domingo, 23 de dezembro de 2012

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 240

 - Captain America nº 255 (Março de 1981)
> Publicada no Brasil no especial Os Maiores Clássicos do Capitão América nº 1, pela Editora Panini ("A Lenda Viva")


História:

* "The Living Legend" - Escrita por Roger Stern e John Byrne, desenhada por John Byrne, artefinalizada por Josef Rubinstein

Na comemoração do 40º aniversário da criação do personagem (quando esta história foi publicada), sua origem é recontada de forma a colocar em ordem toda a mitologia do personagem.

Através de relatos feitos diretamente ao presidente Franklin Roosevelt, ficamos sabendo um pouco mais sobre Steve Rogers. Rapaz criado em um bairro e família pobres, perdeu o pai ainda na adolescência, quando sua mãe foi obrigada a esforçar-se para mantê-los, trabalhando como lavadeira. Porém, o esforço a fez descuidar-se da própria saúde, vindo a vitimá-la com pneumonia.

Sozinho, Steve Rogers se virava com pequenos serviços de entregador. Nessa época, teve contato com documentários onde as notícias do avanço nazista na Europa eram apresentada. Chocado com o que viu, Steve ficou obcecado em ajudar o mundo de alguma forma. Muito fraco e debilitado, não tinha o perfil exato para ingressar no exército. Ainda assim, insistia em servir como voluntário.

Essa determinação chamou a atenção de um militar, que o convidou a participar do experimento conhecido como Operação Renascimento. Levado a um local secreto, foi-lhe administrado um soro especial, criado pelo renomado bioquímico Abraham Erskine. O projeto era tão secreto que Erskine foi dado como morto, em uma farsa para resguardar sua participação. Steve também bebeu a versão oral do mesmo soro e os efeitos do mesmo ainda foram acelerados com os raios vita. O resultado dessa experiência foi que o franzino garoto ganhou mais massa muscular, força e agilidade sobrehumana. No dia da experiência, no entanto, Erskine foi morto por um espião nazista, fazendo com que Rogers fosse o único beneficiado pelo soro do supersoldado, uma vez que o cientista não fez anotações sobre a fórmula. O espião foi morto ao levar um golpe do agora fortificado Steve, lançando-o contra a máquina de raios vita. Ao tentar se levantar, o espião é eletrocutado.

Treinado com os melhores mestres em luta corporal e estratégia militar, o jovem Steve Rogers também ganhou um uniforme especial e um escudo a prova de balas, vindo a se tornar um agente especial dos americanos contra o avanço nazista. Um herói que ficaria sendo conhecido como... Capitão América.

Algumas mudanças ainda iriam ser feitas no próprio Capitão. Em uma de suas primeiras missões, percebeu que a sua máscara, que não fazia exatamente parte com o restante do uniforme, poderia ser retirada facilmente pelos inimigos, o que revelaria sua identidade. Para resolver esse problema, um novo uniforme foi desenhado, onde a máscara fazia parte conjunta e o tecido foi reforçado com uma espécie de malha de aço, protegendo partes vitais de seu corpo.

Outra mudança aconteceu quanto ao formato do famoso escudo, que passou a ser circular, devido a observarem que o herói o utilizava também como arma de ataque, atirando-o contra os inimigos. A liga metálica utilizada no escudo era um mistério da metalurgia, uma vez que surgiu em uma espécie de acidente experimental (futuramente, seria explicado que era uma liga de adamantium e vibranium). Esse novo escudo foi entregue pelo próprio presidente Roosevelt.

Para proteger a identidade secreta do herói, Steve Rogers foi colocado em um regimento do exército, onde fingia ser um simples e desastrado recruta. Lá, ele conheceu o jovem Bucky Barnes, que descobriria sua identidade e se tornaria uma espécie de parceiro mirim em suas aventuras.

Segue-se um rápido resumo dos acontecimentos seguintes, onde vemos a morte de Bucky ao tentar deter uma bomba em um avião teleguiado. O mesmo acidente lançou o Capitão América nas águas geladas do Ártico, onde estranhamente permaneceu congelado até ser encontrado pelos Vingadores, décadas depois, renascendo como a lenda viva americana.
A+:

* Apenas a última página dessa história foi finalizada por Josef Rubinstein. Todo o restante foi feita pelo próprio desenhista, John Byrne.

* A primeira página da história é uma homenagem de Byrne a capa da revista Captain America Comics nº 1, de 1941, onde o herói surgiu.

* A revista original onde foi publicada esta história é chamada de Captain America Comics apenas no logotipo, uma vez que a revista mensal chamava-se apenas Captain America. A adição da palavra "comics" também é uma homenagem a revista do herói publicada na década de 40, que trazia esse título.

* Esta história tem a intenção de fazer o leitor esquecer de uma vez por todas das falsas memórias do Capitão América em aventuras passadas.

* Uma das versões sobre a equipe criativa formada por Stern / Byrne ter se despedido nessa edição, é que Jim Shooter, então editor-chefe da Marvel (e uma das figuras mais polêmicas da indústria), decidiu que não seriam mais feitas histórias em continuação. Porém, a equipe já havia previsto uma próxima história em três partes. Como protesto da decisão de Shooter, Stern saiu do título, seguido por Byrne. Boato ou não, as histórias em continuação ainda seriam uma tradição por muito tempo na Marvel.

* Outra versão da saída da equipe, dessa vez do lado de Stern, estava no fato da mão pesada de Shooter cobrar insistentemente que os prazos fossem cumpridos. Stern adoeceu durante o processo e parece ter desagradado o editor, que prezava pelo roteiro entregue, custe o que custar. Pressionado, Stern achou de bom tom sair do título, utilizando como marco a história comemorativa dos 40 anos do personagem. A forma como a história termina, com o Capitão América voltando de uma noite combatendo o crime e ter a dura tarefa de ter que ainda terminar suas páginas de storyboard (Steve Rogers trabalhava como desenhista), sem dormir, sem descanso, é meio que um reflexo do clima que os autores sofriam na época.

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