quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 563

- Captain America n° 7 (Fevereiro de 2003)
* "Barricade", escrita por John Ney Rieber, desenhada por Trevor Hairsine, artefinalizada por Danny Miki

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Marvel 2003 n° 6 ("Barricada")

Capitão América tem um pesadelo. Nele, se vê novamente congelado... algo que durou décadas. E relembra que, durante esse período, o mundo, que tanto precisava dele, ainda sofria as consequências da guerra.

"Não foi a sua liberdade que foi tomada. Mantida sob a mira de uma arma e embrulhada em arame farpado. Mas você não podia desviar o olhar como lhe ordenaram. Outros o fizeram. Você era incapaz de fechar seus olhos. Não poderia. Agora, não consegue fazer isso de forma alguma. Fora de sua prisão congelada... além de sua cela de gel... os anos passaram... e as pessoas viveram e morreram... desprotegidas... e com medo. Você devia ter estado lá, lutando por eles. Carregando seu escudo. Mas não esteve. O escudo está congelado junto à sua pele. Sua carne e ossos estão tão rígidos quanto o gelo que os cercam... cristalizados em frio e dor. Esta geleira é uma tumba. Mas você fez uma promessa ao povo. Jurou que jamais se renderia enquanto suas vidas e sua liberdade estivessem em risco. Então lute, soldado. Com todas as forças. A morte não é desculpa para a rendição... quando sua luta é pela liberdade."

Steve Rogers acorda assustado. Voltou a morar no Brooklyn... e agora está se adaptando a vizinhança.

"Não se dorme durante um tiroteio... quando ele acontece na sua porta. É o primeiro que você ouve em uma semana. Quando se mudou pra cá, acontecia o tempo todo. Mas isso foi antes. Antes deste se tornar o seu bairro. A maioria das gangues é da velha escola. Seus integrantes não saíram de um filme ou da TV. Eles tomam conta dos seus. Das pessoas de seus quarteirões. De seus prédios. Mas não sabem quando parar. Ou quando desistir. E todos têm armas."

Rogers pula de seu apartamento até um beco. Com o escudo, consegue desarmar e deter os marginais que se enfrentavam.

"A melhor coisa que um homem pode fazer depois de um pesadelo... é levantar e ir trabalhar."

A mudança na vida de Rogers é bem maior do que se imagina. A começar pelo seu novo emprego.

"Estaleiro naval do Brooklyn. Isto é bom. Este trabalho. Você sua. Suja as mãos. Mas, no fim do dia... a sujeira é lavada. Faz quatro meses que você mostrou ao mundo quem é o homem por trás da máscara. Um norte-americano, não os Estados Unidos. Três meses desde que decidiu viver aqui em vez de numa mansão. Você não tem notícias do pessoal desde que se mudou. Graças a Deus. Quanto tempo de privacidade resta? Dias? Semanas?"

Na volta do trabalho, Steve conversa com um garoto na vizinhança, mas pede que ele vá para casa. Logo em frente, alguns integrantes da gangue de marginais o reconhecem, pois Steve revelou sua identidade na TV.

"Armas. Por aqui, todos os garotos andam como se tivessem uma. Eles movem as mãos para as costas. Ou as escorregam para baixo das camisas quando você não está olhando."

O líder deles reconhece que o Capitão pegou integrantes da gangue rival na noite passada. Ele ordena que os garotos abaixem as armas. De certa forma, a imponência do herói traz certo respeito para a vizinhança. Não admiração, mas respeito.

Steve treina com seu escudo, ricocheteando-o com precisão para apagar e acender... um simples isqueiro. Um telefone toca.

"Você conhece esse som. A linha privada da SHIELD. Não é ninguém com quem você queira falar. Ninguém em quem possa confiar."

Steve não atende. Mas um grande helicóptero simplesmente para diante de sua janela. Nick Fury. Apesar de relutar em atendê-lo (afinal, Steve não trabalha e não confia mais na agência), sua atenção logo é conquistada pela má notícia envolvendo um velho amigo.

Flórida. Dois dias depois. O Capitão América se encontra com Samantha Twotrees. Ele percebe que ela carrega uma escuta e pede para desligar. Ela também conhecia seu amigo, Inali, o homem que o salvou uma vez e ensinou a rastrear... a ler sinais. O esqueleto em sua frente, em uma posição bizarra, pertencia a Inali. Pelo que tudo indica, Inali, nativo e xamã cherokee que carregava um cajado sagrado, invocava o ritual do vento, talvez para deter uma tempestade. Um tornado... que permaneceu diante de Inali por doze horas... até que seu peito fosse perfurado.

Analisando de perto o esqueleto... o herói constata que não é Inali. Possivelmente um clone... mas uma bizarrice do governo. A agente Samantha confirma que a SHIELD tinha uma instalação de clonagem... e ficava justamente ali, onde o tornado causou destruição. Ele segue a viagem de volta.

"Ela mentiu. Dava pra ouvir em sua voz. Estão todos mentindo. Os que estão falando e os que não estão. Como Fury. Talvez eles acreditem que segredos sustentem este país. Mas esse é o país deles... não o seu."

No meio do percurso, ele para sua motocicleta diante de uma parte da floresta a sua volta que foi recém-incendiada. Em seguida, paredes de metal se levantam a sua volta e um exército armado se mostra diante dele. O líder se identifica como Barricada e parece ser o responsável pelo incêndio. Eles pretendem capturar o herói.

Continua...
A+:

* O arco chamado "Os Extremistas" foi apresentado como sendo formado por quatro partes. Inclusive, essa informação consta na capa original americana (parte 1 de 4). A saga, porém, foi formada por cinco partes.

* Apesar da estranha abordagem do Capitão América ser protetor de um bairro (e não de uma nação), essa é a proposta que mais se assemelha ao selo Marvel Knights, agora que o personagem é publicado por ele. História com um tom mais realista, adulto e, também, poderia ser visto como mais... urbano, talvez.

* John Cassaday, então um dos maiores responsáveis por essa revitalização da revista do Capitão América, não é mais o desenhista oficial da série. Porém, ele ainda tem ligações com a revista, uma vez que se torna capista da mesma, continuando seu trabalho inspirado nos antigos cartazes da Segunda Guerra Mundial. Cassaday, inclusive, se torna uma espécie de capista oficial de várias séries, o que condiz mais com seu ritmo mais moroso de trabalho.

* O britânico Trevor Hairsine assume a arte da revista. Seus trabalhos anteriores mais conhecidos foram publicados na 2000AD e em histórias do Juiz Dredd. Seu estilo é comparado com a linha de desenho de Brian Hitch.

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