sexta-feira, 19 de outubro de 2018

ALMANAQUE DISNEY 1974

Que tal descobrir quais são os nomes de alguns personagens que contracenam com o ratinho mais ilustre dos desenhos? A Minnie, por exemplo, se chama é Minerva Mouse, enquanto que o nome completo do Pato Donald é Donald Fauntleroy. Já o nome original do Pateta (ou Goofy, no idioma original) é Dippy Dwag, e o da Margarida, bem, é Margarida mesmo — embora em inglês ela seja chamada Daisy Duck.

Todos eles figuravam no Almanaque Disney, título que publicava histórias de praticamente todos os seus personagens, com foco em franquias que iam dos desenhos de curta e longa metragem, além dos filmes produzidos pelos estúdios.

ALMANAQUE DISNEY
1974
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada

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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

ALMANAQUE DISNEY 1973



O "Superpateta"... Foi criado em 1965 por Del Connell & Paul Murry, e é o alter-ego super-heróico do "Pateta": Que ganha superpoderes (super-força, raios laser, poder de voo, etc) - parodiando o "Superman" - ao ingerir amendoins especiais numa plantação em seu quintal. O efeito dos poderes dura pouco, e o "Pateta" precisa carregar consigo uma reserva de amendoins (pra não perder seus poderes durante um voo, por exemplo). Claro, que os amendoins acabam rápido: Deixando o Pateta na mão (e em situações constrangedoras) o tempo todo!

A popularidade dessa outra identidade do Pateta forçou os autores a adaptarem rápido para o formato como ele ficou conhecido. No mesmo ano de sua origem, foram três remodelações da ideia original. Primeiramente, era pra ser apenas uma história onde Pateta imaginava ter superpoderes para enfrentar o Mancha Negra. Com o sucesso da história, os autores resolveram voltar ao tema, fazendo com que o Professor Pardal lhe desse superpoderes de forma artificial, através de uma capa especial. Sua versão definitiva surgiria já na terceira história, onde ele encontra amendoins irradiados por um meteorito e que, quando consumidos, lhe concediam poderes especiais.

Foi uma das estrelas do Almanaque Disney, título que publicava histórias de praticamente todos os seus personagens, com foco em franquias que iam dos desenhos de curta e longa metragem, além dos filmes produzidos pelos estúdios.

ALMANAQUE DISNEY
1973
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada


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ALMANAQUE DISNEY 1972

Voltaremos o mais breve possível com nossos artigos da Gibiteca Âmago e, possivelmente, com os aclamados DIÁRIOS. Enquanto isso, para que possamos tornar isso cada vez mais viável, vamos captar recursos através da loja oficial do blog, a Sala de Perigo, com anúncios que, notem, também são acompanhados sempre de micro curiosidades.

A partir da oitava edição, Almanaque Disney, que surgiu como uma espécie de spinoff da revista do Tio Patinha, ganhou sua independência e passou a ser publicada mensalmente.

O Almanaque Disney publicava histórias de praticamente todos os seus personagens, com foco em franquias que iam dos desenhos de curta e longa metragem, além dos filmes produzidos pelo estúdios, em adaptações com um traço mais sério. Além desse atrativo, trazia também atividades e curiosidades gerais, como a série Maravilhas da natureza.


ALMANAQUE DISNEY
1972
Editora Abril / Walt Disney


APRESENTAÇÃO DE CADA EDIÇÃO: 132 páginas coloridas, formato 13,5 x 20,5 cm, lombada quadrada


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sábado, 25 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 06: ACTION COMICS 01 (Junho de 1938) SUPERMAN



Após a saída de Malcolm Wheeler-Nicholson de sua empresa, a National Allied Publications, a mesma foi comprada em um leilão de falência e fundida com a recém-formada Detective Comics, Inc. (formada com o próprio Malcolm e Jack S Liebowitz, contador de seu credor), passando a se chamar National Comics Publications. Após incorporar seu próprio sistema de distribuição, passaria a ser conhecida como National Periodical Publications. Mas o próximo passo, já sem seu fundador, foi a criação da quarta revista do grupo, a Action Comics, que criou um arquétipo predominante até os dias de hoje nos quadrinhos: o gênero dos super-heróis, estreado pelo então novo personagem conhecido como... Superman. A importância desse evento editorial marca, inclusive, o início do que é conhecido como a Era de Ouro dos Quadrinhos.

Os criadores do Superman, os jovens Jerry Siegel e Joe Shuster, haviam concebido o personagem anos antes, sem sucesso em encontrar quem o publicasse. Porém, nesse período que antecede a Action Comics, o personagem conhecido como Superman era bem diferente do que conhecemos. Sequer era um herói. Careca, em um visual de cientista louco, com poderes mentais, adquiridos após um nefasto experimento, usados para o mal, Superman (aqui como um vadio conhecido como Bill Dunn) mais parecia com um Lex Luthor do que com um super-herói. Como não estava dando certo a publicação do personagem dessa forma, viraram o conceito do avesso e decidiram transformar Superman em uma força do bem ao invés de uma força do mal.

