segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 554

 - Captain America n° 32 (Agosto de 2000)
* "Heart", escrita por Dan Jurgens, desenhada por Jerry Ordway

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Paladinos Marvel n° 5 ("Coração Valente")

Cameron Klein, agente da SHIELD, é enviado por Nick Fury até a Mansão dos Vingadores para contatar o Capitão América. O herói estranha Fury não o ter contatado pessoalmente, mas as credenciais de Klein parecem ser confiáveis. O destino deles é um hospital. Klein pouco sabe sobre a missão, sequer sabe se é Fury que está ferido. De fato, uma situação bastante incomum. O herói pede a autenticação por escrito das ordens de Klein. Algo que o agente também não tem. Pede então a senha pré-combinada. Klein não sabe do que se trata. Mas o Capitão entende que aquela é uma armadilha. Mesmo com o aerocarro já no ar, em direção ao hospital, o herói ataca o agente e descobre que sua insígnia é de nível T-7. Trata-se de um tecnólogo... cargo que não recebe aerocarros. Klein roubou o veículo. Fury aparece em um monitor e pede para o Capitão soltar o jovem agente, que se desespera por ter sido descoberto. Fury acalma o Capitão, dizendo que se trata de negócios antigos, do tempo da guerra.

Treze horas atrás, uma família se reúne e uma tradição está prestes a começar. Bisnetos sentam-se em volta de seu bisavô que lhes contam uma história sobre seus tempos de guerra. Mais especificamente sobre a batalha de Ardenas, em 1944. Ele estava lá.

"Foram dias penosos. Estávamos gelados e angustiados. Alojamentos e camas quentinhas pareciam um sonho distante. Em pleno dezembro, o inverno europeu tortura qualquer um. Eu integrava a 106ª divisão da infantaria. Uma das primeiras a sentir o peso da última ofensiva nazista. Até então, mesmo combatendo forças superiores... nós estávamos surrando os chucrutes... Apesar de nossa batalha diária contra o frio. Naquela geladeira, só os cigarros e o café nos impediam de esquecer o que era calor. Nossa única alegria era conversar sobre as famílias, esposas e namoradas que deixamos na América. Eu contava tudo sobre Shirley. É, a bisavó de vocês sempre foi a mulher dos sonhos de qualquer homem. Falar de casa era o nosso amparo, porque a gente sabia que a situação podia piorar a qualquer momento.

De repente, quando ouvimos o zumbido de um morteiro... nós começamos a orar para sobreviver. Ao contrário do que acreditava o comando aliado, os nazistas ainda tinham efetivos pra uma violenta contraofensiva. Surpreendidos, fomos assolados por fogo de infantaria e de blindados. Quase todo o meu regimento morreu na hora. Meus ouvidos zuniam... e minha cabeça latejava tanto que eu mal escutava a aproximação dos tanques tigre nazistas. Eu perdi até a noção de onde estava e nunca pensei... que a desgraça ia piorar muito. Eu só sabia que tudo que me amparava estava se dissipando.

Quando finalmente me recompus, eu vi Doyle. Vocês não imaginam o estrago que estilhaços podem fazer. Forrar os uniformes com jornal ajudava a aquecer... e o papel servia de bandagem na hora do desespero. Mais desespero do que aquilo parecia impossível. Tudo acontecia tão rápido. Pessoas morriam ao meu redor. Era um caos. Total... e brutal. A batalha à distância, com tanques e morteiros, logo deu lugar ao combate corpo-a-corpo. Eu me lembro do rugido das metralhadora e dos berros de homens enlouquecidos... como se fosse ontem. Nós nos agrupamos como foi possível pra reagir. Não durante minutos... mas por horas. Nunca imaginei que uma carnificina daquelas pudesse existir. Muito menos que eu era capaz de fazer coisas que fiz. Nem quando as repeti por dias a fio. E quando finalmente me vi exausto, devastado e traumatizado pelo que fiz com outros homens... tudo que me restava era o moribundo Doyle e uma bala. Eles avançaram, prontos para nos trucidar. Esgotado demais até pra pensar em viver... eu só esperei a morte. Eu sabia que aquela granada M24 ia me despedaçar. E parte de mim sentiu alívio. Enfim, eu ia dormir. 

