sexta-feira, 13 de junho de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 686

 - Captain America 602 (Março de 2010)

* "Two Americas", história escrita por Ed Brubaker, desenhada por Luke Ross, artefinalizada por Butch Guice, colorizada por Dean White, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, em Os Novos Vingadores n° 86 ("Duas Américas"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Jotapê Martins, editada por Paulo França

Uma batida policial nas montanhas Boise, em Idaho, encontra supostos terroristas montando um estranho maquinário dentro de uma casa. Apesar da quantidade de policiais, eles não são páreo para o disparo de energia de um dos homens que opera tal máquina. Mesmo batendo em retirada, os policiais são pegos por alguém que ajuda os terroristas. São pegos pelo Capitão América, que conclama que eles devem seguir com o plano de retomar o país.

Dois dias depois, em uma das bases de Nick Fury, o ex-agente da SHIELD entrega o protótipo do braço de Bucky, que substitui seu braço mecânico com aparência metálica. Fury aproveita para mostrar uma imagem captada em Idaho, onde podem ver um Capitão América discursando para o que parece ser um novo grupo de Cães de Guarda. Como Fury ainda não sabe em que condições Steve se encontra, preferiu passar essa missão para Bucky. Steve está descansando na Virgínia, na casa da família de Sharon Carter, e Bucky também prefere ele mesmo cuidar do caso, além de não querer que seu parceiro veja o lado sombrio de si mesmo: o Capitão América dos anos 50.

William Burnside sempre venerou o Capitão América desde criança. A ponto de se submeter a uma operação plástica que o deixou idêntico a Steve Rogers. Hoje, ele fica enojado com o que a America se tornou. Decadente, desvirtuada, insana. No local onde costumava ser sua casa, foi construído um shopping center, hoje aposentado. Essa não é a América pela qual ele lutava. Ele só se sentiu melhor quando, vestindo o uniforme de Capitão América, conseguiu impedir (violentamente) um assalto. Percebeu que alguns americanos apoiavam aquele tipo de ação. Havia por quem lutar, afinal. Com o tempo descobriu um grupo de americanos dispostos a lutar com todas as suas forças para recuperar velhos costumes. Eles só precisavam de um líder.

Capitão América (Bucky) e Falcão seguem para Idaho para investigar sobre Burnside. Sam lembra que "este" Capitão América é ainda mais forte que Steve... além de estar enlouquecido. Bucky se lembra muito bem disso. A ideia agora é se infiltrar em seu grupo. Falcão já percebe que não irá gostar desse plano. A cidade parece estar alvoroçada, com vários grupos anti-impostos fazendo passeatas. Parece que não são só os Cães de Guarda que estão exigindo mudanças.

Sam entra em um dos bares locais como um fiscal do governo. Ele traz más notícias ao dono do local, alegando que ele ignorou várias petições do governo. Irritado, o dono do bar chega a afirmar que trabalhou duro para que gente "como o agente" (negro) se ache no direito de lhe tomar tudo. Um dos frequentadores se irrita com a cobrança e expulsa Sam do local. Obviamente, o frequentador é Bucky, disfarçado. Logo, dois outros frequentadores querem conversar com ele, pois é o tipo de pessoa que procuram.

Os dois frequentadores que conversaram com Bucky são dois integrantes dos Cães de Guarda. Eles voltam para sua base e informam Burnside que conseguiram mais integrantes pro grupo. Desde ex-soldados até um caminhoneiro (Bucky) casca grossa que conheceram em um bar. Burnside vê as fotos e a do caminhoneiro lhe chama a atenção. Afinal, ele reconhece aquele rosto.

Continua...

A+:

* Uma edição que deu muita dor de cabeça para a Marvel. Não por problemas editoriais (nem sequer era um arco muito complicado, dado que os últimos meses foram focados na volta de Steve Rogers), mas por um gracejo da equipe criativa que acabou dando muito que falar. É muito comum, em cenas onde a história permite colocar mensagens dos "figurantes" das histórias (cartazes, anúncios, muros...) inserir alguma mensagem onde o autor queira mandar um recado ou mesmo fazer graça. Acontece que a cena onde se mostra manifestantes portando cartazes em Idaho, um deles carrega um cartaz onde se lê "Tea bag the libs before they tea bag you".