O novo material seria destinado (e assim foi produzido) para o formato de tiras de jornais. Chegaram muito perto de conseguir espaço para publicar o novo personagem, mas ou havia desinteresse por parte dos editores ou o simples acaso parecia conspirar para que o herói não viesse ao mundo. A editora Consolidated Book Publisher chegou a ser um desses espaços, não tivesse abandonado o mercado de quadrinhos devido ao pouco sucesso de sua única revista, Detective Dan. A péssima fase da dupla de criadores chegou ao ponto de quase findar com a amizade entre eles. Siegel julgava que o fato de serem tão jovens e desconhecidos era motivo para que não atraíssem um editor. Com isso, procurou outros parceiros como o desenhista Leo O'Meallia (que já conhecia alguns meios para publicar novas histórias em tiras de jornais... o que não vingou) e Russell Keaton (desenhista de Buck Rogers, que também tentou com outro sindicato de jornais... sem sucesso). Nesse ínterim, entre um desenhista e outro, Siegel começou a desenvolver detalhes do personagem para torná-lo mais aceitável. Mostrado como um homem do futuro, onde a humanidade tem superpoderes, foi nessa fase que desenvolveu suas capacidades, até chegar a mostrá-lo como um ser superpoderoso adotado e até mesmo a criar o nome Clark Kent.

Mas e Joe Shuster, seu notório amigo e parceiro desenhista? Como reagiu a essa "troca" na equipe criativa? Bom... se ele soubesse o que o amigo estava tentando... E pior que soube. E a amizade, nessa hora, se viu ameaçada. A "traição" causou a fúria de Shuster, que destruiu boa parte do material original de seu novo personagem. Bem... a amizade foi mantida e o plano desesperado de Siegel foi descartado, enfim. Ao fazerem as pazes, desenvolveram mais detalhes, como o fato do personagem ser um alienígena do planeta Krypton, um uniforme vistoso (apesar de bem primário e diferente do que conhecemos hoje) e o estranho triângulo amoroso entre Clark, Lois e o próprio Superman. Esse desenvolvimento também se deve a muito material que inspirou a dupla na criação do personagem. Temos então material como o personagem John Carter (de Edgar Rice Burroughs), a personalidade heroico-aventureira do ator Douglas Fairbanks (que interpretou ícones como Zorro - de onde surgiu a dupla personalidade - e Robin Hood), a cidade de Metropolis inspirada pelo filme de mesmo nome dirigido por Fritz Lang, o ar abobalhado do comediante Harold Lloyd para compor a personalidade igualmente (ou até mais) abobalhada de Clark Kent. O fato de o personagem ser um repórter veio de sonhos profissionais de Siegel e até mesmo o triângulo amoroso vem de sua vivência pessoal, já que, jovem, tinha lá seus "problemas" (timidez) junto às garotas. Visualmente, Shuster, que procurava material para desenvolver sua arte, acaba se tornando fã de fisiculturistas, o que o levou aqueles homens fortes que se apresentavam em circos, influenciando assim o visual do super-herói. Ainda tendo o circo como inspiração, ainda utilizou elementos que lembram aqueles "homens voadores" que se apresentavam ao público vestindo uma capa, antes do show. Há ainda toques futuristas de Flash Gordon. O semblante do personagem é um misto de Johnny Weissmuller (um dos mais notórios atores a interpretarem Tarzan) e Dick Tracy. O Planeta Diário não se chamava assim na primeira história, mas era Estrela Diária, referência ao jornal Toronto Daily Star, do qual os pais de Shuster eram assinantes e ele até trabalhou como entregador do mesmo. O fato de a dupla ter como ponto em comum serem filhos de imigrantes judeus também pode ser um ponto de influência na criação do personagem. Alguns estudiosos veem isso como uma alusão de um imigrante (alienígena) vindo de uma terra e cultura diferentes (Krypton) e tenta se encaixar em um novo mundo (Terra) e costumes ao qual quer se adaptar, ainda que prevaleça sua crença em seus bons princípios.

Siegel e Shuster começaram a produzir histórias para Malcolm Wheeler-Nicholson, mas não especificamente o seu Superman. Até chegaram a oferecer, mas a má fama empresarial do editor e... bem... os calotes em pagamentos que lhes eram devidos os fez recuar, limitando-se a continuar com os personagens que já estavam produzindo para ele anteriormente (entre eles, o Doutor Oculto). Afinal, naqueles tempos de crise, era melhor pingar do que faltar...

