sábado, 5 de maio de 2012

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 16

 
 - Captain America Comics 52 (Janeiro de 1946)
> Publicada no Brasil na revista O Guri nº 294 e 296 ("O Caso da Máquina de Escrever Telepática" e "A Bela e a Fera")


História:

* "The Case of the Telepathic Typwriter" - Escrita por Bill Finger, desenhada por Vince Alascia
* "Beauty and the Beast" - Escrita por Bill Finger, desenhada por Vince Alascia


Um escritor é cobrado por uma rádio para criar uma novela radiofônica onde apareça um monstro tão ou mais terrível do que o monstro de Frankenstein. O escritor cria então Am, criatura que é tão bem escrita e faz tanto sucesso... que o público começa a acreditar que ele existe. Essa "fé" na existência do monstro tem um efeito sobrenatural sobre a criação... Am passa a existir na vida real, tão destrutivo quanto nas histórias em que é escrito. Aterrorizado no começo, o escritor passa a usar sua criação uma vez que percebe que tudo que datilografa sobre suas histórias se torna realidade. O escritor, então, usa esse poder para que Am cometa crimes e até enfrente o Capitão América.

Am toma consciência de sua dependência da mente do escritor e, em dado momento, toma conta da máquina de escrever, tornando-se e indepentente e matando seu criador. Sequestra uma repórter (num clássico chavão ao estilo a Bela e a Fera), que convence a criatura a também executar boas ações... como prender um criminoso, por exemplo. Am leva um famoso criminoso até a caverna onde se esconde, mas este também convence a criatura de que as mulheres gostarão mais dele se roubar jóias e dinheiro. Apaixonado pela repórter, Am começa a roubar.

Capitão América e Bucky chegam até a caverna da criatura e, no meio da batalha, a repórter toma conta da máquina de escrever. Nela, escreve "Am morre". Quando isso acontece, a criatura cai em um enorme fosso. Capitão lança a máquina de escrever no mesmo fosso para que seja destruída.

A+:

* Aqui existe um ponto interessante dentro da continuidade do universo Marvel... ou do que seria o universo Marvel.

O Capitão América foi criado em 1941 e sua revista durou até 1950. Quando a Marvel surgiu (e seu universo de personagens) o herói foi resgatado do passado e reintroduzido nesse novo cenário. Para explicar como ele sobreviveu (e onde estava, afinal), criou-se a história de que ele caiu nas águas geladas do ártico após uma explosão (que vitimou seu parceiro, Bucky) e permaneceu congelado, sendo revivido em meados da década de 60 (quando as histórias da Marvel estavam iniciando suas publicações).

Levando essa nova cronologia em conta, e de que o Capitão América original supostamente sumiu em 1945, quando foi congelado, as histórias posteriores a isso consideram que quem usava o uniforme do herói NÃO ERA STEVE ROGERS. Em seu lugar, o próprio presidente Truman escolheria um outro herói, até então conhecido como Indendente, para vestir o manto de Capitão América. Consequentemente, também escolheria outro Bucky.

Essa história, portanto, tem como identidade secreta do Capitão América outro civil, William Nasland, considerado o segundo Capitão América.

É claro que, na época em que essa história foi publicada, esse fato sequer era cogitado, assim como uma existência de Universo Marvel, William Nasland ou mesmo de algo chamado "continuidade" nos quadrinhos. Isso surgiu depois, reaproveitando fatos passados, o que se chama tecnicamente de retcon.

Portanto, daqui em diante, acompanhamos as aventuras de William Nasland, o segundo Capitão América, juntamente com seu parceiro, Fred Davis Jr, o segundo Bucky.

* Coincidência ou não, a história que considera William Nasland como o novo Capitão América de fato traz mudanças até mesmo no clima da história. Até mesmo sua estrutura, que traz uma história em continuação, apesar de ser publicada dentro da mesma revista, ou seja, uma história mais longa, em duas partes. Parte desse "novo clima" se deve ao novo e ilustre escritor: Bill Finger. Ele é o criador, junto ao desenhista Bob Kane, de outro famoso herói dos quadrinhos, Batman, apesar do personagem pertencer a outra editora a National Periodical, futura DC Comics que seria a principal rival da também futura Marvel.

5 comentários:

Anônimo disse...

Olá!!!

Teve um episódio de Supernatural assim, lá na 1ª temporada quando a série era boa, a crença na criatura é o que dá vida a ela; mas eu sei que ESSA estória aqui foi escrita uns 300 anos antes :)

Já essa parte aqui: "Am toma consciência de sua dependência da mente do escritor" me lembrou aquele filme "Mais Estranho que a Ficção" ['Stranger Than Fiction', no original]com o Will Ferrell, Emma Thompson, Dustin Hoffman em que de repente o personagem do Will começa a ouvir alguém narrando sua vida e no fim ele até se encontra com a autora do livro (que é a vida dele) é um filme muito bom e é legal ver o Will Ferrell em algo que não seja comédia.

Pobre Am, no fim das contas ele era só uma vítima.

Como assim não era o Steve?!!!!!!!

O William Nasland vai ganhar um retcon, ou ninguém vai ligar para isso não? (Por tudo q vc já me contou, acho que não, mas....)

beijos
J.

Dark Marcos disse...

Essa idéia de "criador x criatura" é usada em várias obras de ficção. Não saberia listar agora, mas é um tema recorrente. Porém, a história de Am foi bem interessante.

William Nasland surgiu justamente por um retcon. Já no original, quando foi publicado, os leitores jamais imaginariam que não se trata mais do Rogers.

Anônimo disse...

Oi.

O Willian já é um retcon, mas ele não vai ganhar mais nada? Sabe, um passado, uma família sua própria donzela em perigo? Nada?

bjos
Jovie

P.S.: Fugindo do assunto, vc já assistiu Supernatural alguma vez?

Dark Marcos disse...

O Nasland seria "retconeado" futuramente, mas sua carreira como Capitão foi curtinha mesmo.

E sobre Supernatural apenas li ou vi alguns pedaços, mas nunca assisti de fato. Questão de tempo. Quando conseguir uma folguinha, procurarei assistir.

Bjo.

Anônimo disse...

É eu já li aqui, já mataram o coitado.

Quando (e se) vc for assistir Supernatural começa lá da primeira temporada, não perca seu tempo vendo episódios da 6ª e 7ª porque aí vc vai pensar que a série é um lixo.

bjos