O lado da brincadeira está no fato de se fazer uma referência a prática sexual conhecida como teabagging onde o homem coloca o saco escrotal no rosto ou boca de sua companhia. Literalmente, uma brincadeira com o... saquinho de chá dele. O tiro, claro, não tinha como não sair pela culatra para a Marvel, que ficou na mira da mídia conservadora. Porém, como se já não fosse confusão o suficiente, não foi exatamente esse sentido do termo que incomodou. O termo também é usado para citar a Boston Tea Party, momento histórico do período colonial dos Estados Unidos no qual se jogou quilos de chá inglês ao mar em protesto contra a Inglaterra. Quando esta história foi publicada, os americanos ainda se lembravam de um protesto semelhante, contra o aumento de impostos, que era uma citação ao Boston Tea Party. Acontece que a Marvel acabou sendo acusada de criticar ou mesmo minar o significado da democrática manifestação. Ainda disseram que era muito ironia utilizar uma história do herói que, supostamente, representava a América para levar os leitores a serem contra a iniciativa.

O escritor Ed Brubaker explicou (e isto, inclusive, está implícito no roteiro) que a intenção era mostrar o que pensavam circuitos distantes do que girava em torno de Nova York, por exemplo. Porém, seu roteiro não continha os dizeres desse cartaz, apesar de não estar fora do contexto do que havia imaginado. O editor Joe Quesada, tendo que se manifestar a respeito, aproveitou para jogar a batata quente para a produção,  afirmando que tiveram que letreirizar as páginas as pressas, o que acabou por inserir uma referência política qualquer (pega da internet) para terminar logo e mandar para a gráfica. Patacoadas a parte, Quesada reforçou que a Marvel não era palanque e que sua linha editorial prezava por respeitar as diferentes opiniões de seus leitores. Admitiu, no entanto, que a responsabilidade recaía sobre ele, uma vez que era o editor-chefe. Como forma de consertar a bagunça, garantiu que as futuras encadernações contendo esta história teriam os dizeres modificados. Porém, isso só causou mais uma guerra. Tanto pela edição original, que virou uma espécie de revista rara e valiosa, já que seriam os únicos exemplares com os dizeres originais, quanto por quem comprou várias delas e vendeu a preços baixíssimos em forma de protesto contra a "brincadeira" da Marvel.

Ufa. Que confusão. Vai um chazinho de camomila pra esfriar os ânimos?

* Depois de três décadas e meia chamando o personagem de "Capitão América dos Anos 50" (ou até mesmo de Grande Diretor), eis que o sósia enlouquecido do herói ganhava um nome: William Burnside. Lembrando que considerá-lo o personagem como sendo o que tinha aventuras nos anos 50 é um mero retcon. Na verdade foi uma desculpa para explicar como Steve Rogers ressurgiu nos anos 60 (nas primeiras edições de Vingadores) sendo que tinha histórias publicadas nos anos 50 (que, para não serem desconsideradas, foram "jogadas" para as ações de Burnside, ou seja, o outro Capitão América, ou seja, o Capitão América dos Anos 50). Já para efeito históricos (e não cronológicos), vale lembrar que Burnside surgiu nos quadrinhos em Captain America n° 153, de 1972, conforme vimos em O Diário de Steve Rogers Parte 153. 

* Essa edição também trazia uma história com a garota que era o Bucky do universo de Heróis Renascem (e veio parar no chamado Universo Marvel 616 - o universo oficial), que agora assumiria a identidade de Nômade. Essas histórias secundárias são inéditas no Brasil.

GALERIA:
Aqui temos o brasileiríssimo (e atual) Doutrinador tendo um pequeno desentendimento com o Capitão América. Seria esse mais um dos incidentes comuns na política intervencionista? Política essa que, até mesmo o próprio Capitão se sente incomodado em ver em seu país de origem? Seria necessário não só o Brasil, mas a América... ser doutrinada?

O Doutrinador é parte de vários trabalhos realizados pelo designer gráfico carioca Luciano Cunha. É um personagem fictício concebido pelo sentimento de indignação do autor com a classe política do país. A desigualdade social extrema e a corrupção em todas as esferas de governo foram o estopim para que esse anti-herói genuinamente brasileiro decidisse fazer justiça com as próprias mãos e ganhasse as ruas.

O Doutrinador é um fenômeno lançado na rede social e o primeiro de muitos novos trabalhos que surgirão adaptados ao universo do personagem.

Para conhecer mais sobre o anti-herói nacional, visite sua página em Leia O Doutrinador

Quadrinho independente brasileiro feito com suor e coragem.

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