Como já haviam feito um trabalho satisfatório dentro da revista Detective Comics, foram convidados a contribuir com a nova Action Comics (sob a chefia de Jack Liebowitz, já longe dos calotes de Wheeler-Nicholson). Inicialmente, os jovens não planejavam apresentar Superman, ainda porque já tinham outra pessoa em vista para apresentar o material para jornais: Max Gaines, que seria um nome reconhecido por seu trabalho com a EC Comics. Mas Gaines não tinha boas notícias e, novamente, a investida não vingou. Ironicamente, Gaines sugeriu apresentar o material para Liebowitz que, surpresa, aceitou o material. Montaram os quadros com a nova história do novo Superman, originalmente esquematizada para serem várias tiras, de forma a se encaixar em um formato de revista em quadrinhos. O único senão é que, até mesmo devido ao cansaço da dupla em bater a cabeça para publicar seu personagem, acabaram cedendo os direitos autorais logo de cara. Em matéria de arrependimento isso não ficaria claro tão cedo, apesar da revista Action Comics se mostrar um sucesso de vendas e, posteriormente, Superman mostrar-se o detalhe que explicasse esse sucesso. O próprio Leibowitz registrou o logo do peito do personagem no mesmo ano de sua estreia. O contrato assinado por Siegel e Shuster dizia algo como:

"Eu, abaixo assinado, artista e autor, trabalho na tira intitulada SUPERMAN. Tendo em consideração os $ 130,00 que me foram pagos, venho por meio deste, transferir a venda da tira anexada, de boa vontade, o uso exclusivo de personagens e histórias nela contida para os cessionarios, e concordo serem sua propriedade exclusiva, bem como concordo não empregar os ditos personagens ou seus nomes sob quaisquer outros nomes a qualquer tempo, para qualquer outra empresa ou corporação, ou permitir o uso dos mesmos ou outras partes sem obter o consentimento por escrito. Dou-lhe direito exclusivo da utilização dos personagens e histórias, exclusivamente. Recebo a soma acima em dinheiro.
(03 de março de 1938)"

Já na primeira história do Superman, publicada em 18 de Abril de 1938 (com data de capa em Junho), conhecemos também a personagem coadjuvante mais importante em sua mitologia, a repórter Lois Lane. A personagem foi baseada por Shuster na modelo Joanne Carter, contratada justamente pelo desenhista para servir de base para a criação da personagem. Joanne, vejam só, acabou se casando com o amigo, Jerry Siegel. Tudo em família... O fato de Lois sempre ser enganada por Clark quanto a sua identidade secreta (Clark força ao se mostrar um covarde, enquanto como Superman meio que a esnoba... apesar de também ter sentimentos por ela) era um dos charmes da série de história ao qual Jerry Siegel não abria a mão. Até há histórias em que ela chega perto da verdade, mas o escritor preferia manter esse "jogo sedutor" insolúvel como clima da série.

Esse primeiro Superman trazia diferenças, conceituais inclusive, que ainda seriam desenvolvidas com o passar dos tempos. A revista não perde muito tempo em desenvolver sua origem, dando apenas uma página para dar uma pincelada nesse item e dar uma ideia de seus incríveis poderes (há até uma nota de curiosidade, mostrando que existem animais no mundo real com superpoderes, como as formigas, que conseguem levantar pesos maiores que o seu próprio, e os gafanhotos, que conseguem saltar a distância proporcional a quarteirões, quando comparados a humanos). Apesar do herói já se apresentar em plena ação em favor de motivações nobres (provar a inocência de uma mulher condenada à morte, dar um safanão em um homem que espanca a esposa, capturar um lobista que propaga a corrupção com um senador americano), seu modo de agir é um tanto quanto... inconsequente. Sádico até. Ele mostra se divertir ao invadir propriedades, jogar pessoas contra paredes ou assustá-las carregando-as correndo por fios elétricos. A icônica cena do carro levantado e sendo esmagado por ele na capa, na verdade é uma parte da história, onde ele pega o carro de criminosos que raptaram Lois Lane, o levanta e chacoalha, jogando todos pra fora (inclusive Lois Lane, que ainda estava dentro do carro! Dane-se a gentileza e delicadeza!) O personagem não voa, mas utiliza sua superforça para dar grandes saltos que praticamente tem efeito parecido. E é bem interessante como é criada a personalidade forçadamente acovardada de Clark Kent, sendo tão bem "interpretada" que faz com que o leitor realmente sinta raiva do personagem por agir daquela forma, mesmo sabendo da verdade (que dirá da Lois, que não sabe...). Essa primeira história, apesar de muitos acontecimentos, teria continuação no próximo número.

