quinta-feira, 1 de maio de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 656


 - Captain America: The Chosen 5 (Fevereiro de 2008)

* "The Crucible", história escrita por David Morrell, desenhada por Mitch Breitweiser, colorizada por Brian Reber, editada originalmente por Andy Schmidt e Alejandro Arbona

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, em Capitão América - A Escolha ("Provação"), letreirizada por Júlio Nogueira, traduzido por Fernando Bertacchini e editada por Fernando Lopes; e pela Editora Salvat na Coleção Graphic Novel Marvel, editada por Luciana Barrella

Não há outra saída. A explosão soterrou a entrada da caverna e cerca de cem metros do túnel principal. Nem se houvesse dez vezes mais fuzileiros lá fora, eles conseguiriam abrir caminho até onde o cabo Newman e seus companheiros estão. A estreitíssima passagem à frente de Newman, que mal dá para se rastejar, é a única salvação. O espectro do Capitão América acompanha tudo, porém, ele está apenas na mente do cabo. Se ele ficar preso no túnel... não poderá salvá-lo. Newman pede que, pelo menos, o Capitão continue falando com ele. Se tiver que morrer, não quer morrer se sentindo sozinho. No laboratório onde o corpo do Capitão América está, os cientistas identificam que seu coração está quase parando.

"Quando o Dr. Erskine foi assassinado, me senti como se meu pai tivesse morrido pela segunda vez. Contudo, outras mortes ainda estavam por vir. Os nazistas perceberam que deveriam ter sequestrado, em vez de matar o doutor. Por isso, resolveram raptar o coronel Fletcher, na esperança de que ele também soubesse os segredos do Projeto Renascimento. Fiz o possível para resgatá-lo... Mas não o alcancei a tempo. Ele morreu tentando escapar. De que adiantava ser o Capitão América, se não prestei nem para salvar o coronel?"

"Meu melhor amigo era James Buchanan Barnes. Bucky, como eu o chamava. Foi como um irmão caçula pra mim. Ele morreu numa das nossas missões. E as perdas nunca cessaram. Foram tantos amigos... Tantas pessoas queridas... Que se tornou uma constante na minha vida o medo de perder mais gente... De imaginar quem seria a próxima vítima. Por isso, sempre extrapolei meus limites... pra tentar manter todo mundo a salvo. Até mesmo estranhos... Tantos estranhos dependiam de mim. O país inteiro dependia. Consequentemente, em toda a minha existência, o que eu mais temia era... fracassar."

O cinto do cabo Newman parece ter ficado preso em alguma coisa. Ele está entalado no estreito túnel. E a única pessoa que pode ajudá-lo é ele mesmo. Contorcendo seu corpo, ele consegue passar até uma abertura mais larga. Para seu desespero, o túnel foi interrompido por uma enorme rocha que provavelmente desabou com a explosão. Ele sabe que seus companheiros dependem dele. Ciente disso se esforça ao máximo para empurrar a rocha... e consegue. Porém, a sua frente, está um precipício que parece tão profundo que mal é possível ver o fundo. Sua única chance é saltar. Vencer o medo que se abate sobre ele e saltar. É assim que um herói age. Foi por isso que o Capitão América o escolheu."

"Aquela foi uma brutal violação de segurança. Podia haver assassinos nazistas à espreita em qualquer canto. Ciente de que eu era mortal como qualquer humano. O coronel Fletcher protegeu seu experimento, ordenando que os soldados se escondessem. Em campo aberto, sob o disfarce de um desajeitado soldado raso. Então me juntei aos milhões de jovens que correram pra se alistar logo após o ataque japonês a Pearl Harbor. Porém, mesmo dotado de superpoderes, eu ainda podia ser ferido. Ou assassinado."

"O treinamento foi muito proveitoso. Afinal, minha nova superforça tornou meu corpo estranho pra mim. O exército era o lugar perfeito pra aprender a controlar meus dons. Às vezes, só pra testar essas habilidades, eu saía escondido da base. Mas, quando voltava, ficava tremendo por efeito da adrenalina... e da certeza de que poderia ter morrido nessas aventuras. O governo sabia que eu não era imortal. Todos temiam o risco de perder sua arma incomparável e exclusiva, cujo desenvolvimento custou milhões de dólares. Por isso, praticamente me reduziram a uma atração circense. Porém, quanto mais nossos bravos jovens morriam... e os rumores crescentes de atrocidades inconcebíveis chegavam aos meus ouvidos... mais do que medo, passei a sentir... vergonha."

"Eu exigi ser usado. No inicio, meu papel foi apenas simbólico. Pra revigorar soldados exaustos. O que eu pretendia fazer oferecia altos riscos. O medo era inevitável, mas até hoje, décadas depois, ainda me lembro da sensação de glória. Aquela e outras façanhas minhas foram prodigiosas para o moral das tropas. Os homens sentiam-se eletrizados em saber que o Capitão América os acompanhava no front. Mas eu não estava realmente com eles. Eram tantos jovens morrendo em combate, enquanto o supersoldado permanecia à margem de tudo."

"Logo enfatizei ao departamento de guerra que eu só continuaria contribuindo se fosse pra correr os mesmos riscos que qualquer outro soldado. Aqueles homens não tinham nenhum superpoder e lutavam com todas as suas forças. Portanto, eles eram os verdadeiros heróis. Ciente de que a presença do Capitão América atrairia fogo cerrado contra o nosso pelotão, me engajei como Steve Rogers. Mesmo assim, tivemos muitos combates. Embora apavorado, eu sabia o que tinha de fazer. Só havia um jeito de vencer a guerra. Eu era humano. Fui ferido em ação, e isso enfureceu o governo. Só respondi que não voltaria a me esconder ou a encenar proezas físicas. Precisava ser mais rápido e mais forte. Empregar meus poderes ao máximo. Nunca deixei de lutar. Ao contrário, me esmerei cada vez mais, pra me tornar cada vez melhor."

Reunindo forças, o cabo Newman salta o precipício... e consegue chegar ao outro lado. Antes de contar porque o escolheu, o Capitão América está prestes a lhe dizer como ele adoeceu. No laboratório, o corpo do herói sofre violentos espasmos. Estão prestes a perdê-lo.

Continua...

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