quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 557

 - Captain America n° 1 (Junho de 2002)
* "Dust", escrita por John Ney Rieber, desenhada por John Cassaday

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Marvel 2002 n° 9 ("Cinzas")

"Não importa para onde você pensava estar indo hoje. Agora, você é parte da bomba. Em alguma parte do mundo... um grupo de homens com olhares famintos sentam-se ao redor de um rádio... ou de um telefone. Vinte minutos... Quatro mil mortes depois... Eles louvam a Deus pelo sangue que mancha suas mãos. Meu Deus... Como isso foi acontecer aqui? Temos que ser fortes. Mais fortes do que nunca. Se perdermos a esperança... E enterrarmos nossa fé nas trevas... Nada mais importará."

Nos escombros do World Trade Center, Steve Rogers continua tentando encontrar sobreviventes. Mais vezes do que imagina... constata que é tarde demais. Todos se perguntam onde estavam heróis como ele quando isso aconteceu. Tudo que ele sabe é que não estava lá. Steve se lembra de um casal, antes do desabamento... Eles pularam. De mãos dadas. Ele quer encontrar os culpados. Mas, antes disso... precisa ter a certeza.

"Esta é a face do seu grande satã? Está é sua oferenda ao seu deus? Sua veneração? Sua prece? Assassinos... Dizer às crianças que isto é uma guerra santa. Mas nós vimos o que está por trás de vocês. Ouvimos quando se abriram. Os portões do inferno."

Nick Fury chega até o local e o convoca... ORDENA que o siga. Steve se recusa. Afinal, no momento, é ali que ele é necessário. E não pensa duas vezes em usar a força para convencer Fury. O coronel entende a mensagem.

"Ontem... este era outro mundo. Ontem... quando o sol ainda brilhava... sobre nós."

Voltando para casa Steve encontra um jovem... descendente de imigrantes... O jovem é atacado por cidadãos revoltados devido a terem perdido entes queridos. Com seu escudo, Capitão América impede que algo pior aconteça.

"Temos que ser mais fortes do que nunca. Ou eles terão vencido. Nós podemos caçá-los. Rastrear cada mancha de sangue deixada por seu terror. Reduzir a pó cada rocha tocada por eles, cada caco de vidro a cinzas. E não vai adiantar. Temos de ser mais fortes do que nunca. Como povo. Como nação. Temos que ser a América. Ou eles terão vencido. Nós vamos superar isto. Nós, o povo. Unidos por um poder que nenhum inimigo da liberdade sonharia em entender. Nós compartilhamos... nós somos... o sonho americano."

Sete meses depois...

Nick Fury entrega um rastreador de baixas para o Capitão América... que os avisará se o herói morrer. O herói deixa o rastreador pra trás. Fury alerta que Al-Tariq é um monstro. O Capitão salta do helicóptero e lembra que ele também é.

"Nunca deixe o inimigo escolher o campo de batalha. Nem a hora do confronto. Nunca deixe o inimigo antecipar a força ou a direção do seu ataque. Não o deixe ver você chegando. Ataque inesperadamente. Nunca se deixe atrair para uma armadilha. Esse monstro é um estrategista. Ele já te forçou a violar metade dos protocolos de guerra... Antes mesmo de ver o campo de batalha. Isto é guerra. Mas nunca são as guerras que sangram, queimam ou morrem. É o povo."

Capitão América chega a Centerville, onde minas foram espalhadas por toda a cidade em mais um ataque terrorista. O estranho é que não há sangue no chão. Nem corpos. Ninguém.

"Hoje... O importante é que você está aqui. Fará alguma diferença. Hoje... há esperança. Você não chegou tarde demais."

Continua...

A+:

* A Editora Panini optou por descontinuar o chamado volume 3 da revista do Capitão América, até então escrita por Dan Jurgens, mesmo sem concluir a sub-trama que tratava do vilão Protocida (algo que Jurgens já vinha arrastando por várias e várias edições). Isso, além de dar um salto de um ano na cronologia brasileira, também supriu a ansiedade do leitor em conhecer as novas histórias do Capitão América, que tiveram certo destaque na mídia, principalmente devido aos ataques terroristas de 11 de setembro.

* Mesmo nos Estados Unidos, a fase escrita por Jurgens enfrentava problemas de vendas baixas. Joe Quesada, então editor-chefe, tentou levantar a popularidade do personagem na mesma forma que fez com o Demolidor (que também vendia pouco) ao deixar o roteiro a cargo do cineasta Kevin Smith. Para tanto, Quesada e o editor Stuart Moore convocaram uma equipe criativa tão impactante quanto à adesão de Smith. John Ney Rieber vinha fazendo sucesso com a série Livros da Magia, pelo Vertigo, o selo adulto da DC Comics. Já John Cassaday estava em ótima fase como co-criador da elogiadíssima série Planetary, pelo selo Wildstorm. Apesar dos selos Vertigo e Wildstorm terem surgido de publicações de super-heróis, sua temática adulta era bem diferenciada do gênero. Esse diferencial (e a qualidade do trabalho dos envolvidos) chamou a atenção de público e crítica para o que se ia fazer com um herói tão tradicional quanto o Capitão América. Na própria Marvel, o novo título do Capitão América foi publicado pelo selo Marvel Knights, que trazia uma temática, senão totalmente adulta, com um tom mais realista para as histórias. A estratégia, também utilizada com o Demolidor, serviu para diminuir o distanciamento do leitor com o personagem. Ironicamente, esse planejamento já estava direcionado antes mesmo dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, fatalidade que deu um tom e rumo para a série a ponto de seu sucesso estar além do público de quadrinhos.


