quarta-feira, 30 de julho de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 727


Arte de Capa por Bryan Hitch









- Captain America : Man Out of Time n° 5 (Maio de 2011)

* "Man Out Of Time - Part 5", história escrita por Mark Waid, desenhada por Jorge Molina, artefinalizada por Karl Kesel, colorizada por Frank D'Armata, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Avante, Vingadores n° 53 ("Um Homem Fora do Seu Tempo - Parte 5"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Rodrigo Barros, editada por Paulo França

Steve Rogers está de volta a 1945. Ele sentia saudades de comer um dos tradicionais hot-dogs. Saudades da mesma forma que os inúmeros soldados que voltaram para casa após a guerra. Acontece que Steve não retornou da Guerra... ele retornou de seu futuro.

Após retirar uma grande quantia de dinheiro de sua conta (cem dólares), Steve liga para o General Simons. Mas ele não está. Peggy também está incomunicável. Em um estádio, durante uma partida de beisebol, ele encontra um homem assistindo o jogo com seu filho em uma área isolada. Era o tratamento dado aos negros na época. Steve se aproxima e o homem diz que já vai sair. Mas Steve insiste para que fiquem. A conversa de Steve com o garoto, incentivando-o quanto ao esporte, incomoda o pai. Ele sabe que aquele é um esporte de brancos. Steve tenta convencer o homem de que, no futuro, essa situação será diferente. Mas se dá conta que esta seria uma conversa absurda.

Passando por um circo, ironicamente ele vê algo familiar nos cartazes que apresenta um trapezista que parece usar uma couraça de ferro, chamado de Nervos de Aço, assim como O Gigante e a Pigmea. Todos lembram seus colegas, os Vingadores. O General Simons finalmente atende a ligação... mas as palavras de Steve não saem.

No século 21, Kang continua seus planos de dominação. Rick Jones estranha que um sinal de seu identicartão esteja vindo da Mansão dos vingadores. Afinal, todos os integrantes do grupo foram capturados pelo vilão. Quem, então, estaria transmitindo da Mansão?

Em uma lanchonete, Steve é encontrado por Noonan, um dos soldados que estava com ele e Bucky em Leipzig. Steve informa que Bucky não sobreviveu. A vida parece ser boa para Noonan no pós-Guerra. Steve desabafa que se sente incomodado por ter deixado amigos dele em uma situação delicada. Falhou com seus amigos. Talvez... da mesma forma que deixou Bucky. Ele diz pra Noonan que, infelizmente, estão muito longe para serem ajudados. Noonan, no entanto, cita um dos jargões do Capitão América: "Sempre existe uma maneira."

Em seu quarto, Steve olha para o identicartão dos Vingadores e se lembra do que Noonan citou. Ele escreve uma mensagem para Rick e utiliza o cartão (que é completamente programável e tem uma bateria permanente) para que dispare esse alarme em determinada data do futuro: o dia em que Kang invadiu aquela época. Ele então esconde o identicartão atrás da foto que recebeu do General Simons.

Rick chega até a Mansão dos Vingadores, procurando pela fonte de emissão dos sinais de alerta. Ele a encontra vindo de uma foto autografada do Capitão América. Era uma mensagem de Steve, pedindo para ele procurar ajuda da única pessoa que poderia alcançá-lo naquele momento.

Pouco tempo depois, um cintilante portal temporal se abre no quarto do Capitão, revelando o Doutor Reed Richards e sua máquina do tempo. Richards leva Rogers para o século 21 e diz para o herói encontrar os Vingadores rapidamente, pois Kang está vencendo.

O Capitão América aproveita que é uma espécie de anacronismo e invade a nave de Kang, encontrando Rick Jones, que tenta tirar seus amigos das celas. Com o escudo, o herói destrói os painéis que controlam a prisão. Dessa vez, o Capitão lidera os Vingadores, fazendo-os agir como uma unidade de ataque, algo que não fizeram anteriormente e os fez perder a batalha. Kang é derrotado e foge para o futuro. Todos concordam que o Capitão deveria ser o comandante da equipe. O herói só pede para que o Homem de Ferro nunca mais o chame por "listras e estrelas".

Após a vitória, Steve visita o Grand Canyon, como Bucky queria.

"Talvez eles só estivessem tentando ser gentis. Ou estavam empolgados com a emoção da vitória. Como as semanas subsequentes provaram, não importa. Depois que comecei a agir como um capitão, finalmente me tornei parte da equipe. Às vezes, tudo que você pode fazer é assumir um papel e ter paciência, enquanto ele se molda ao seu redor. Adaptar-se às circunstâncias é uma habilidade em si. Como o General Patton me disse uma vez, para um bom soldado, não existe algo como território desconhecido. Ou você planeja onde está indo ou torna o terreno seu no segundo em que suas botas tocam o chão. Patton, claro, teve o luxo de marchar rumo ao futuro, um dia de cada vez, mas ele não estava errado. 

