sábado, 31 de outubro de 2009

THOR - Parte 130

- Thor 64 (Julho de 2003)

Histórias:

* "One Night" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Paco Medina

Catolicismo versus Asgardianismo. Segundo Round. ou "Você Acha Que Sou Loki?"

A história isolada em uma cidadezinha pesqueira da edição passada não estava ali por acaso, afinal. Ela só serviu para mostrar uma pequenina parcela do que aconteceria a seguir. E nem mesmo a arte estilizada de Paco Medina foi posta por acaso. Para alguns, o seu traço deixaria a história até mesmo com um visual um tanto infantil, claramente influenciado por mangás (quadrinhos japoneses). Mas essa amenização parece tentar amortecer o verdadeiro barril de pólvora que esse novo mundo de Thor se tornou. Eu disse "tentar"...

E o que Loki... o sumido Loki... teria a ver com tudo isso? As coisas tem caminhado para uma direção tão catastrófica que muitos imaginam que o antigo inimigo de Thor teria a ver algo com isso. Na verdade... não!

Loki sempre foi um vilão peculiar. Diferente dos outros grandes vilões da Marvel, ele não tem exatamente um objetivo em seus atos maldosos. Muitas vezes, é verdade, conseguiu se sentar no trono de Asgard, como prêmio máximo. E, em todas as suas conquistas, logo em seguida sofria uma humilhante derrota e expulsão. Mas a verdade é que nunca deu um passo maior que a perna. Quando isso acontecia, era justamente hora de seus planos darem errado. Mesmo o trono de Asgard representava apenas uma reta final para seus planos. Nunca foi um sonho cobiçado por ele. O que Loki sempre tencionava fazer, realmente, era incomodar. Não importa como.

Nessa nova fase, onde seu até então odiado irmão herdara o citado trono de Asgard, Loki parecia ter perdido seus propósitos de conquista e de vilania. Mas não era bem isso. Pelo contrário. Até apoiava Thor em sua empreitada. Dava a impressão de que as coisas não estavam bem simplesmente porque Loki apoiava. Se alguém tão mal estava gostando da situação, é porque ela não podia ser boa. Mas também não era isso. Essa sua mudança de pensamento apenas prova que não era que ele perdeu seus propósitos. É que Loki nunca teve exatamente um grande propósito. A não ser, é claro e como já citado,o propósito de incomodar.

E nesse clima de guerra santa em que o mundo se meteu graças a influência de Thor, Loki viu o quintal ideal para poder dar um empurrãozinho no caos, satisfazer-se vendo o circo pegar fogo e, melhor de tudo, não ser culpado diretamente pelo que estava acontecendo. Nunca o vilão sequer sonharia em alcançar tal objetivo. Com certeza, se soubesse que esse futuro sombrio fosse possível, aí sim, abraçaria esse propósito como sua conquista máxima. Enfim, essa vitória, ironicamente, foi conseguida sem o menor esforço.

Na cidade dos pescadores, Loki, disfarçado, anda influenciando os dois lados religiosos: o dos thoristas (seguidores do asgardianismo), que se sentem ameaçados por suas novas crenças não serem aceitas, e os católicos, que vêem os thoristas crescerem e se tornarem tão violentos quanto guerreiros vikings (porém, mal treinados). A situação chega ao absurdo quando um padre coloca uma arma de fogo nas mãos de um cidadão e ele dispara contra os thoristas, o que desencadeia uma catastrófica batalha. Isso é só um exemplo do que acontece pelo mundo todo, não só em relação ao catolicismo, mas diante de todas as religiões não-thoristas. Isso tudo fica pior quando o Vaticano tenta convencer Thor do erro de seus atos e ele, mais arrogante e irredutível do que antigamente, não dá ouvidos e expõe seu ponto de vista, acusando a Igreja de nunca ter feito melhoria nenhuma em séculos de história, além de ditar as regras de seus fiéis em seus momentos mais íntimos (Dan Jurgens em fúria!).

Mas... como assim um padre coloca uma arma de fogo nas mãos de alguém?!?!?!?!?!? Pois é... no calor do momento, ninguém percebeu o absurdo. Nem mesmo que o tal padre era Loki disfarçado. Afinal, como dizem, o diabo se esconde atrás da cruz...
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