REQUADROS:

MARÇO DE 2002.

Joe Simon, antigo parceiro de Jack Kirby e co-criador do Capitão América, perdeu, no início deste mês, a ação que movia, desde abril de 2000, pelos direitos da personagem. O quadrinhista estava sendo representado pela firma Darby & Darby, especializada em propriedades intelectuais. Com a decisão judicial de 4 de março último, a Marvel conseguiu manter para si o copyright do Sentinela da Liberdade.
Nos últimos doze meses, este é o terceiro caso de natureza similar envolvendo autores de quadrinhos. Ano passado, Dan DeCarlo perdeu o processo contra a Archie Comics pela posse de Josie e as Gatinhas e Sabrina. Contra a mesma Marvel, o roteirista Marv Wolfman tentou reaver sem sucesso os direitos de Blade e seus coadjuvantes. Os três autores sustentavam que as personagens não foram criadas em situação de trabalho sob encomenda, a qual, via de regra, dá às editoras de quadrinhos todos os direitos sobre suas criações. De maneira semelhante ao que aconteceu com DeCarlo, o processo de Simon perdeu sua força devido a uma atitude tomada em 1969. Na época, após dois anos de contenda jurídica, ele abriu mão de sua reivindicação pelo herói em troca de uma significativa remuneração. Trinta anos depois, Simon alegou que não havia entendido todas as ramificações legais daquele acordo e, mais uma vez processou a Marvel, agora tentando desfazer a transferência anterior. A editora, então, solicitou um julgamento sumário cujo resultado foi negativo para o desenhista.

Joseph H. Simon iniciou sua carreira nos quadrinhos em 1939, prestando serviço para a Funnies, Inc. Pouco depois, estava escrevendo e desenhando para outras editoras como a Centaur, Novelty e a Fox Publications. Em 1941, ele e Jack Kirby, trabalhando juntos no agora lendário Simon & Kirby Studios, criaram o Capitão América para a Timely Comics (atual Marvel). Para a DC Comics, ambos desenvolveram a Legião Jovem, Sandman, Boy Commandos e o Caçador. Também foram os responsáveis por Stuntman, Boy Explorers, e Boys Ranch (Harvey Publications), Mosca (Archie Comics), Fighting American e Bulls Eye (Prize Publications).

(Fonte: Omelete)


TV ÂMAGO:

A animação X-Men: Evolution tinha como regra não mostrar nenhum outro personagem da Marvel que não fosse relacionado aos mutantes. Era como se só existissem os X-Men no universo Marvel todo. Mas isso foi mudado quando o co-roteirista Boyd Kirkland sugeriu que mostrassem a ligação do Capitão América com Wolverine durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar do episódio se chamar "Operação: Renascer", tem poucos elementos da saga escrita por Mark Waid nos quadrinhos. A ideia foi inspirada em outro episódio que se tornou importante na mitologia dos mutantes, onde esse encontro é mostrado na popular fase dos próprios X-Men, quando eram desenhados por Jim Lee.

Para assistir ao episódio acesse: X-Men Evolution - Operação Renascimento

2 comentários:

Anônimo disse...

Oiê!!!!!!!

X-Men: Evolution era muito bom <33333 Eu adorava!!!!!!!!!
Lembro desse episódio, mas agora vou aproveitar para rever <3333333
Foi muito legal vc colocar o link do episódio.

A abordagem do 11/9 não ficou MEGA sensacionalista, gostei disso.
-----------------

E isso de quem criou a personagem não ter direito sobre ela???? Vc concorda??????? Eu acho isso tãooooooo errado!

Beijos
Jovie

Marcos Dark disse...

Bom... essa questão de direitos sobre o personagem é muito relativa. Primeiramente porque, na maioria das vezes, essa condição consta no contrato com o autor. Além disso, em se tratando de trabalhar com uma grande editora, o autor é visto como uma espécie de prestador de serviços PARA a editora. Logo, tudo que é produzido e veiculado pela editora, a ela pertence.

O único jeito de se manter a autoria sobre sua obra é publicá-la de forma independente. Mas, dessa forma, o autor terá que estar ciente de que entrará em um mercado com mega editoras como concorrentes. Daí, vem a questão: publicar uma obra e vê-la ir longe mundo afora ou tentar enfrentar o mundo sozinho com o mínimo de chance de sucesso?

É claro que existem acordo diferenciados, onde a editora concede boa parte aos autores (quando não, tudo relacionado a obra). Vai muito de cada acordo.

Em termos gerais, todo autor, seja qual for, que se propõe a publicar suas histórias em uma grande editora, já está ciente de que os direitos não pertencem a ele, desde o início. Logo, dizer, depois que foi ludibriado, se não for ingenuidade, é se fazer de ingênuo. Exceto quando, comprovadamente (COM DOCUMENTOS) o "empreiteiro" realmente passar o contratado pra trás.