sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 507





- Batman / Captain America (Outubro de 1996)
* "Batman & Captain America", escrita e desenhada por John Byrne

Publicada no Brasil, pela Editora Abril, na revista Batman & Capitão América ("Batman & Capitão América")

Na Europa, Capitão América luta ao lado do Sargento Rock e da Companhia Moleza. Assim que derrotam um gigantesco maquinário, espécie de tanque alemão, o herói e seu parceiro, Bucky, são convocados para voltar para a América. Lá, eles terão uma nova missão.

Ao chegar a Gotham City, o Capitão América é obrigado a saltar de seu avião para outro, que está sendo seqüestrado. Apesar de sua destreza, o herói tem que lidar com um vôo em queda livre em alta velocidade e ainda se desviar da balas de seus inimigos. Em um momento limite, onde o herói cai para a morte, ele é salvo por... Batman. A dupla consegue alcançar o avião seqüestrado e libertá-lo. Dentro, encontram Robert Oppenheimer, responsável pelo Projeto Gotham, um dos maiores segredos do país. Ao tentar interrogar os seqüestradores, cada um deles morre com um sorriso no rosto... efeito colateral do veneno aplicado em suas peles... marca registrada do vilão... Coringa.

Pela terceira vez, o tal Coringa tentou roubar itens ligados ao Projeto Gotham. Os militares acreditam que ele seja apenas um peão nessa história, manipulado por alguém superior. Na verdade, eles tem um suspeito... um playboy milionário que tem concedido somas vultosas ao Projeto Gotham. Seu nome é Bruce Wayne. A desconfiança está na crença de que ninguém enriquece tanto sem alguns negócios sujos. E Wayne parece limpo demais. O Capitão América acha absurda a observação. Afinal, ele também tem uma ficha limpa. Isso o tornaria um suspeito também? Além disso, estranha que requisitem sua ajuda em um caso como esse, uma vez que Gotham City já conta com o melhor do mundo. Mas Batman não está sob o comando militar, já Steve Rogers, sim. Por isso, designaram Rogers como segurança pessoal de Bruce Wayne. O Capitão América tem setenta e duas horas para investigar o milionário.

No dia seguinte, Steve Rogers descobre que acompanhar Bruce Wayne... traduz-se em horas de tédio... praticamente insuportáveis para uma arma viva como o Capitão América. No entanto, ao espionar na calada da noite, descobre Wayne falando com seu pupilo, Dick Grayson, sobre não poder revelar certos segredos e a necessidade de despistar Rogers e manter seu compromisso com o Coringa. 

Rondando sorrateiramente o dormitório de Bruce Wayne, Rogers o vê saindo furtivamente de sua mansão. O fato de Wayne dirigir muito bem para alguém que depende de um motorista demonstra que o milionário deve ter mesmo algum segredo. Ele segue para os escritórios de Wayne e Rogers é obrigado a desacordar o vigia para continuar seguindo-o. Dentro do edifício, descobre que o elevador social só o leva até o 75° andar e o particular foi travado pelo milionário. Escalando cinco andares, o herói invade o escritório e Wayne demonstra uma agilidade que só um atleta olímpico poderia ter. Ambos lutam e se surpreendem com as habilidades de combate um do outro. Notando que aquela luta começa a se tornar insensata, percebem com quem realmente estão lutando. Wayne nota que apenas um homem no mundo poderia superá-lo em combate: Rogers é o Capitão América. E Rogers percebe que a fortuna de Wayne apenas esconde o único homem com aquela perícia em artes marciais: Bruce Wayne é o Batman.

Reunidos na batcaverna, Batman e Capitão América chegam a conclusão que o Coringa não pode estar agindo sozinho. O carro do vilão tinha partículas de plutônio e ele não seria idiota em desfilar com material radiativo pela cidade. No entanto, o Capitão já imagina quem possa estar por trás desses ataques. Afinal, os nazistas tinham sua versão do Projeto Gotham... e não era exatamente operacional. Saber que algo relacionado e funcional estaria na mãos de inimigos, faria com que eles tentassem qualquer coisa para roubá-lo... inclusive contratar o Coringa.

O Comissário Gordon ativa o batsinal, mas Batman não pode sair antes que seu computador analise as pistas. É então que Gordon recebe a ajuda de... Capitão América e Robin. Um lancha da guarda - costeira foi encontrada à deriva no lago. Morreram cinco patrulheiros... todos com deformações faciais e dentes à mostra. A marca registrada do Coringa. Traçando uma rota dos últimos ataques, o Capitão América chega a conclusão que estão rumando para Washington. 

Ao chegarem ao local onde os oficiais foram mortos, Capitão América e Robin percebem uma peculiaridade nos cadáveres. Ao invés de estarem apenas deformados por um tétrico sorriso, o rosto deles mudou de cor... para vermelho. Robin não entende porque o Coringa está usando uma variação do veneno hilariante. Mas o Capitão América já sabe que se trata de outra ameaça... que foi mantida em segredo até mesmo da imprensa. O herói e o menino prodígio seguem apressadamente para base secreta americana, provável ponto do novo ataque do Coringa. No caminho, o Capitão sente um estranho arrepio.

