipo.....qual o propósito disso?

"São criaturas construídas geneticamente para o mal" Olha só q conveniente....assim fica fácil justificar a matança, né?


Ano passado, essas estórias estavam vendendo?

Beijos
Lisbeth

Marcos Dark disse...

Apesar da estranheza do início, esse arco vendeu bem sim. Mas o mais criticado foi justamente este retcon.

Creio que o Remender pretendia fazer algo do tipo que foi feito com a minissérie do Caveira Vermelha, falando apenas da infância e juventude do personagem. O problema é ter feito isso, no caso do Steve Rogers, no meio de uma história que, convenhamos, era muito fora do contexto fantasioso que se apresentava.

Enfim, os leitores assumiram que foi um arco divertido... ignorando o retcon devidamente.