Apesar de apresentado como atração principal, uma vez que se tornou capa da primeira edição, Superman não era a única atração da revista, já que se tratava de uma antologia de histórias, como as publicações anteriores da editora. Juntamente com Superman, eram encontradas histórias do mago Zatara (por Fred Guardineer e futuro pai de Zatanna, enfrentando uma espécie de pirata de trens chamada Tigresa; o personagem era tão parecido com Mandrake que, no lugar do Lothar, tinha um indiano chamado Tong como parceiro); o cowboy Tex Thompson (que futuramente se chamaria Mr. America e Americommando; escrito por Ken Fitch, desenhado por Bernard Baily); Chuck Dawson (por Homer Fleming), um cowboy ao estilo rebelde contra todos; um conto de aventura marítima escrita pelo Capitão Frank Thomas; a série de humor de Estica e Espicha, bem ao estilo de filmes mudos (em relação ao ritmo frenético, pois há balões de fala; escrita e desenhada por Russell Cole); aventuras de Marco Polo (por Sven Elven); nosso conhecido esportista Pep Morgan (escrito por Gardner Fox e desenhado por Fred Guardineer), migrado para a nova revista e atacando no mundo do boxe; Scoop Scanlon, escrito por Will Ely (de Mr Chang), repórter que atua tanto nas investigações que praticamente não dá pra dizer que é imparcial em seu trabalho.

Superman pode não ser considerado por alguns como o primeiro super-herói (O Fantasma e Mandrake, por exemplo, anteriores ao seu surgimento, são provas disso), mas assim é lembrado por ser responsável por popularizar o gênero.

Por ser uma revista de importância histórica, Action Comics foi publicada diversas vezes no Brasil, no que diz respeito a sua principal atração. A história do Superman foi serializada na revista A Gazetinha entre os números 451 e 463, entre 1938 e 1939, pela A Gazeta. Foi apresentada na íntegra (a história do Superman) no Álbum da Gazetinha 02, em 1939, ainda pela A Gazeta. A edição integral, com todas as histórias, foi publicada no Almanaque Nostalgia, em 1975, pela Ebal. A origem do Superman foi apresentada na revista Origens dos Heróis 01, em 1975, pela Ebal. Um "fac-símile" com a história do herói (apesar de ser da revista Action Comics) em 1994, pela Editora Abril. No encadernado Superman Crônicas 01, em 2007, pela Panini. No especial Coleção DC 75 Anos, em 2010, pela Panini. Na terceira e oitava edições da DC Comics - Coleção de Graphic Novels, em 2014 e 2015, pela Eaglemoss. E um Fac-Símile da edição em 2015, pela Eaglemoss.

Você encontra a versão pela DC Comics - Coleção de Graphic Novels na Sala de Perigo, a loja do blog Âmago: https://saladeperigo.loja2.com.br/search_store?q=GB06

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 05: MORE FUN COMICS (Setembro de 1937) PEP MORGAN

A segmentação do público para os quadrinhos sempre foi um fator vital para o sucesso e longevidade de uma publicação. Claro, o autor não escreve para si mesmo, mas para os leitores. E esse "diálogo" tem que ser muito claro na mente não só de quem escreve/desenha, mas também de quem edita.

As revistas da Era de Ouro, no entanto, traziam uma explosiva gama de direcionamento para os mais variados públicos. E isso em uma só revista. Havia aventura, piadas, suspense policial, terror (leve), infantil, humor... Com certeza, ALGUÉM iria comprar a revista não por ela como um todo, mas por uma ou outra história que ganhariam a simpatia do leitor, além da chance de apresentar novos estilos que ele nem sabia ser tão legais.

A série de histórias curtas de Pep Morgan, criadas por Creig Flessel (que trabalharia com o Sandman original e o Cavaleiro Andante), trazia uma segmentação bem peculiar. Claramente, suas histórias eram voltadas para o público que estava no ensino médio, mas, ao contrário de fazer seus leitores sonharem em serem heróis, era um incentivo para algo mais crível, mais possível dentro de seu dia a dia: destacarem-se como atletas e esportistas em sua turma. Isso, com certeza, lhes trariam prestígio em um âmbito muito mais amplo do que se imaginava.

A premissa simples e direta ao ponto era tão certeira que bastava apenas duas páginas para contar as desventuras de Pep. Não tinham muito segredo: era um jovem que se destacava em seu colégio não como atleta de um esporte, mas de várias modalidades. E o desafio era tão somente... ganhar. Claro que pra tornar tudo um pouco mais interessante, vez ou outra o personagem encontrava "vilões" que teimavam em atrapalhar sua prática. Algumas vezes, Pep tinha que recorrer aos punhos para chegar à reta final.

Existiam situações que saiam um pouco dessa fórmula simples. Como na edição 24 da More Fun Comics, onde o herói é abordado por valentões no meio de uma estrada onde está correndo e jogado por um barranco. Não se deixando abalar, Pep simplesmente toma um atalho para voltar à corrida. Consegue, mas não cai no clichê de ser totalmente invencível e recuperar sua posição. Consegue chegar em segundo lugar, tendo como consolação o fato de que essa posição é suficiente para classificar sua equipe.

Pep Morgan ensinava não apenas aos alunos do ensino médio a serem mais atléticos ou vencedores imbatíveis, mas também todos os bons princípios de um digno competidor... inclusive que é mais importante competir do que sempre vencer.