É tentador querer viver no passado. É familiar. É reconfortante. Mas é de onde vêm os fósseis. Meu trabalho é tornar o amanhã melhor. Sempre foi. Uma vez, há muito tempo, perguntei ao Bucky qual seria o objetivo do Capitão América fora do combate. Foi uma pergunta boba. Sempre vai existir uma coisa pelo que lutar. E eu sempre serei um soldado."

A+:

* Bela homenagem, escrita por Mark Waid, nos moldes das minisséries Avengers: Earth’s Mightiest Heroes, que contavam os bastidores dos primeiros dias dos Vingadores.  Os bastidores, aqui, são os primeiros dias do Capitão América após ele ter sido descongelado, justamente pelos Vingadores, e sua adaptação aos “novos dias”.

Originalmente, os primeiros dias do Capitão no Universo Marvel “moderno”, em histórias escritas por Stan Lee e desenhadas por Jack Kirby, em 1964, tinham o tom de criticar a modernidade em o que os Estados Unidos estavam, política e culturamente, depois da Segunda Guerra. Era o ponto de vista de alguém vindo de décadas antes sobre o que se tornou o presente. Com exceção de uma ou outra história onde o herói agia como se estivesse feliz por ser um supersoldado, essas histórias mostravam um personagem pessimista e até mesmo saudosista nessa comparação de épocas.  Foi um recurso que funcionou durante um tempo, mas, visto hoje, dá a impressão que o personagem era “reclamão” de mais. Beirando a chatice e até mesmo tornando-o excessivamente ranzinza... durante muito tempo. Nessa minissérie de Mark Waid, esse tom de tristeza e saudade também está presente, porém, de forma amortecida. Mesmo porque, a história durou as cinco edições apenas. 

Há algumas diferenças em comparação a mitologia original do personagem. A mais notável delas está na primeira edição, quando o avião explode e, aparentemente, mata Bucky. Na mitologia original (ainda que um retcon) o vilão Barão Zemo estava envolvido com o lançamento dessa aeronave. Aqui, sequer o vilão é mencionado. Uma ausência estranha que acaba dando a impressão que o avião decolou... sozinho. Porém, Waid se precaveu o suficiente para não citar NINGUÉM como responsável pela tragédia. Exceto, claro, generalizar como os nazistas. Isso dava brecha o suficiente para termos como desculpa que alguém estivesse envolvido na liderança daquela operação. Alguém como o Barão Zemo, por exemplo.

Outra notável diferença é a atualização quanto à história da volta do Capitão América. No original, ele foi resgatado pelos Vingadores nas primeiras aventuras do grupo. Dessa forma, o mundo ao qual o Capitão tinha que se adaptar era da mesma época em que aquela história foi publicada, ou seja, o início da década de 60. Mas não haveria muito sentido em recontar essa história ambientando naquela época. Uma vez que essa minissérie foi publicada originalmente em 2011, seria o mesmo que dizer que o herói voltou há quase cinco décadas! Com isso, cairia por terra dizer que o congelamento o “conservou”, já que o veríamos, finalmente, envelhecido por cerca de cinquenta anos. A solução foi ambientar a mesma história no final dos anos de 90, algo que é visto pelos cenários, roupas e costumes mostrados aqui.

Waid faz uma bela homenagem às raízes da criação do Capitão América ao introduzir o personagem coadjuvante General Jacob Simon, clara homenagem a Jack Kirby (cujo primeiro nome, na verdade, era Jacob) e Joe Simon, criadores originais do personagem na década de 40. Na ocasião, apenas Simon estava vivo, vindo a falecer no final de 2011, aos 98 anos. Inclusive, as feições do personagem em muito lembram o Simon da vida real.

Apesar das mudanças na abordagem do personagem mostrar sua evolução devido à troca de equipes criativas que o trabalharam nos anos seguintes, a minissérie deixa ainda mais verossímil a explicação do porque dessa mudança. De personagem reclamão a verdadeiro soldado que sabe, afinal, que o mais importante é seguir em frente, sem olhar para trás... em qualquer época em que você se encontre.

* A capa da terceira edição faz menção aos doze presidentes americanos desde 1945 até os dias de hoje.

ÂMAGO CLASSIC
( O Diário de Steve Rogers - Parte 24 ) - O dia em que o Capitão América foi reintegrado ao Universo Marvel.

GALERIA:

Heder Silva de Lima, conhecido como Troiano, sempre teve interesse em assuntos relacionados à Segunda Guerra. Então, esse Capitão América em seu traço caiu como uma luva! Prestes a se formar em artes plásticas pela UFRJ, Troiano gosta de desenhar personagens tanto dos comics quanto dos mangás. Já foi colorista de algumas HQs nacionais e ilustrações para revistas (a exemplo da Mundo dos Super-Heróis). Já participou de exposições de quadrinhos na faculdade de comunicação da própria UFRJ. Para conhecer mais sobre sua arte, acesse seu DeviantArt: Troiano Comics

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Sétima parte da série de artigos sobre os Guardiões da Galáxia: A Turma de Peter Quill II: Quem Viver (e não será fácil) Verá

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