sexta-feira, 2 de maio de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 657


 - Captain America: The Chosen 6 (Março de 2008)

* "Multitude", história escrita por David Morrell, desenhada por Mitch Breitweiser, colorizada por Brian Reber, editada originalmente por Andy Schmidt e Alejandro Arbona

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, em Capitão América - A Escolha ("Multiplicidade"), letreirizada por Júlio Nogueira, traduzido por Fernando Bertacchini e editada por Fernando Lopes; e pela Editora Salvat na Coleção Graphic Novel Marvel, editada por Luciana Barrella

Chegou a hora. O presidente dos Estados Unidos chega ao Hospital Militar de Segurança Máxima, em Washington. Eles sabem que o estado do Capitão América chegou a um ponto crítico. Somente os fluídos intravenosos ainda o mantém vivo. O herói apenas murmura palavras, falando com um amigo que não conseguem identificar.

No Afeganistão, sabendo que não irá durar muito, o Capitão América conta ao cabo Newman como ficou doente.

"Dois meses atrás, rastreei uma facção terrorista que se infiltrou no país. Eu os interceptei numa pista de voo clandestina, na periferia de Chicago. Saltei do topo de um armazém... mas quando cheguei ao solo... perdi as forças. Nunca me senti tão exposto. Nem mesmo no início, quando ainda estava aprendendo a usar meus poderes, meu corpo jamais havia fraquejado. Sou um humano. As únicas coisas que me impedem de ser ferido são minha força e velocidade extraordinárias. E meus reflexos superaguçados. E de repente, senti meus poderes se esvaindo. Em seguida, tão rápido quanto havia sumido, minha força voltou. Eu disse a mim mesmo que aquilo tinha sido apenas um incidente isolado. Mas, quatro dias depois, o infortúnio se repetiu. Meu corpo fraquejou novamente. Por sorte, meus reflexos logo ressurgiram. Dali em diante, eu não tinha dúvidas de que ia acontecer de novo."

"Uma junta médica especializada me examinou e me testou de todas as maneiras imagináveis. Eu estava perdendo densidade muscular e não estava processando oxigênio com eficácia. Eles procuravam anomalias no meu sangue. Bactéria, vírus, câncer... algum indício de qualquer doença que eu pudesse ter contraído. No final, chegaram todos a mesma conclusão. Tantos anos após o Projeto Renascimento me tornar o Capitão América, o processo entrou em decadência. Possivelmente, os hormônios e as substâncias químicas experimentais perderam efeito. Ou talvez os efeitos dos raios vita tenham alcançado seu limite. Tudo que sabiam era que minha estrutura celular e metabolismo estavam se revertendo ao estado original. Ainda assim, o prognóstico era muito pior. Talvez tenha sido consequência de uma vida inteira de solidão. De perdas e angústias. Aprendendo a não ter amigos e família, por medo de torná-los alvos e provocar suas mortes. Ou pode ter sido a exaustão... de uma vida... combatendo o mal."

"Desde o meu congelamento, nunca mais me senti o mesmo. Na minha mente, o ano era 1945. Porém, eu estava vivendo décadas após. Tanto tempo perdido, tanta coisa mudou... Amigos morreram, a 2ª Guerra ficou distante no passado, outro conflito ficou distante no passado, outro conflito havia se iniciado e terminado. E a nova ameaça dos Estados Unidos foi batizada de Guerra Fria. Saber da bomba atômica... e de sua ainda mais devastadora irmã. A bomba de hidrogênio... abalou minha mente, o Capitão América se tornara ainda mais necessário, cada vez mais necessário. Talvez o congelamento tenha alterado as propriedades das drogas e hormônios no meu organismo. Ou então os efeitos colaterais finalmente se manifestaram... ou eu mesmo exauri meus dons especiais."

"Voltei a ser frágil, como na minha juventude. Pouco depois, a fragilidade se acentuou, deixando evidente que não se tratava apenas de uma regressão. Eu me tornei vítima de uma implacável falência sistêmica. Disseram-me que eu tinha apenas seis meses. Outro prognóstico errado. Tudo aconteceu em poucas semanas, não meses. Os médicos e cientistas fizeram o máximo possível para reverter minha decadência. Trabalharam freneticamente em busca dos segredos dos compostos químicos e hormônios originais do Projeto Renascimento. Mas fracassaram."