MORE FUN COMICS 24

Publicada pela DC Comics
Setembro de 1937
* "Pep Morgan and the Cross Country Race"
ROTEIRO e ARTE: Creig Flessel
HISTÓRIA CONTÉM: 02 páginas
EDITOR ORIGINAL: Malcolm Wheeler-Nicholson

No Brasil, foi publicada em:
ALMANAQUE DE O LOBINHO 01
Publicada pelo Grande Consórcio Suplemento Nacionais
Dezembro de 1942
* "Pep Morgan nas Corridas Universitárias"
(essa edição ainda trazia histórias de Mickey, Pateta, Mutt e Jeff, a série História dos Heróis de Verdade, Joel Ciclone, Slam Bradley, Batman e Robin, Red Logan, Chicote, Vingador Escarlate, Rádio-Patrulha, Gavião Negro, Speed Saunders, Zatara, Steve Malone, Cesar Roberto, Cliff Crosby, Superman, Três Azes, Americomando, Johnny Trovoada, Sandman, Clip Carson, O Caçador e Capitão Corajoso. Sim, era uma edição especial e bem gordinha: 300 páginas)

domingo, 19 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 04: DETECTIVE COMICS 06 ( Junho a Outubro de 1937 ) SLAM BRADLEY

A revista Detective Comics ficou conhecida por ter sido a publicação onde não só surgiu o Batman, como também de ter sido o título mais longevo do qual o personagem protagonizaria. Mas isso só aconteceu lá pela vigésima sétima edição. Antes de Batman... ou melhor... até mesmo antes de Superman, havia Slam Bradley.

Aventureiro turrão, com ar de galã, que resolvia a maioria dos problemas com os punhos. Tinha como parceiro um homem baixinho e caricato apelidado de Mindinho (caricato a ponto de seu visual ter os traços mais cômicos, em contraste com os traços mais realistas dos outros personagens das histórias de Bradley).

O personagem é uma criação do major Malcolm Wheeler-Nicholson e encomendado para uma jovem dupla muito peculiar: o escritor Jerry Siegel e o desenhista Joe Shuster, ninguém menos que os criadores do Superman... antes de o Superman ser publicado da forma como o conhecemos hoje. Curiosamente, as feições de Slam Bradley lembram muito as do Superman. Apesar de corpulento e muito forte, Bradley não tinha nenhum superpoder. Mas é interessante como ele se assemelha a um Superman sem a capa, servindo como laboratório para que a dupla desenvolvesse o super-herói meses depois.

Slam Bradley surgiu logo na primeira edição da revista Detective Comics e pode-se dizer que foi a principal atração da revista durante um bom tempo, sendo posteriormente eclipsado pelo sucesso de Batman (apesar de suas histórias ainda continuarem sendo publicadas na revista depois da estreia do homem morcego). Sua importância na revista era evidente até mesmo pela quantidade de páginas dedicada a suas histórias, pouco mais de uma dúzia.
Suas histórias, apesar da pancadaria, pegavam um pouco mais leve nos roteiros, o que ficava ainda mais evidente com a presença do alívio cômico de Mindinho. Assemelhava  mais a uma aventura de Mickey e Pateta do que ao clima pulp.

Na sexta edição da Detective Comics, Bradley ajuda um idoso que aparentemente está sendo assaltado e tem sua gratidão ao ser convidado para uma festa em família. Tratava-se de um magnata do México, descobridor de uma mina de ouro em seu país. Mindinho, inicialmente relutante em comparecer a festa, logo muda de ideia ao ver a linda filha do magnata. A empatia da dupla com a família mexicana é imediata e todos se tornam amigos.

Pouco tempo depois, Bradley recebe a notícia de que o magnata foi sequestrado e sua filha lhe pede ajuda. A dupla vai ao México e é Mindinho, com seu jeito atrapalhado, quem acaba topando com os criminosos primeiro. Com seu jeito sempre cômico, acaba inventando que é um gangster americano e está ali no intento de fazer negócios, desbaratando o plano de Bradley. Os criminosos caem na lorota (com um pé atrás) e levam adiante o plano de Mindinho.

Mindinho, fingindo estar mancomunado com os criminosos, conta tudo a Bradley e, juntos, bolam um plano para surpreendê-los. Mindinho combina com o magnata, que está em poder dos criminosos, que ele revele o que querem: a localização da mina. Com isso, ganham tempo para Bradley atacar. Enquanto parte do bando segue para a mina, Bradley invade o cativeiro, dando conta do único vigia. O trio segue para a mina onde uma carga explosiva está posicionada de forma a prender os criminosos. O atrapalhado Mindinho acaba tropeçando no detonador fazendo com que a armadilha funcione afinal.

Apesar de Mindinho ser o alívio cômico, vale lembrar que aqueles eram tempos em que o bom senso imperava de uma forma bem diferente do que conhecemos hoje. Esqueça o politicamente correto! Com um dos criminosos preso entre uma brecha entre as rochas, Mindinho não pensa duas vezes em não apenas socá-lo, como também em arrancar fios de seus bigodes como se fosse mal-me-quer, bem-me-quer.

