domingo, 24 de fevereiro de 2013

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 299


- Captain America 300 (Dezembro de 1984)
> Publicada no Brasil na revista Capitão América n° 99 ("O Crepúsculo da Maldade - parte 2")

História: 

* "Das Ende" - Escrita por J. M. DeMatteis, desenhada por Paul Neary, artefinalizada por Dennis Janke

Enquanto o Capitão América e o Caveira Vermelha lutam no subsolo da mansão do vilão, Jesse Corvo Negro assume sua forma totêmica e voa em auxílio ao herói, pois teve uma visão aterradora sobre ele. 

Dave Cox, o amigo de Steve Rogers que foi transformado forçosamente no vilão Assassino, agoniza em um hospital. Seu estado se agrava e sua esposa teme que ele não sobreviva.

O Caveira vermelha revela que o veneno que injetou nele e no Capitão não tem antídoto. Eles estão realmente condenados. O vilão provoca cada vez mais o Capitão América, para despertar-lhe ira suficiente nele a ponto deste tentar matá-lo. No entanto, para desespero do Caveira, o Capitão recua... pois sabe que, assim, estará realizando o último desejo de seu inimigo: mostrar que o ódio prevalece sobre a razão. O vilão sucumbe nos braços do Capitão, vítima primária do veneno que aplicou. No instante em que o Caveira morre... Dave Cox volta milagrosamente do coma! A sombra do Corvo Negro está na janela do hospital e, vendo que a família finalmente está bem, parte em direção ao Capitão.

Ironicamente, o Capitão América descobre que a destruição da Mansão foi uma farsa, armada pelo Caveira para desesperar o herói. No final, esse truque de nada adiantou. Porém, o veneno ainda corre nas veias do Capitão. Corvo Negro, utilizando seus poderes místicos, consegue dissipar os efeitos da substância do corpo do herói. 

Nômade entra na mansão e encontra o Capitão América carregando o corpo do Caveira. "Está mais do que na hora de enterrar o passado. De uma vez por todas".

Continua...
A+:

* Além de J.M. DeMatteis, um escritor que dividiu a autoria dessa história com ele foi Michael Ellis. Era um escritor muito peculiar (apesar de seu caso não ser único). A diferença de Michael Ellis e outros escritores era que... Michael Ellis nunca existiu!

Tudo aconteceu quando DeMatteis, para comemorar a 300ª edição da revista do Capitão América, criou um roteiro com o dobro de páginas costumeiras, onde o herói zelava por manter a paz ao invés de sucumbir ao ódio proclamado pelo Caveira. Essa decisão tomaria proporções mundiais, com o Capitão América zelando pela paz mundial a qualquer preço. A polêmica estava em vilões como o Doutor Destino apoiando seu ponto de vista (obviamente com segundas intenções), o que colocaria o Capitão em descrédito perante o público.

Era uma espécie de crítica ao período político pelo qual os Estados Unidos passavam, onde a era Reagan transformou o país em uma espécie de "império do mal" devido à corrida armamentista, no auge da guerra fria.

O enredo ainda mostrava que o único capaz de deter a cruzada do Capitão era Nômade, que acabaria matando seu parceiro em nome do governo. Com a chocante morte, o mundo de fato ficaria pelo menos alguns minutos sem nenhum conflito e o Universo Marvel teria um marco em sua história. É claro que, em se tratando de super-heróis, já havia um planejamento para a volta do herói (mesmo que não fosse pelas mãos de DeMatteis).

Roteiro aprovado, DeMatteis entregou todo o material para o editor Mark Gruenwald, que aprovou previamente a ideia. Porém, ao chegar no editor-chefe, Jim Shooter, não só desaprovou a história (ou parte dela), como tomou a liberdade de alterar ele mesmo vários trechos. Bem, DeMatteis havia trabalhado e deveria receber créditos por isso, afinal. Mas não assumia o que foi alterado, mesmo porque mudou totalmente o rumo do que havia planejado. Dessa forma, para assumir a adulteração, DeMatteis criou... Michael Ellis.

O escritor saiu em seguida a esse período e ficou com uma espécie de trauma em relação a quadrinhos, principalmente do gênero de super-heróis. Se voltasse a escrever, provavelmente não colocaria seu nome na indústria. Michael Ellis, talvez. Porém, quando mais tarde trabalhou para a concorrente da Marvel, a DC Comics, Paul Levitz proibiu que se usassem pseudônimos nas histórias (a DC já tinha sua cota de escritores fantasma no passado). Também encorajado pelo escritor Keith Giffen, DeMatteis voltou a assinar seu nome e, justamente com Giffen, foi um dos co-autores de um dos maiores sucessos da segunda metade da década de 80 nos quadrinhos: a versão cômica da Liga da Justiça.

Hã... Alguém em algum momento citou... Guerra Civil?

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