domingo, 16 de fevereiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 593


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 - Captain America 5 (Maio de 2005)

* "Out of Time Part Five", história escrita por Ed Brubaker, desenhada por Steve Epting e Michael Lark

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Os Poderosos Vingadores n° 29 ("Tempo Esgotado, parte 5"); no especial Marvel Deluxe: Capitão América n° 1; e pela editora Salvat, no fascículo n° 44 da Coleção Graphic Novels Marvel

Apesar de o Capitão América estar cheio de hematomas, decorrentes da surra que levou do vilão Ossos Cruzados, ele diz a Nick Fury que está bem. Afinal, já foi esmurrado até pelo Hulk. Na verdade, o herói seguiu para a SHIELD, pois quer algumas respostas. Alguém o vem manipulando e ele não gosta nada disso. Ossos Cruzados mencionou algo sobre um russo. Através de informações da Interpol, Fury descobre mais sobre a identidade de um dos soldados mortos que Union Jack encontrou em Londres. Ele fazia parte de um regimento inteiro de ex-soldados soviéticos que sumiu do mapa em meados dos anos 90... junto com o general deles, Aleksander Lukin. O nome não traz nenhuma lembrança ao Capitão. 

Lukin foi um militar de carreira durante a Guerra Fria. Talvez, por estar insatisfeito com as mudanças depois do colapso, ele e seus homens tenham desertado. Três anos atrás, apareceu como diretor de uma corporação internacional com escritórios nos principais centros metropolitanos do mundo civilizado, conhecida como Corporação Kronas. Muito provavelmente, ele é o homem que ordenou a morte do Caveira Vermelha. Lukin também tinha bons contatos na KGB, principalmente com um de alta patente chamado Karpov. 

Por algum motivo ainda desconhecido, os motivos de Lukin são pessoais, levando em conta os túmulos destruídos em Arlington, como se fossem recados endereçados ao Capitão América. Mas as coisas começam a se encaixar. Steve reconhece o nome de Vasily Karpov. E a corporação Kronas trás o mesmo nome de um vilarejo na Rússia, não muito longe de Stalingrado... vilarejo que não existe mais... mas foi lá, em 1942, que o Capitão América viu Karpov pela primeira vez.

"Os Hiwis... abreviação de Hilfsvillige... eram soldados voluntários ou desertores combatendo ao lado dos nazistas contra o próprio povo. Era só uma parte do que tornava o front russo mais hediondo do que estávamos habilitados. A neve e o gelo eram as outras partes. Estávamos acampados quinze quilômetros a oeste de Kalach, que os russos tinham retomado pouco tempo antes... e as forças de Stalin estavam prestes a iniciar a Operação Urano, a fim de aprisionar toda a invasão nazista no inverno, sem linhas de suprimento e sem rota pra casa. Mas correu o boato de que os alemães tinham algum tipo de superarma secreta perto dali e estavam aguardando pra colocá-la em ação. Os Invasores foram enviados para descobrir que arma era essa e se certificar de que ela não impediria os russos de seguirem com seu plano. O coronel Vasily Karpov era o oficial russo no comando da nossa missão. E eu não gostava dele..."

Na verdade, as táticas de tortura a prisioneiros, para conseguir informação, incomodavam o Capitão América. Mas foi através dessa tática que eles conseguiram informação sobre o local onde estava sendo guardada a superarma: o pequeno vilarejo de Kronas. No local, inclusive, parece também haver um super-humano. Um nazista que é capaz de voar. Para enfrentá-lo, o Capitão conta com o Tocha Humana original e Namor. Na noite que antecede o ataque a Kronas, o Capitão América deixa claro a Karpov que, se quiser sobreviver, terá que seguir suas ordens.

"Então a manhã nos encontrou... juntamente com um esquadrão cuidadosamente selecionado do NKVD de Karpov... escondidos nos arredores de Kronas... enquanto nosso batedor avançado abria caminho. Esse era o verdadeiro segredo de Bucky. A versão oficial dizia que ele era um símbolo pra conter a ascensão da juventude hitlerista... e havia alguma verdade nisso. No entanto, como tudo na guerra, havia um lado subjacente mais sombrio. Bucky fazia coisas que eu não podia fazer. Eu era o ícone. Vestia a bandeira... Porém, enquanto eu discursava pras tropas nas trincheiras... o rapaz estava fazendo o que havia sido treinado pra fazer. E ele era extremamente bem-treinado. Não teria atuado conosco se não fosse."