A fúria do torturado criminoso o faz se soltar das rochas e partir para matar Mindinho, mas este é salvo por Bradley que nocauteia o bandido com um soco. Rosita, a filha do magnata agradece e se despede de Bradley com um beijo, que ela alega ser o prêmio por deixá-la tão feliz. Quando Mindinho reclama o seu beijo, ela diz que... não está tão feliz assim.

Essa história foi publicada no Brasil na revista Mirim 260, pelo Grande Consórcio Suplementos Nacionais, em Dezembro de 1939, com o nome de "Slam Bradley no México".

DETECTIVE COMICS 06
Publicada pela DC Comics
Agosto de 1937

* "In Mexico"
ROTEIRO: Jerry Siegel
DESENHOS: Joe Shuster
HISTÓRIA CONTÉM: 13 páginas
EDITOR ORIGINAL: Malcolm Wheeler-Nicholson

sábado, 18 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 03: DETECTIVE COMICS ( Junho a Outubro de 1937 )

Personagens asiáticos nos pulps e nos quadrinhos dos anos 1930 eram sempre vilões estereotipados. Simples assim. E olha que sequer o mundo tinha passado pela Segunda Guerra Mundial (onde os japoneses seriam os inimigos da vez) ou mesmo nos primórdios da Guerra Fria (onde os chineses seriam o alvo). Claro que os quadrinhos também os mostravam como vilões, já que muito de suas histórias iniciais viriam inspiradas pelos pulps. Porém, há exceções...

O personagem Mr. Chang teve vida curta, mas destacava-se dentro da revista Detective Comics, voltada para histórias protagonizadas por detetives americanos. Chang, ao contrário de mostrar-se devoto da violência e/ou do terrorismo, trazia aquele tipo de personagem oriental calmo, pacífico, filosófico, longe de ser o tipo que, por exemplo, resolveria tudo com golpes de artes marciais (apesar do ar de mistério trazer aquele clima de que o personagem iria explodir em piruetas a qualquer momento).

Foi criado por Ed Winiarski para a revista Detective Comics n° 6, em Agosto de 1937, edição em que o desenhista assinava como Win (curiosidade: entre os nomes que Winiarski assinava, em algumas ocasiões, estava o nome de Fran Miller - sim, sem o "k").

Nessa primeira aventura, o complacente Mr. Chang (já tratado como uma personalidade respeitadíssima no ramo da investigação), é convidado a desvendar o mistério de acidentes onde as vítimas sumiam por um tempo e seus corpos eram encontrados  depois sem sangue.

Confiante e corajoso, Mr. Chang, seguido por um ajudante conhecido por Wu, se coloca como voluntário para sofrer o acidente no lugar misterioso. De fato, ao chegar à fantasmagórica estrada, outro carro, idêntico ao deles, vem em alta velocidade no sentido contrário. Mas tudo não passa de um enorme espelho que reflete o seu próprio automóvel. Quando o motorista tenta desviar ou mesmo para o carro, é abordado por homens que os levam até um cientista louco conhecido como Dr. Hugo Von Grantz, que pretende retirar o sangue das pessoas que captura e injetar uma fórmula que triplicará o tamanho de seus corpos, tornando-os gigantes que lhe servirão fielmente. Bem... como os corpos são encontrados depois, é provável que a loucura deva falhar constantemente. O único suposto sucesso de sua experiência está nos dois homens altos e fortes que o auxiliam capturando as pessoas na estrada.

Mr. Chang e Wu, capturados, resolvem tudo de forma simples: apagam as luzes no esconderijo do vilão e o atacam. Em seguida, trancados em um cômodo do local, conseguem acender um sinalizador, que mostra para os policiais que o auxiliam onde está o vilão. Fim. Tudo resolvido de forma calma, (quase) pacífica e de forma tão organizada que daria tempo até mesmo para se filosofar a respeito.

O personagem traz as características de outro famoso personagem oriental na mesma linha (só que mais conhecido): Charlie Chan. Assim como esse, era um personagem que tentava sair do estereótipo de personagem oriental mas, com isso, acabava saindo ainda mais estereotipado (ou tanto caricatural quanto). Tão estereótipo que era apenas um entre outros tantos nessa mesma linha. ESSE Mr. Chang, inclusive, teve vida curta, com apenas três histórias publicadas na época... e nunca mais foi visto nos quadrinhos. Quem sabe um dia aparece nas páginas das histórias da DC, apesar de tanto tempo sumido. Calma para aguardar, ele tinha de sobra...

