segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 561

 - Captain America n° 5 (Outubro de 2002)
* "Above the Law", escrita por John Ney Rieber, desenhada por John Cassaday

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Marvel 2003 n° 3 ("Acima da Lei")

"É apenas dor. Irá embora. Sempre vai. Você alcançou seu primeiro objetivo tático. Atrair o inimigo para longe dos civis. E ainda continua vivo."

O Capitão América sobrevive ao mergulho na barragem. Percebe que os atiradores que o atacaram o procuram na superfície. Ainda com seu escudo, ele os enfrenta. No meio da confusão, um dos atiradores atinge dois de seu próprio grupo. O criminoso cita que todo o poder repousa nas muralhas de Alamut, conhecida como fortaleza dos assassinos medievais. Porém, hoje são só ruínas, uma vez que foi destruída pelos mongóis no século XIII. O terrorista desdenha do herói... e morre. Capitão percebe que ele também carrega o mesmo sinalizador da SHIELD encontrado em Centerville. Quando Nick Fury chega ao local, ele explica que foi o aparelho que o matou.

Nick Fury havia lhe dito que o aparelho servia para detectar baixas. Mas, ao que tudo indica, ele pode fazer muito mais. Rastrear movimento, talvez. Matar soldados capturados em batalha, pra manter suas bocas fechadas. Os terroristas achavam que o dispositivo os tornava imortais. Nick pouco sabe a respeito, a não ser que, agora, essa é uma vantagem que o inimigo tem sobre eles. Acontece que o próprio Capitão América se considera algo do tipo. Como se fosse uma tecnologia militar. E mais... Fury também carrega um desses dispositivos. O herói precisa chegar a Dresden.

Cinco de julho. Em um voo para Dresden, Steve Rogers é reconhecido por uma jovem alemã. Ela o viu na tevê e nos jornais... revelando ser o Capitão América. Ela lhe conta que, na Segunda Guerra, ele quebrou a mandíbula de seu avô. Ele se desculpa, mas ela diz não haver nenhum problema. De certa forma, ele até ficou agradecido, uma vez que poderia ter encarado um tribunal de crimes de guerra se tivesse sido detido antes. Para passar o tempo, ela sugere uma partida de xadrez. Ela lhe pergunta o que ele acha sobre a atual guerra contra o terrorismo. Ela acha tudo confuso. Contra quem e o que a América está lutando de tempos em tempos? Será que a própria América sabe? Será que sabem no que acreditar?

"Eu acredito... que em 11 de setembro de 2001... um psicopata chacinou quase três mil seres humanos indefesos, numa tentativa de desencadear a III Guerra Mundial. Noventa por cento das mortes na I Guerra Mundial foram de soldados. Mas metade das pessoas que morreram durante a II Guerra era de civis. Metade de sessenta e um milhões. Eu sei por que estou lutando. eu não quero ver a III Guerra Mundial."

Finalmente, o herói chega a...

"Dresden. Você não entendeu o que fizemos aqui... até o 11 de setembro. Antes daquilo... você diria que fizemos o que era necessário... para derrotar Hitler e os nazistas. Esmagar o Eixo. Acabar com o mal. Mas, agora... o que você vê? 13 e 14 de fevereiro de 1945. Aquelas pessoas não eram soldados. Elas encolheram nas trevas. Encurraladas. Enquanto o fogo rugia sobre elas. Rostos pressionados contra as paredes quebradas que os confinavam. Arranhando o solo frio até ele se tornar quente demais. E, quando não havia mais o que respirar na escuridão, elas morreram. Os bombeiros da cidade lutaram contra as chamas por dias antes que pudessem começar a procurar por sobreviventes. Não houve sobreviventes. A história se repete. Como uma metralhadora. Um louco acende o pavio... e o povo paga o preço."

Steve chega até um edifício onde iniciará sua investigação. A mesa de segurança está vazia. Em uma das colunas... uma bomba. Dois segundo para detonar. Ele só tem tempo para pegar seu escudo.

Continua...
A+:

* A fortaleza de Alamut, situada no Irã, foi construída no ano 840, na Cordilheira de Elbruz. Em 1090, foi conquistada pelos Hashshashin, seita criada por Hassan I Sabbah. A seita contou com até 60 mil integrantes, que levavam uma vida normal ou mesmo se misturavam a mendigos, até que lhes fosse dada a ordem para atacar seus alvos. Acredita-se que a face mais violenta e extremista do islamismo tem certa semelhança com o modo de agir do hashins, principalmente se for levada em conta a espantosa fidelidade de seus membros, a ponto de ser comparada com os ataques suicidas da atualidade. A própria palavra "assassino", tem sua etimologia ligada ao nome Hashshashin, vindo do termo Assass, que significa "os fundamentos" (da fé islâmica). A série de jogos de videogame Assassin's Creed é baseada nos Hashshashin, porém adaptando valores como liberdade, justiça e vingança em seu conceito.

* Com o primeiro arco assumidamente crítico quanto aos eventos de 11 de setembro, aqui o escritor John Ney Rieber deixa ainda mais evidente essa face da história. Para tanto, há uma comparação dos ataques terroristas com o bombardeio da cidade de Dresden, em 13 de fevereiro de 1945, quando Estados Unidos e Inglaterra despejaram certa de 3900 toneladas de bombas na cidade, vitimando cerca de 25 mil pessoas. Alega-se, no entanto, que Dresden não era uma cidade considerada alvo militar ou mesmo estratégico. Sendo assim, o que ocorreu foi um grande massacre de civis.

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