"Com a guarda do perímetro neutralizada, devíamos ter conseguido avançar sem obstáculos... mas não tivemos tanta sorte. De repente, o alarme soou e tudo virou um inferno. Era quase como se estivessem à nossa espera. Os nazistas começaram a se esgueirar das frestas... junto com uma coisa muito pior... o Grande Mestre, supersoldado pessoal de Hitler. Estávamos esperando por ele ou alguma coisa parecida, é claro. Enfrentávamos ameaças como aquela o tempo todo... mas não faço ideia do que aquele tipo de combate pareceu aos russos. Eles vinham travando uma guerra de desgaste... a cada quadra de Stalingrado e a cada acre de seus campos... e agora havia homens combatendo nos céus acima deles... homens em chamas."

"Encontrar a arma secreta não foi difícil. Foi só olhar onde os guardas nazistas estavam em maior número e avançar nessa direção... Tive alguns segundos para conferir os danos que a superarma nazista havia causado... perceber o que ela provavelmente faria com qualquer coisa em seu caminho... e então ela reabriu fogo vingativamente. Seus raios destroçavam casas e pessoas indiscriminadamente... e por entre as chamas, eu vi o mestre daquele pequeno bando de terror. O Caveira Vermelha, atrás dos controles. Percebi depois que ele estava acionando o dispositivo de autodestruição do aparelho, sabendo que estava em menor número e que sua causa era perdida. Ele estava criando a maior distração que podia pra cobrir sua fuga. Ele sabia que o deixaríamos fugir para ajudar o povo do vilarejo."

"Namor e os Tochas interromperam a batalha com o Grande Mestre pra ajudar a conter a chamas... e ele e o Caveira Vermelha desapareceram. Enquanto isso, tentávamos impedir Kronas de ser calcinada. O Tocha absorveu o máximo que pôde do fogo. Ele e Centelha ainda derreteram a neve do céu, transformando-a num aguaceiro... mas já era tarde demais. O fogo tinha se alastrado muito rápido. Karpov, porém, estava menos preocupado com os aldeões inocentes do que com aquilo que o Caveira tinha deixado pra trás. Quando a armadilha do Caveira explodiu, seus homens foram pelos ares com a arma nazista. Levantamos voo uma hora depois a caminho da Inglaterra, a fim de fazer nosso relatório e tentar pegar o rastro do Caveira. Quando vi Vasily Karpov pela última vez, ele estava vagando pelo que sobrou de Kronas... averiguando os estragos pelos quais, na certa, me culpava."

A morte do Caveira Vermelha... O Cubo Cósmico... Poderiam ser partes de uma vingança em longo prazo planejada por Karpov? Mas Karpov havia morrido vinte anos atrás e, sendo um oficial da KGB, com certeza ficou sabendo da "morte" do Capitão América. 

Steve fala a Nick Fury sobre suas memórias que estão, provavelmente, sendo alteradas por quem está com o Cubo Cósmico e pede uma nave para o coronel para seguir em uma missão particular.

Continua...
A+:

* Uma das marcas registradas do escritor Ed Brubaker nessa fase (e que causou certa polêmica na época de sua publicação) era a dedicação em desenvolver o personagem Bucky de todas as formas possíveis. Como poderemos ver, isso aconteceu com o futuro, presente... e passado do personagem. Aqui é desenvolvido um ponto muito importante na mitologia do personagem, mostrando que ele não era apenas um mascote adolescente do exército ou mero parceiro do Capitão América. Por mais peculiar que parecesse, Bucky (apesar de, sim, ser um garoto) era uma espécie de operativo que fazia o trabalho sujo do exército, sendo ainda mais mortífero do que qualquer soldado no front. Longe de ser uma mera banalização, de fato o personagem, quando aparecia em histórias na década de 40, agia de uma forma, digamos, mais selvagem do que o herói principal. Para Bucky, inimigo bom era inimigo morto, sem trégua ou chance para lições morais. Na era de ouro, no entanto, essa atitude, apesar de explícita, era vista como uma inocência disfarçada, uma vez que os heróis daquela época executavam os criminosos e inimigos, sem nenhuma piedade. Em uma análise mais generalizada, o Capitão América (com o escudo como símbolo) defendia os interesses americanos, enquanto Bucky era a face que atacava impiedosamente quem os ameaçasse. Tudo isso disfarçado com a imagem do jovem cheio de entusiasmo por lutar no front ao lado de um herói nacional.

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