segunda-feira, 14 de abril de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 639


 - Fallen Son: The Death of Captain America n° 4 (Julho de 2007)

* "The Death of Captain America, Chapter 4: Depression", história escrita por Jeph Loeb, desenhada por David Finch, artefinalizada por Danny Miki

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América - Morre Uma Lenda n° 2 ("Depressão")

A morte do Capitão América afetou o Homem Aranha muito mais do que os outros heróis imaginam. Afinal, toda a carreira heroica do Aranha, desde o começo, foi marcada por perdas de pessoas queridas. E é justamente por lembrar-se dessas perdas que Peter se encontra agora, no meio da noite, no meio da chuva, diante do túmulo do seu tio Ben. Ele se sente pequeno diante dos acontecimentos. É algo que seu tio já havia dito que iria surgir durante sua vida. Algo que iria ter que enfrentar. Mas até mesmo para o Homem-Aranha essa carga é pesada demais para se carregar.

O Aranha percebe que o destino não lhe dá folga. Seu sentido de aranha dispara naquele momento. Um homem enorme, próximo a um túmulo logo adiante, parece ser a ameaça que fez seu sentido despertar. O herói o ataca primeiro e descobre que se trata de seu inimigo, Rino. O vilão tem força descomunal e, sabendo disso, o herói é ágil em atacá-lo. Mas, para azar do Aranha (o tradicional azar do Aranha)... Rino não está ali por causa dele. Na verdade, trata-se de uma trágica coincidência. O vilão, que não desejava nenhum conflito, estava ali naquele momento, também no meio da noite, também no meio da chuva... para visitar o túmulo de sua mãe.

A gafe só é percebida quando, ao ser atacado pelo Aranha, Rino acaba destruindo a lápide de sua mãe. Enfurecido, o vilão finalmente ataca o Aranha, que fica sem reação diante do erro. O ataque do enorme inimigo lembra o Aranha de uma situação similar, em uma das primeiras vezes que enfrentou o Hulk e foi auxiliado... pelo Capitão América. Talvez inspirado por essa lembrança, o herói consegue reagir e finalmente derrubar Rino, antes que ele o mate. É quando outro visitante se revela: Wolverine, que havia discutido com o Aranha na base dos Vingadores Secretos e o vem seguindo, preocupado com a cabeça confusa do colega. O Aranha quer ficar sozinho e deixa Wolverine para trás... Não está disposto a reiniciar uma discussão.

Wolverine o segue até um ponto óbvio. A ponte onde o Aranha, no passado, viu sua amada Gwen Stacy morrer. Wolverine lembra que o Aranha só foi escolhido para integrar os Novos Vingadores, porque o Capitão América garantiu a todos sobre seu valor. E mais, o próprio Capitão chegou a cogitar não participar da equipe caso não confiassem no valor do Aranha. 

Wolverine entende a depressão pela qual o Aranha está passando.

"É como se alguém disparasse uma bala de canhão no meio do teu estômago, deixando um rombo enorme. Com o tempo, ele começa a se fechar de fora pra dentro... e, um dia, vai ser diferente. A carga não vai parecer tão pesada. Claro, aí cê vai ouvir uma música, alguém vai rir ou o vento vai soprar pro lado errado... e o buraco vai se escancarar de novo. Acredite se quiser, cicatriza mais fácil cada vez que a ferida reabre. Uma morte não é que nem perder o emprego ou se divorciar. Não dá pra superar. Cê tem que integrar isso na sua vida. Aprender a conviver. Mas... com o tempo melhora. É só o que dá pra esperar..."

Diante de tais palavras, o Aranha sabe que só resta esperar que as coisas melhorem... algum dia. E que, para isso, ele tem que superar-se. Tem que enfrentar a vida da forma mais heroica possível... como só ele mesmo sabe que pode e deve fazer.

A+:

* Apesar dessa minissérie, mostrando o impacto da morte do Capitão América no Universo Marvel, ter sido uma ideia de J. Michael Straczynski, o escritor responsável pelos roteiros foi Jeph Loeb. Uma particularidade marcante de Loeb em relação a essa história é que ele mesmo passou por uma história de superação/aceitação diante de uma tragédia pessoal. Seu filho Sam Loeb, havia falecido em 2005, com 17 anos, após sua batalha de três anos contra o câncer.

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