De repente, aconteceu a intervenção que só posso definir como divina. Eu estava salvo. Até hoje, eu jamais vi nada mais emocionante que aquele escudo vermelho, azul e branco... e o homem que o empunha. Claro que todos ouvíamos falar do Capitão América e Bucky... e como eles sempre combatiam ao lado dos fuzileiros... mas nunca pensei que os veria. Pra mim, eles prestavam serviços mais importantes, como missões secretas. Só que lá estava o Capitão. No mesmo fronte que eu. E, antes que eu percebesse, a batalha terminou."

O homem ainda relata o momento em que o Capitão América chegou até ele e perguntou se tinha uma namorada chamada Shirley. Boquiaberto, ele confirmou que sim, mas perguntou como o herói sabia disso. O Capitão lhe mostra uma foto, que achou em meio ao bosque... com uma dedicatória em seu nome, Stanley.

Após ouvirem a história, as crianças chamam por seus pais com certa urgência. Parece que seu bisavô está passando mal.

Horas depois, em um hospital, Capitão América e Nick Fury são trazido pelo agente Klein, neto de Stanley, para visitá-lo. Stanley fica emocionado em vê-los e os agradece por ter garantido que tivesse cinquenta anos de uma linda vida. Mostra ao Capitão uma medalha que recebeu por sua resistência e diz que, se não fosse por sua intervenção, ela poderia ter sido póstuma. Logo em seguida... o coração de Stanley pára. O agente Klein agradece a visita do Capitão e de Fury e pede desculpas por ter roubado o aerocarro. Fury reconhece a coragem do rapaz e lembra que é justamente o que ele fez que define um soldado: ele faz tudo que puder pelo outro... como se fosse um irmão.
A+:

* A Batalha de Ardenas, também conhecida como Batalha do Bulge, aconteceu de fato entre 16 de dezembro de 1944 e 25 de janeiro de 1945. Considerada uma das batalhas mais sangrentas para os americanos durante a Segunda Guerra, fez cerca de 89 mil baixas, incluindo 19 mil homens mortos. A 106ª Divisão de Infantaria, citada nessa história, também existiu e, considerada inexperiente, foi facilmente dominada pelos alemães.

* O Panzerkampfwagen VI, também conhecido como tanque-tigre, foi um dos mais resistentes tanques utilizados pelos alemães na Segunda Guerra. Porém, apesar de seu poder de destruição capaz de dizimar qualquer oponente e sua blindagem extremamente resistente, era pesado o bastante para torná-lo vagaroso, além de apresentar problemas mecânicos corriqueiramente. Curiosamente, muitos de seus ocupantes foram vítimas justamente desses problemas mecânicos.

* A Granada Modelo 24 Stielhandgranate, também conhecida como M24, foi uma granada de mão utilizada pelos alemães desde o final da Primeira Guerra Mundial. Seu peculiar formato permitia um arremesso mais preciso, em relação ao ataque contra trincheiras, e também lhe rendeu o apelido de "amassador de batatas" pelos britânicos.

ÂmagoNews:

* Os estranhos poderes de um homem de aço :  O Homem Que Tudo Podia 

3 comentários:

MEDICINA E COMUNICAÇÃO disse...

Resumo excelente de roteiro genial que une referências da realidade histórica com a fantasia emblemática dos quadrinhos.Parabéns!

Seguidores no instagram disse...

Mandou bem, parabéns pelo post

Marcos Dark disse...

Fico feliz que tenham se divertido tanto quanto eu.
Continuem acompanhando! Vem muito mais ação e informação pela frente.