DETECTIVE COMICS 06
Publicada pela DC Comics
Agosto de 1937

* "The Mad Scientist"
ROTEIRO e ARTE: Ed Winiarski
HISTÓRIA CONTÉM: 6 páginas
EDITOR ORIGINAL: Malcolm Wheeler-Nicholson

Publicada no Brasil na revista:
MIRIM 260
Dezembro de 1939
Pelo Grande Consórcio Suplementos Nacionais
Título nacional: * "O Cientista"
APRESENTAÇÃO DA EDIÇÃO: 32 páginas

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 02: MORE FUN COMICS 21 A 24 ( Junho a Outubro de 1937 )

A empreitada do Major Malcolm em publicar material original (como vimos no capítulo anterior) começou mesmo com a revista New Fun: The New Comics Magazine, que seria mais conhecida, futuramente, como More Fun Comics. Era um apanhado de várias histórias curtas (dificilmente ultrapassavam meia dúzia de páginas por história), muitas delas serializadas e algumas eram, sim, republicações de tiras... apesar do intento do material original. Além disso, pode ser considerada a primeira revistas do que viria a se tornar a DC Comics.

A revista era uma espécie de almanacão de luxo (para a época) que tinha um conteúdo bem variado no que se refere a estilo de quadrinhos. Trazia tanto histórias infantis, quanto de ficção, passando por charges, faroeste, policial, terror e até mesmo material de conteúdo mais dramático e contemporâneo. O material original, na verdade, era inserido como "complemento" da edição, feito meio que de forma experimental, apesar das intenções de seu editor.

A verdade é que o Major Malcolm Wheeler-Nicholson meio que "herdou" a revista, que antes era editada por Lloyd Jacquet, que fundaria a Funnies, Inc. que já direcionava, também, o esquema de republicar tiras nas novas revistas, mas que também forneceria material original (algo que foi acontecendo aos poucos). Curiosamente, do material que Lloyd Jacquet seria responsável por distribuir, posteriormente, boa parte iria parar para outro título, a Marvel Comics, que, sim, se tornaria a famosa concorrente da DC (não que naquela época isso fosse tão evidente). Em suma, por mero acaso administrativo, Marvel e DC quase surgiram de um mesmo "embrião" editorial em sua gênese.

Uma das curiosas séries publicadas na More Fun Comics foi Johnnie Law, mostrando um policial que é promovido para ser investigador na vizinhança que já policiava. O interessante diferencial aqui é que essa vizinhança mostrava o lado mais pobre de Manhattan, com seus cortiços e destacando sua decadência social mais profunda (uma vez que a crise se abatia pelos Estados Unidos naquela época até mesmo em vizinhanças mais abastadas). Sua primeira aventura (dividida em 4 partes de 4 páginas cada) mostra o recém promovido investigador as voltas com a ameaça de um incendiário doentio que vem botando fogo nos velhos prédios da vizinhança. Detalhes como a dificuldade dos bombeiros em utilizar os hidrantes do local, já que os mesmos eram alvo de vandalismo, e o drama de moradores de rua que eram salvos dos prédios, uma vez que era ali que encontravam abrigo, são recorrentes na série. Inclusive, Johnnie se mostra um personagem que estava longe daquele cenário de pobreza até então. Fica estarrecido com a história de um garoto, salvo por ele de um dos incêndios, só pelo fato de que ele estava dormindo no saguão do prédio incendiado. Para o garoto, isso era uma rotina comum. Vivia de catar papelão e dormia onde dava pra se acomodar. Mas para Johnnie, alguém não ter uma casa para chamar de lar era algo estarrecedor, mesmo sabendo que muitos podiam se encontrar naquela situação. Um contraste interessante e até sensível para uma revista em quadrinhos.

As histórias de Johnnie Law eram escritas por Bill Ely, que também assinava como Will Ely e, na primeira parte, chegou a assinar como Will Georgi (seu verdadeiro nome era William John Ely).

A aventura que mostra Johnnie Law investigando a onde de incêndios, desvendando o mistério de quem é o incendiário, foi publicada no Brasil em Setembro de 1939, na revista Mirim n° 227, do Grande Consórcio Suplementos Nacionais. Edição essa que traria, entre outras, uma história do personagem francês Fantomas.
A versatilidade de Bill Ely ainda iria abrilhantar muitas histórias, passando por vários gêneros, se destacando os de suspense e ficção. Na década de 60, foi responsável por uma série de histórias com o personagem Rip Hunter. Um de seus trabalhos com um clima pulp e de suspense pode ser visto na edição 16 da revista da Legião dos Super-Heróis, da Ebal, onde é mostrado o pesadelo de um homem que deseja que sua monótona vida mude completamente... mas ele descobre que seus desejos atendidos podem ser um tanto quanto aterrorizantes. Essa edição da revista da Legião, você encontra na Sala de Perigo: https://saladeperigo.loja2.com.br/8551499-565001-Legiao-dos-Super-Herois-16

Também estamos em nosso espaço no Mercado Livre: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1086058273-legio-dos-super-herois-16-dc-comics-superboy-_JM
 
 