"À medida que minha vida avançava rapidamente rumo ao inevitável, a única coisa que me parecia fazer sentido era ser útil pela última vez. Fui voluntário no experimento da visão remota... A desgastante projeção mental que permite minha comunicação com você."

O Capitão América ainda explica que escolheu o cabo Newman como um de seus substitutos, pois ele tem uma virtude especial. Não a força e agilidade ampliadas, pois isso se perdeu com a morte do Dr Erskine. Mas a virtude que ele carrega e é tão importante... chama-se coragem.

"Eu procurei alguém que se importasse com o futuro... que se preocupasse com os outros. Capaz de compreender que só os covardes viram as costas para deveres honrados... capaz de ficar face a face com o medo, e ainda assim, fazer a coisa certa. Você não é ordinário e não estará sozinho. De fato, nem mesmo o Capitão América pôde concluir o serviço. É descomunal demais. A cada vez que tive a esperança de ter progredido, uma nova versão do mal mostrou sua cara degenerada."

"Não estará sozinho, Jimmy. Combater o ódio exige multiplicidade. Por isso, exauri tão rápido as minhas forças. No país inteiro, há outros homens e mulheres dotados das mesmas virtudes que você. Pessoas decentes, generosas e dispostas a sacrifícios. Algumas já são heroicas, embora nunca pensem em si como heróis ou heroínas. Insistem em afirmar que só cumprem seu dever. Outros desses humanos se consideram ordinários, apesar de desempenharem o trabalho mais heroico e importante do mundo. Tentam arduamente lograr êxito, sem jamais impor nada aquém do que seus maiores esforços pra melhorar vidas alheias."

"Eu selecionei o máximo possível deles, Jimmy. Empenhando as minguadas forças que me restam, me mantenho com eles neste momento, assim como estou com você... e emprego os últimos vestígios da minha determinação pra incentivá-los a perscrutar seus corações e almas... a fim de agregar a generosidade e o voluntarismo que exemplificam o melhor que as pessoas podem ser. Não somos perfeitos. Uma grande nação pode admitir isso. Alguns se recusam a aceitar que nascemos todos iguais. Outros insistem que o egocentrismo é tudo que importa."

"Depois que me resgataram do gelo, o salto temporal me fez notar mudanças radicais. Nossa cultura estava mudando tanto... condutas e palavras impróprias, que na minha época eram absolutamente intoleráveis, tornaram-se corriqueiras. Ganância é coisa boa? Pensar em si mesmo? Não. Vou sacrificar minha vida com satisfação... se servir para que o nosso povo ao menos entenda que qualquer pessoa tem vocação pra ser herói... que todos podem ser Capitães América. Se ajudarmos uns aos outros, se atuarmos juntos..."

De repente, o espectro do Capitão América estanca. Há algo errado. No Hospital, um terrorista infiltrado conseguiu se manter até que o presidente estivesse junto ao moribundo herói. É o momento ideal para atacar. Quando isso acontece, em um último e derradeiro esforço... o herói consegue tirar o presidente de sua frente, dando chance para que a segurança alveje o criminoso. Foi seu último ato.

O cabo Newman ainda ouve a voz do Capitão em sua cabeça. Apesar de agora ser diferente. Sozinho, ele encontra coragem e luz. Luz do dia. Fora da caverna. Uma saída afinal. Porém, quando ele finalmente consegue sair, o destacamento de resgate acaba de partir. Mais que isso. Ainda podendo-os ver, nota que inimigos estão os cercando sem que notem. Sozinho e encontrando forças que ele desconhecia, investe contra os surpresos terroristas.

Pouco depois, o capitão do destacamento agradece a surpreendente ajuda do cabo Newman (que ainda insiste que quem os salvou foi o Capitão América... pois acredita que existe um Capitão América dentro de todos nós). Apesar de reconhecer que odeia locais confinados, ele não perde tempo e se embrenha pela fresta que leva até a caverna... levando a equipe de resgate até seus companheiros.

"Empenhe-se arduamente, busque no fundo do seu coração. Se as pessoas apenas acreditarem que estou dentro delas... jamais morrerei de verdade."

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