Algum tempo depois, a dupla se encontra com Batman e Bucky e sobrevoam a cidade, perseguindo o avião do Caveira Vermelha. O vilão havia capturado Batman e Bucky, mas a sua arrogância era tamanha que (ao contrário do que faria o Coringa) ele não verificou se o homem morcego estava realmente amarrado. Batman, antes de ser capturado e sabendo que o Caveira é o tipo de vilão que gostaria de se exibir para o Coringa ao matar seu pior inimigo em grande estilo, contraiu seus músculos ao ser amarrado. Ao relaxar, as cordas ficaram frouxas... e isso permitiu que escapasse, salvasse Bucky e ficasse longe da explosão. Batman ainda conseguiu alcançar a base militar, fazendo com que os soldado simulassem suas mortes pelo gás do Coringa. Apesar de sua astúcia, muita gente já havia morrido no plano dos dois vilões.

Batman acopla sua nave ao avião do Caveira Vermelha, que leva uma perigosa carga para Washington. Batman e Capitão América conseguem invadir o avião do Caveira. Ao ligar as turbinas de sua nave, o vilão faz com que o batplano dos heróis caia com Robin e Bucky, que permaneceram nele. Enquanto seus tutores enfrentam os asseclas do Caveira, Robin consegue fazer com que subam novamente. A intenção do Caveira Vermelha é jogar uma bomba atômica em Washington. Como o próprio governo americano escondeu o segredo dessa bomba, o Caveira acredita que os méritos serão dos nazistas. Enquanto o Batman enfrenta o vilão, Capitão América consegue desviar a nave para o alto-mar. Mesmo assim, a radiação contaminará tudo em um raio de sessenta quilômetros. É então que os heróis recebem uma ajuda inesperada: o Coringa, que havia sido capturado pelo Caveira Vermelha para servir de exemplo da "monstruosidade americana" a ser mostrada aos nazistas, danifica o mecanismo que libera a bomba. E o mais surpreendente é que o que move o Coringa é ele admitir que, apesar de louco, ainda é um louco americano. A briga entre os dois vilões faz com que caiam no meio do Atlântico, juntamente com a bomba.

Capitão América e Batman tentam dominar a nave, que só consegue seguir em linha reta. Juntando esforços, a dupla faz com que a nave incline e suba ainda mais... fazendo-os escapar da explosão nuclear. A nave agüenta a turbulência do impacto e os heróis, posteriormente, tomam ciência de que Bucky e Robin conseguiram pousar. A dupla de heróis explica que o forte brilho que viram no horizonte é o prenúncio de uma nova e terrível era. Mesmo assim ambos não acreditam que é a última vez que viram o Caveira Vermelha e o Coringa.

Vinte anos depois, no Atlântico Norte, Batman (nova identidade de Dick Grayson) e o novo Robin (que, ironicamente, se chama Bruce) voltam de uma missão onde enfrentavam o Coringa Júnior. No caminho, o batsumarino esbarra em uma espécie de bloco de gelo que apresenta estranha leituras. De fato, ao trazê-lo para dentro e desmanchá-lo... descobrem que que em seu interior... está o Capitão América.

Levado para a Mansão Wayne, Dick Grayson explica que assumiu a identidade de Batman, enquanto o novo Robin é filho de Bruce Wayne, que se aposentou da carreira de herói. Os heróis dão boas vindas ao Capitão América, que todos acreditavam ter desaparecido no final da guerra, mas ficou preso no gelo, hibernando... retornando quando o mundo novamente precisava de sua presença.
A+:

* O escritor e desenhista John Byrne, aproveitando o clima mais ameno entre as duas maiores editoras de quadrinhos de super-heróis, Marvel e DC, criou esse encontro entre personagens de ambas, em um cenário onde não há explicações de universos separados. Tanto Batman quanto Capitão América tem ciência da existência um do outro (apesar de esse ser considerado o primeiro encontro entre eles). Diferente dos demais encontros intereditoriais, Byrne preferiu homenagear os personagens colocando-os em um período onde suas histórias brilhavam pela primeira vez. Afinal, Batman foi criado em 1939 e o Capitão América em 1941. Dessa forma, uma das diferenças mais notáveis é um Batman mais sorridente e leve, muito comum a um período de suas histórias.

* Além de a história em si ser uma grande homenagem, Byrne também presta reverência a outros artista, principalmente ligados a mitologia do Batman, citando-os como nomes em ruas e armazéns de Gotham City. São citado os nomes Moldoff (de Sheldon Moldoff, co-criador dos supervilões Hera Venenosa, Senhor Frio, o primeiro Cara de Barro, além do Batmirim, Batwoman e Ace, o batcão); Sprang (de Dick Sprang, que reformulou o batmóvel nos anos 50 e criou o visual do Charada); Robinson (de Jerry Robinson, co-criador do Coringa) e Finger (de Bill Finger, co-criador do próprio Batman).

* O segurança do edifício pertencente a Bruce Wayne chama-se O'Hara. É uma homenagem ao personagem Chefe O'Hara, que foi criado exclusivamente para a série televisiva do Batman nos anos 60 e interpretada pelo ator Stafford Repp. Esse personagem foi incorporado posteriormente aos quadrinhos, mas nunca teve o mesmo destaque que seu homônimo na TV, limitando-se a participações ou citações especiais.

* A idéia do epílogo, onde o Capitão América é encontrado congelado (uma versão da volta do personagem nos anos 60, encontrado pelos Vingadores) partiu do escritor Roger Stern, que trabalhou com John Byrne quando formavam a equipe criativa da revista mensal do Capitão América.

* O nome Projeto Gotham, no qual os Estados Unidos criaram secretamente a primeira bomba atômica, é uma alusão ao Projeto Manhattan que, no mundo real, teve o mesmo objetivo, produzindo as primeiras bombas desse tipo, na Segunda Guerra Mundial. O personagem de poderes atômicos Doutor Manhattan, da série Watchmen, também é uma alusão a esse mesmo projeto.

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