LEGIÃO DOS SUPER-HERÓIS 16
Publicada pela Ebal
Fevereiro de 1970


* "Feitiço por um dia"
ROTEIRO e ARTE: Bill Ely
EDITOR ORIGINAL: Whitney Ellsworth

E ainda com histórias de:
* LEGIÃO DOS SUPER-HERÓIS (escrita por Jim Shooter, desenhada por Jim Shooter e Pete Constanza)

APRESENTAÇÃO DA EDIÇÃO: 36 páginas, sendo as internas em preto e branco, lombada canoa, formato 17 x 26cm

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

GIBITECA ÂMAGO Parte 01: DETECTIVE COMICS 01 ( Março de 1937 )

Seis páginas! Meras seis páginas! Era com bem pouco espaço que se contava uma história em quadrinhos na Era de Ouro. E isso se torna ainda mais rápido quando o personagem se chama SPEED Saunders (apelido do detetive Cyrill Saunders).

A história Polícia do Rio foi publicada no primeiro número da revista Detective Comics, a mesma que, alguns anos depois, daria ao mundo um certo... Batman! Mas antes mesmo disso, a revista trazia uma coletânea de histórias de suspense e policiais. O título foi o terceiro de uma nova linha pelo Major Malcolm Wheeler-Nicholson, que já escrevia pulps e... bem... não estava lá passando por um bom período em seus negócios, verdade seja dita.

Após uma ativa carreira militar, o Major Malcolm passou a não apenas fazer críticas contra alguns escalões e bastidores militares (o que lhe rendeu muita dor de cabeça devido a processos), mas também a escrever contos de ficção histórica e militar, utilizando seu conhecimento na área. Com o tempo, enveredou pelo mundo das revistas em quadrinhos (que estava ali, lado a lado com o mundo da literatura pulp), mas estas tinham como regra REpublicar material já publicado como tiras em jornais. Como várias tiras já tinham "dono", Malcolm decide publicar material original próprio. No meio disso, cria as revistas "New Fun: The Big Comic Magazine" (que, além da iniciativa do material original, também tinha um diferencial em seu formato, sendo maior do que as concorrentes, o que justifica o 'Big' de seu nome) e a New Comics, que futuramente se tornaria a Adventure Comics. No meio desse novo negócio, Malcolm decidiu tornar-se ainda mais independente e fundou a empresa National Allied Publications.

Mas as coisas não saíram exatamente como o esperado. Os pontos de venda para onde suas revistas iam começaram a desacreditar em estocar o material. Acreditavam que personagens desconhecidos (afinal, eram novos e originais) teriam mais problemas em cair na popularidade do que as outras revistas, que já republicavam tiras de personagens já conhecidos dos jornais. Isso, junto a problemas em suas finanças pessoais (sua esposa chegava a se desesperar por falta de dinheiro até mesmo para pagar o leite das crianças), começou a tornar sua visionária empreitada em um verdadeiro pesadelo.

Muito endividado, chegou a ser obrigado a aceitar o dono da gráfica, Harry Donenfeld, e seu respectivo contador, Jack S. Liebowitz, como sócios em sua empresa. Foi nesse tempo que surgiu a última revista sob sua gestão, a Detective Comics, nome também pelo qual a empresa passou a ser conhecida. Ironicamente, no futuro, a empresa se popularizaria como DC Comics.

Foi na primeira edição de Detective Comics que foi criado o detetive Speed Saunders, criado por E. C. Stoner. A rápida aventura mostra o personagem como um operativo em uma unidade da Patrulha do Rio, tendo um momento de relaxamento interrompido por um caso de cadáveres de chineses que estão aparecendo no rio. Com permissão de seu chefe, Saunders prefere seguir as investigações sozinho (a figura do detetive durão era um recurso comum nos pulps). Infiltrando-se, chega a trabalhar por semanas como estivador nas docas, até investigar uma suspeita escuna que nunca desembarca sua carga. Apesar do disfarce, o detetive é jogado ao mar pelos que ele julga serem criminosos, mas consegue nadar até um lugar seguro e arrumar um barco com um amigo. Acaba por descobrir um esquema de contrabando de escravos chineses, sendo que os doentes estavam sendo jogados ao mar.

Speed Saunders parece ter um carisma peculiar perante os outros personagens. Além de ousado, é irônico diante de uma situação ao qual sua vida corre risco, seu chefe lhe concede todas as permissões que pede sem questionamento, já aparenta ter certa fama entre os locais e não pestaneja em abordar os vilões sozinho.

Esta história foi publicada no Brasil em Maio de 1937, na primeira edição da revista Mirim, pelo Grande Consórcio Suplementos Nacionais. Essa edição da Mirim era acompanhada por histórias do Sargento King, Manequinho, Raffles, Dona Lindinha, Cazuzinha, Az Drummond, Mandrake, Clifford B. Harmon, Gatinha Princesa, Pinduca, Paulinho e Popeye.